Capitulo 4. MARATONA



Rei Klaus.

Reino de Murdor
Demetria acordou assustada, com braços fortes a arrastando rudemente pra fora da carroça. Tinha adormecido no restante do caminho e nem notara a chegada ao famoso Reino de Murdor. A princesa nunca saira de Severac, nunca estivera naquele lugar, mas já ouvira muitas histórias sobre o povo de lá e a seu ver eram todas verdadeiras. Lutou pra se manter em pé e esconder o corpo descoberto enquanto dois soldados a seguravam, percebeu olhares sobre ela, alguns de curiosidade, outros de malícia e tentou manter a dignidade enquanto era arrastada como uma qualquer em direção ao Palácio. 
Em comparação com a cidade, que era composta por casas e pessoas simples, o Palácio era de uma grandeza e beleza absurdas, muito mais chamativo que o Palácio de sua família em Severac. Havia criados espalhados por todo canto, assim como guardas muito bem armados, atentos. Quando pararam em frente uma enorme porta dupla, o comandante se virou pra falar com seus soldados. 
__Eu vou entrar primeiro e falar com o Rei, vocês fiquem aqui com ela e esperem meu comando, estamos entendidos?
__Sim senhor__ os soldados concordaram..
Então, sem mais nenhuma palavra, o cavaleiro das sombras adentrou a sala do Trono. 
Klaus, o famoso e temido Rei de Murdor, estava sentado no fim do salão em seu Trono. A presença dele era forte, impunha respeito, era um homem na casa dos quarenta, tinha cabelos loiros na altura dos ombros, olhos verdes brilhantes e um corpo musculoso que arrancava suspiros de muitas mulheres do Reino. O único defeito em sua aparência era a cicatriz que tinha no lado esquerdo do rosto que ganhara em batalha, começava na testa, atravessava o olho e terminava no meio da bochecha, mas a marca era um motivo de orgulho. Com sua coroa de ouro e pedras preciosas, a longa capa e o semblante despreocupado, porém intenso, ninguém ousava desafiá-lo, nem mesmo o cavaleiro das sombras, mas os motivos ninguém conhecia. 
Era óbvio pra todos que olhassem que o cavaleiro das sombras respeitava o Rei, porem guardava consigo uma raiva intensa e uma sede sangue que pretendia saciar um dia, nem que fosse a ultima coisa que fizesse. E também era claro que o Rei tinha um grande respeito pelo cavaleiro das sombras, além de um evidente medo quando o comandante empunhava sua espada. Parecia sempre temeroso que o jovem perdesse a paciência e lhe cortasse a garganta o que nunca aconteceu, e levantava muitas perguntas. O cavaleiro das sombras não temia e nem tinha misericórdia de ninguém, então porque se curvava diante de um homem que ele poderia derrotar em um piscar de olhos? Era o maior mistério do Reino de Murdor.
__Joseph__ o Rei sorriu largamente ao ver o comandante, quem visse a primeira vez podia acreditar que os dois eram amigos de verdade, mas era tudo encenação, eles precisavam e temiam um ao outro e essa relação mantinha tudo funcionando. 
__Alteza__ Joseph se curvou diante do Rei. Somente duas pessoas naquele Reino o chamavam pelo seu verdadeiro nome, todos sabiam como ele realmente se chamava, mas apenas o Rei e uma velha amiga tinham a intimidade o suficiente para fazê-lo. Os outros sempre o invocavam por comandante, cavaleiro das sombras ou títulos assim. 
__Que notícias me traz de Severac? Espero que tenha tudo saído como planejado.
__O Reino foi dominado Alteza, Severac está sob nosso comando agora__ respondeu o fitando seriamente.
__Onde ele está?__ Klaus questionou com um brilho enlouquecido no olhar__ você o trouxe pra mim?
Joseph exitou um momento, sabia que o Rei não ousaria lhe fazer nada, mas descontaria a noticia ruim em alguém, isso era certo.
__Nós chegamos a capturá-lo Alteza, coloquei alguns dos meus homens para vigiá-lo, mas infelizmente o Rei Robert conseguiu fugir de meus homens e não o encontramos mais__ explicou com cautela__ ele simplesmente desapareceu.
__Desapareceu?__ a expressão descontraída dele se desfez num instante__ vocês o deixaram fugir?
__Eu sinto muito Alteza, o procuramos por todo o Reino, mas ele escapou. Já puni o culpado devidamente, ele não nos causará mais nenhuma perda. 
__Aquele bastardo escapou por entre meus dedos novamente__ ele esbravejou irritado, seu tom de voz fez a mulher prostrada ao seu lado e os outros soldados no cômodo estremecerem, Joseph foi o único que permaneceu inalterado__ ele é como uma barata, não importa o que eu faça, quantas vezes pise nele, o desgraçado sempre consegue se safar. 
__Foi um infeliz episodio Alteza__ Joseph murmurou__, mas tenho algo que talvez o deixe o satisfeito. 
__Se não for à cabeça daquele bastardo em uma bandeja não quero saber.
__É algo que pode certamente ajudá-lo a conseguir isso Alteza__ Joseph sorriu__ posso mostrar?
__Vá em frente__ o Rei disse interessado. 
__Tragam-na aqui__ Joseph ordenou aos soldados que esperavam do lado de fora. 
As portas da sala do Trono se abriram e dois guardas entraram arrastando Demetria pelos braços. O Rei ajeitou a postura e esperou impaciente que Joseph lhe explicasse do que se tratava aquilo. Assim que os dois guardas largaram à princesa, Joseph a segurou pra se certificar que ela não faria nenhuma besteira.
__O que é isso?__ Klaus questionou analisando a princesa dos pés a cabeça. O olhar profundo dele fez Demetria estremecer e não de um jeito bom, ela apertou mais os braços em volta do próprio corpo pra se proteger. 
__Senhor, nós perdemos o Rei Robert, mas conseguimos capturar Demetria Lovato, filha do Rei e princesa de Severac. 
__Princesa de Severac?__ o Rei ergueu a sobrancelha__ o que aconteceu com ela?
__Um imprevisto no caminho senhor, mas consegui resolver__ disse simplesmente.
__Claro que sim__ ele sorriu__ você é sempre muito eficiente. 
O Rei se levantou de seu trono e Demetria pode ver melhor como era alto e forte. Era um homem muito bonito obviamente, mas algo em seu olhar era perturbador, assim como o olhar do cavaleiro das sombras, que lhe atravessava de forma nada discreta. Mas ao invés de parecer imaginar como matá-la, ele parecia ponderar como se divertiria as suas custas. Ele parou a alguns centímetros dela e Demetria instintivamente tentou se afastar e se esconder, mas o comandante agarrou seus braços, os puxando pra trás do corpo e prendendo com uma das mãos e com a outra segurou o rosto dela, a obrigando a encarar os olhos verdes do Rei e a deixando exposta.
__Ouvi histórias sobre a princesa de Severac__ o Rei sussurrou e parecia devorá-la com os olhos, seu olhar era ainda mais intenso e pervertido do que o do homem que tentara estuprá-la na outra noite, tinha algo de selvagem nele que deixou Demetria nervosa__ ouvi dizer que não há em todo o país mulher mais linda. 
Ele ergueu lentamente a mão e com a ponta dos dedos acariciou gentilmente os seios descobertos da jovem. Ela se retesou tentando se afastar do toque, mas as mãos firmes do comandante a impediram. 
__Me parece que as histórias eram verdadeiras__ ele sorriu__ mesmo suja e descabelada continua tentadora. 
Demetria queria responder de forma mal educada, mas a mão do comandante, apertando seu rosto a impedia de falar.
__Fez muito bem em trazê-la até mim Joseph__ era a primeira vez que a princesa ouvia o nome do tal cavaleiro das sombras, parecia normal demais para um homem como ele__ ela será extremamente útil. 
__O que devo fazer com ela Alteza?
__Leve-a até as meninas do La Luna__ deu as costas e caminhou lentamente de volta ao trono__ ordene que dêem um trato na princesa, quero-a apresentável e renovada em meus aposentos ao cair da noite. Teremos muitos assuntos para tratar. 
__Como quiser Alteza__ Joseph concordou__ com sua licença.
Então ele deu meia volta e arrastou Demetria consigo pra fora do Palácio.

La Luna

Demetria não sabia exatamente para onde estava sendo levada, mas estava extremamente cansada e simplesmente se deixou levar pelo cavaleiro das sombras. Atravessaram a cidade em direção a um local pouco movimentado e Joseph a empurrou pra dentro de uma casa, a principio Demetria não entendera que lugar era aquele, tão bem arrumado, isso até ver duas garotas saindo de um quarto com um homem asqueroso, pelo menos a seu ver. As meninas usavam uns vestidos bem reveladores e carregavam sorrisos maliciosos no rosto... Aquilo era um Bordel. Joseph caminhou até uma das mulheres.
__Onde está Paola?__ ele questionou.
__Lá em cima querido__ e olhou Demetria dos pés a cabeça__ eu te mostro o caminho. 
A mulher subiu um lance de escadas, com Joseph e Demetria logo atrás, sem nunca dizer nenhuma palavra, caminharam por um longo corredor com várias portas de onde a princesa podia ouvir gritos, gemidos e coisas obscenas, sentiu o estomago embrulhar quando pararam diante de uma porta e sem se anunciar Joseph a abriu e a empurrou para dentro, entrando logo depois. 
__Paola__ Joseph chamou.
Do outro lado da sala, olhando pela janela estava uma mulher, ela se virou ao ouvir seu nome ser chamado. Devia ter pouco mais de trinta anos, longos cabelos ruivos lhe caindo em cachos pelas costas, pele clara e sedosa, olhos verdes e um sorriso malicioso. Usava um belo e longo vestido vermelho, com um decote nada discreto, deixando as costas desnudas, revelando um corpo sensual e cheio de belas curvas que enlouqueceria o mais são dos homens. Ela pareceu satisfeita ao vislumbrar o comandante.
__Joseph, meu querido__ ela abriu os braços e se aproximou com um largo sorriso__ não o esperava aqui tão cedo, pensei que estava em guerra.
__E estava__ ele sorriu amavelmente para mulher, sendo gentil com alguém pela primeira vez desde que Demetria o encontrara e não parecia estar fingindo__, mas já vencemos, não foi muito difícil como deve imaginar.
__Claro que não__ ela concordou__ e o que trouxe para mim?__ os olhos verdes analisaram Demetria dos pés a cabeça.
__Demetria Lovato, princesa de Severac__ ele explicou__ o Rei ordenou que a trouxesse para que você e suas meninas a fizessem parecer mais apresentável, ele a quer renovada até o cair da noite. Acha que pode dar conta?
__Hum, é uma jovem bonita, não há de dar muito trabalho__ garantiu com um sorriso__ o que você fez com ela Joseph?
__Eu não fiz nada Paola__ garantiu__ seria bom se começasse logo. 
__Cláudia, Vitória, Luiza__ ela chamou e duas jovens entraram pela porta__ quero que vocês preparem um banho quente, e que arrumem roupas limpas e bonitas, vamos preparar nossa princesa para o Rei Klaus. Andem logo, que não tenho o dia todo. 
As jovens se retiraram para fazer o que lhes foi mandado, apenas uma ficou, parada no canto do quarto caso sua senhora precisasse de mais alguma coisa. Joseph finalmente largou Demetria, que passou a mão pelo próprio braço onde a marca da mão do comandante ficara. Paola se aproximou.
__Vamos querida, você precisa de um banho, está horrorosa__ ela murmurou__ tire esses trapos. 
Demetria estava certa que de nada adiantaria discutir, e nem queria, realmente precisava de um banho, sentia-se suja, nojenta e estava com mau cheiro também, pelos dias de viagem e pelos maus bocados que passara. Mas quando estava prestes a obedecer a ordem, olhou para o comandante que continuava ali parado de braços cruzados a observando.
__Ele tem mesmo que ficar aqui?__ falou pela primeira vez, deixando claro seu desgosto com a presença do homem.
Joseph ergueu a sobracelha e sua expressão dizia que não estava disposto a se afastar, Paola apenas lançou um olhar sugestivo a moça no canto do quarto que se aproximou sorrateiramente e deslizou sem o menor pudor a mão pelo peito do comandante até sua calça, se inclinando para sussurrar em seu ouvido.
__Não quer uma massagem comandante?__ ela perguntou sensualmente__ parece tenso, me deixe ajudar... Isso pode demorar.
__Deixe que Luiza cuide de você__ Paola ofereceu__ enquanto eu cuido da princesa, ficar aqui só vai atrapalhar. 
__Tudo bem__ ele concordou depois de um breve minuto__ vou estar no quarto ao lado, grite se precisar ou a princesinha tentar aprontar alguma. Se alguma coisa lhe acontecer ou ela fugir, vou ser obrigado a cortar sua garganta, sabe disso não é?
__Suas ameaças não me impressionam querido__ Paola revirou os olhos__ sei como fazer meu trabalho, agora desapareça. 
__Venha__ Luiza chamou com um sorriso malicioso no rosto, mordendo o lábio inferior. 
Relutante, Joseph agarrou a moça pelo braço e saiu com ela em direção ao quarto ao lado. Demetria sentiu-se aliviada quando ele partiu e viu-se livre daquele olhar penetrante e vazio. As outras jovens sobre o comandando de Paola retornaram já tendo feito suas tarefas e foram ajudar Paola a cuidar de Demetria.
Demetria deixou que lhe tirassem o vestido esfarrapado e suspirou ao entrar na banheira de água quente, sentindo-se incrivelmente bem. Uma das moças tratou de lavar seus cabelos e a Paola mexia em uma muda de roupas, concentrada.
__Diga-me princesa__ ela murmurou distraidamente__ você é virgem?
Demetria a olhou espantada, que tipo de pergunta era aquela? Deixou bem claro seu desgosto através do olhar de repulsa, ia contra seus princípios deixar-se ser cuidada por um bando de prostitutas, mais era uma prisioneira ali, o que não mudava sua opinião sobre aquelas mulheres que se vendiam a qualquer um. 
__Não me olhe desse jeito, é uma pergunta bem simples, apenas responda.
__Isso não é da sua conta__ responde grosseiramente.
__Suponho que isso seja um sim, você tem um rostinho de criança inocente__ Paola disse__ quantos anos tem?
__Vinte e dois__ disse secamente.
__A noite seria mais fácil se não fosse mais uma donzela__ aproximou-se da banheira e com um gesto indicou as meninas que a ajudassem a se levantar e se secar__ sabe que o Rei Klaus não a mandou preparar apenas para uma boa noite de conversa não é mesmo? É uma jovem bonita e filha do maior inimigo dele, será um grande prazer para ele tomá-la.
__Ele não tocará em mim__ Demetria praticamente gritou enquanto uma das moças lhe secava o corpo.
__Não é como se você tivesse escolha criança__ Paola revirou os olhos__ se quer um conselho, não resista... Vai doer menos. 
Demetria não soube o que responder, mas sentiu um nó se formar na garganta. Não se deixaria ser levada como prisioneira e ainda servir como uma prostituta para um homem tão desprezível quanto o Rei Klaus, preferia morrer. Tentou se acalmar com o pensamento de que logo seu pai chegaria ali com um exercito e a salvaria das garras daqueles bárbaros e deixou que as mulheres fizessem seu trabalho sem reclamar. 
Depois que a secaram, Cláudia, uma “cortesã”, como preferia ser chamada ao invés de prostituta, uma jovem loira de olhos claros passou óleos com perfume de flores por seu corpo, até que estivesse cheirosa e com a pele extremamente macia. Vitória, uma menina que parecia ainda mais jovem e morena, escovou seus cabelos por um bom tempo até que estivessem bem lisos e brilhantes e depois elas lhe ajudaram a se vestir.

Puseram-na num lindo vestido azul claro com detalhes dourados, de tecido bem fino, macio e levemente transparente. Tinha um decote que he ressaltava os seios fartos, um cinto dourado bem desenhado abaixo do busto que parecia feito de ouro e as alças do vestido eram do mesmo material. Mas tecido lhe caia pelas costas como uma capa. Deixaram seus cabelos soltos, e lhe puseram algumas jóias, pulseiras douradas e um cordão comprido que lhe caia entre os seios, chamando atenção. 
__Sua princesa está pronta__ Paola disse satisfeita quando Joseph entrou novamente pela porta do quarto, ajeitando a camisa e os cabelos negros que agora estavam bagunçados. 
Ele a analisou longamente dos pés a cabeça, e seus olhos gostaram do que viram, a princesa estava ainda mais bonita do que quando a encontraram no castelo. O vestido lhe caíra perfeitamente e despertava em quem olhasse o desejo de arrancá-lo fora e descobrir os segredos que haveria por baixo. Não importava quão impertinente ela fosse, as histórias eram realmente verdadeiras, não havia em todo o país mulher mais bonita.

__O Rei aprovará o trabalho de vocês__ foi tudo que disse. 
__Assim espero__ Paola murmurou.
__Acertarei o pagamento pelos trabalhos depois__ ele disse e olhou de lado para a moça que esteve no outro quarto com ele.
__Sabe que não é um trabalho para minhas meninas comandante, é pura diversão... Fica por conta da casa__ Paola ofereceu.
__Como preferir__ concordou e voltou a fitar Demetria__ vamos princesa, o Rei está a sua espera. 
A princesa congelou no lugar, tomada de repente por um medo infantil. Se o Rei quisesse mesmo tomá-la, não haveria ninguém naquele lugar para salvá-la e ela não poderia se defender. O coração disparou e se achou então apavorada.
__Não tenho a noite toda garota__ Joseph reclamou__ ande logo.
__Resistir não vai adiantar de nada__ Paola sussurrou ao seu ouvido__ só tornará as coisas piores, acredite princesa, sei do que estou falando. Vá com ele de bom grado ou seja arrastada, a escolha é totalmente sua. 
Engolindo o medo e a covardia, Demetria se pôs a caminhar. Joseph a segurou pelo braço e sem mais demora a arrastou para fora do bordel em direção ao castelo. Aquela seria uma longa noite. 

Fim do Capítulo

Capitulo 3.

O QUE VOCÊS ACHAM DE UMA MARATONA HOJE??? ;D

O Príncipe Encantado.

Cidade de Varden
Já nascera um novo dia e a pequena caravana continuava seu caminho, só mais algumas horas de viagem e eles finalmente chegariam a Murdor. Estavam todos muito quietos depois do incidente da noite passada. O comandante agora cavalgava mais perto da carroça, por entre os soldados e Demetria supôs que seria esse o motivo, eles estavam com medo de perder a cabeça. 
Demetria estava encolhida no fundo da carroça abraçando o próprio corpo pra se esconder agora que seu vestido estava destruído e ninguém parecia se importar com isso, ou com o frio que ela sentia. Estava cada vez mais fraca e cansada, mas apesar do sofrimento e do medo tentava manter a postura confiante, sem querer deixar que vissem o quão insignificante ela se sentia. Era uma princesa, a princesa do Reino de Severac e precisava agir como tal, não deixava que aqueles bárbaros lhe roubassem a dignidade.
__Senhor?__ um dos soldados se aproximou do comandante, cavalgando a seu lado e Demetria se esforçou pra ouvir o que diziam sem que eles percebessem__ Estamos sendo seguidos
__Eu sei__ ele concordou e não era possível saber o que estaria passando por sua cabeça, seu rosto estava todo escondido novamente e isso deixava Demetria nervosa__ já faz duas horas que o notei, estava esperando pra ver se ele tomaria alguma atitude, mas acho que teremos que dar um empurrãozinho.
__O que pretende fazer? Vamos atacar?
__Só observe e aprenda__ ele murmurou e segurou as rédeas do cavalo o obrigando a parar__ Soldados, vamos fazer uma pequena pausa, temos um problema um pouco mais a frente. Deixem a carroça parada aqui um minuto e me acompanhem.
__Vamos deixar a prisioneira sozinha?__ um dos homens questionou.
O comandante fitou rapidamente a princesa com seus olhos azuis.
__Ela não vai a lugar nenhum__ ele garantiu__ sigam-me. 
Mesmo desconfiados os soldados o seguiram, ninguém tinha coragem o bastante pra desafiá-lo. Demetria não entendeu o que exatamente ele pretendia deixando-a ali sozinha, mas ficou quieta imaginando quem os estaria seguindo. Seria seu pai? Será que ele enviara alguém pra lhe resgatar? De repente a esperança lhe invadiu e ela se viu inquieta, olhando em volta com curiosidade pra tentar ver alguma coisa. Os soldados de Murdor rapidamente sumiram de vista e ela se viu sozinha.

Por alguns longos minutos nada aconteceu, só havia silencio e mais nada. Foi então que uma figura surgiu do meio das árvores, montado em um lindo cavalo branco, escondido sobre o capuz, ele se aproximou sorrateiramente da carroça. Mesmo assustada, Demetria só precisou de um segundo pra reconhecê-lo. Um sorriso surgiu em seu rosto e seu coração disparou, ela se preparava pra dizer alguma coisa quando o cavaleiro enrijeceu.
__Desça do cavalo__ uma voz sombria ordenou. 
O cavalo se mexeu um pouco e ela pode ver o cavaleiro das sombras de pé ao lado do visitante, sua espada apontada pro pescoço dele. Ele surgira tão silenciosamente que nenhum dos dois percebera. Os outros soldados de Murdor também surgiram do nada, todos com espadas nas mãos e olhares assassinos no rosto. O cavaleiro desceu de seu cavalo. 
__Quem é você?__ o cavaleiro das sombras perguntou, não esperou que ele dissesse nada, com a ponta da espada abaixou o capuz do rapaz, revelando seu rosto e Demi pode ver que não havia se enganado, era mesmo ele. O príncipe Alex, seu noivo, ele viera para resgatá-la. Era um rapaz muito bonito, de pele clara, cabelos loiros e olhos dourados brilhantes como o sol, além de muito forte e corajoso, mas Demetria temeu por sua vida__ eu perguntei quem é você.
__Alex__ Demetria sussurrou incapaz de se conter, esqueceu por um minuto das roupas destruídas e se arrastou pela gaiola tentando chegar mais perto dele, agarrando as grades com força e sentindo lágrimas lhe encherem os olhos.
__Demi__ ele a fitou com seus olhos dourados, a analisando dos pés a cabeça e seu sangue ferveu ao ver estado em que ela se encontrava__ o que fizeram com ela seus bárbaros?
__Vocês dois se conhecem?__ o comandante perguntou.
__Ela é minha noiva__ Alex respondeu prontamente. 
__Oh que bunitinho__ ele zombou e os soldados todos riram__ o príncipe encantado veio salvar a princesa em perigo. 
__Eu vou matar todos vocês por terem encostado nela.
__Você bem que poderia tentar, mas não acho que esteja em condições de lançar ameaças, príncipe... Alex não é mesmo? Já ouvi falar de você, é aliado do Rei Robert, não gostamos muito de você em Murdor. 
__Também não gosto de vocês, são um bando de porcos__ rebateu sem medo__ e você não me assusta.
__Digam-me rapazes__ o comandante murmurou__ o que acham que devo fazer com esse rapazinho petulante? 
__Corte a garganta dele__ um deles sugeriu.
__Arranque a cabeça fora__ outro gritou.
__Não o machuquem, por favor__ Demetria implorou desesperada__ Alex.
__Se pretendia resgatar sua princesa devia ter vindo com um exército príncipe. Se acha corajoso só porque tem uma espada, mas você nada sabe sobre a guerra, eu poderia tê-lo matado de muitas formas diferentes nas ultimas duas horas e você nem saberia o que aconteceu. É idiota como todo o povo daquele Reinozinho medíocre. 
__Se acha assim tão bom? Lute comigo__ Alex desafiou__ não tenho medo de nada, posso te mostrar que minha espada não é apenas um enfeite. Vou usá-la pra arrancar fora seu coração e vou levar a princesa daqui.
__Palavras fortes__ o comandante abaixou o capuz e a máscara e Demetria pode ver que ele sorria divertido__ acham que eu devo lutar com ele rapazes? Será que sou páreo para sua fúria?
__Alex não faça isso... Ele é o cavaleiro das sombras__ Demetria disse exasperada, não que duvidasse das capacidades de Alex, sabia que ele era um ótimo espadachim, mas se as histórias sobre o cavaleiro das sombras eram reais, ele não teria chance. 
Alex ficou tenso de repente e pareceu finalmente temer a espada apontada pra seu pescoço.
__O que houve? Perdeu a coragem?__ ele riu__ não quer mais lutar? Não se deixe intimidar pela minha fama, nem tudo é verdade. Eu não sou anjo e não posso voar e também não tenho chifrinhos... Só uma espada.

__Deixe ele em paz__ Demetria gritou__ me leve... Mas não o machuque.
__Cale a boca__ o comandante resmungou com impaciência__ façamos o seguinte príncipe, eu vou deixar você ir. Primeiro porque não tenho tempo a perder com criancices e segundo porque quero que mande uma mensagem ao seu Rei. Diga que Murdor está com a preciosa filha dele e que o desafiamos a vir pegá-la de volta. E depois se ainda quiser lutar comigo, sabe onde me encontrar, terei o maior prazer de acabar com você. 
__Vá Alex, por favor, vá embora__ Demetria implorou. 
O príncipe olhou em volta indeciso, poderia lhe dar com aqueles soldados facilmente, mas não teria chances em uma luta contra o cavaleiro das sombras e tinha sido pego desprevenido, não era uma causa muito justa. E morrer naquele momento não ajudaria em nada Demetria, ela precisava que ele continuasse vivo. 
__Eu vou__ ele murmurou e olhou pra Demetria__ mas eu prometo que retornarei pra salvá-la minha princesa. 
__Sábia decisão__ o comandante abaixou a espada__ dê o aviso ao Rei Robert e nos veremos em breve príncipe.

Alex nada disse, subiu novamente em seu cavalo e lançou um ultimo olhar de pesar a princesa antes de ir embora, a amava e faria tudo que pudesse pra salvá-la. Retornaria em breve a sua procura, dessa vez com um exército e nem mesmo o cavaleiro das sombras poderia pará-lo. 
Quando Alex estava fora de vista e seguro, Demetria conseguiu relaxar, se encolhendo novamente no canto da gaiola e se abraçando pra esconder o corpo, finalmente lembrando de suas condições. Pelo menos sabia que ele estava vivo e que faria tudo que pudesse pra salvá-la, ainda não era seu fim, ela tinha uma chance de voltar pra casa. 
__Era com esse covarde que iria se casar?__ um dos soldados provocou.
__Eu ainda me casarei com ele__ rebateu zangada.
__Eu não contaria com isso princesa. 
__Chega de conversa fiada__ o comandante montou novamente seu cavalo negro__ já perdemos muito tempo, o Rei Klaus está a nossa espera. Espero não ter mais imprevistos no caminho. 
Demetria nada disse, não perderia as esperanças ainda, tudo ficaria bem.

Um Convite Irrecusável

O príncipe Alex desmontou de seu cavalo e entrou correndo no pequeno forte. Aqueles que tinham conseguido escapar do massacre em Severac tinham se escondido em um esconderijo enquanto pensavam no que fariam. O Rei Robert, alguns soldados e uns poucos moradores foi tudo que sobrou do grande Reino de Severac, mas eles pretendiam mudar isso em breve. 
Alex atravessou a porta até a sala onde o Rei estava reunido com seus homens de confiança.
__Alex, onde você esteve?__ o Rei questionou__ estão a sua procura há horas, pensei que tinha sido morto na invasão.
__Eu estava seguindo os soldados de Murdor, eles capturam sua filha senhor... Estão com Demetria.
__Ela esta viva?__ ele disse sério.
__Sim, a capturaram e estão levando-a a Murdor, eu os encontrei no caminho e me deixaram viver, disseram que o desafiam a ir salvá-la, é uma emboscada pra obrigá-lo a se entregar__ explicou.
__Klaus vai pagar muito caro por isso.
Alex respirou ainda tentando recuperar o fôlego.
__Senhor, o cavaleiro das sombras está com eles__ sussurrou.
__O que disse rapaz?__ um dos conselheiros o fitou com incredulidade.
__As histórias são verdadeiras, o cavaleiro das sombras é um soldado de Murdor, ele que estava liderando a invasão e agora está escoltando a princesa até Murdor. Eu quis enfrentá-lo, mas... Acabaria morto e precisava lhe avisar sobre sua filha. 
O Rei Robert já desconfiava a um tempo que as histórias eram verdadeiras, ele sabia que o cavaleiro das sombras era real, mas ainda tinha suas duvidas sobre ele ser um dos homens de Klaus, mas agora tinha toda certeza e isso dificultava as coisas. As histórias que contavam sobre aquele homem eram terríveis e agora sua filha estava nas mãos deles.
__Precisamos juntar os homens que restaram e ir salvá-la__ Alex disse__ ainda podemos impedir que a entreguem a Klaus.
__Não__ o Rei Robert negou__ ainda não.
__Vai deixar sua filha nas mãos daqueles homens?__ questionou indignado.
__Ninguém quer mais o bem estar de Demetria do que eu, mas nossa cidade acabou de ser massacrada, os homens de Murdor estão espalhados por todo lugar e não nos restou um grande exercito, não temos condições de atacar ninguém agora. Precisamos nos reagrupar, recuperar nossa cidade e só depois poderemos fazer alguma coisa por Demi. Se sairmos pra batalha agora seremos massacrados e ela ficará a mercê deles pra sempre.

__Mas não podemos deixá-la lá nenhum minuto... 
__Ela é uma Lovato__ o interrompeu com firmeza__ filha do Rei Robert e princesa de Severac, ela ficará bem, eu tenho certeza disso e vamos a sua busca quando estivermos prontos. Se sairmos daqui sem estarmos preparados, apenas com ódio no coração, seremos mortos e Klaus finalmente conseguirá o que tanto queria. 
__Senhor...
__Eles nos fizeram um convite garoto, um convite para a guerra. E não vamos recusar. Vamos vencer isso, mas vamos nos preparar primeiro, guarde sua raiva para o inimigo, tudo deve acontecer a seu tempo.
Alex não estava nada contente com aquela decisão, mas não podia desobedecer e sabia que o Rei tinha razão, eles não poderiam atacar um exercito tão poderoso assim, desprevenidos e desorganizados como estavam, eles precisavam se preparar. Só lhe doía ter que abandonar Demetria a sorte por esse tempo, esperava mesmo que ela ficasse bem e agüentasse firme até que ele fosse salvá-la. E ele a salvaria, nem que fosse a ultima coisa que faria na vida, a livraria das garras daquele homem. 

Fim do Capítulo

Querem maratona ????

Capitulo 2.



O Cavaleiro das Sombras.

Floresta Negra – Arredores de Winterfal
Enquanto era levada pelos soldados, aprisionada naquela carroça como um animal, Demetria tentava se manter acordada, tinha medo do que poderiam fazer a ela se fechasse os olhos, não podia se descuidar perto daqueles bárbaros. Estava dolorida por ficar confinada num espaço apertado por várias horas, mas tentava aproveitar o tempo pra pensar, talvez descobrir uma forma de fugir enquanto os homens estivessem distraídos. Com seus olhos atentos ela os observava discretamente, tentando descobrir algo que lhe ajudasse, qualquer coisa que lhe desse uma vantagem, ela não sabia lutar, nem era forte o suficiente pra tentar combater qualquer um daqueles homens, mas era concerteza muito mais inteligente que qualquer um deles, que só entendiam a linguagem da violência. 
Concentrada, ela analisava cada um deles com calma. Dois soldados cavalgavam bem atrás da carroça pra vigiá-la de perto, o primeiro deles, devia ter por volta dos quarenta anos, tinha pele morena, uma barba grossa e olhos negros como a noite. Demetria já o percebera olhando pra ela com malícia e desejo várias vezes, podia imaginar as barbaridades que lhe passavam pela cabeça e tinha náuseas só de pensar. O segundo soldado, era um gorducho baixinho, que quando sorria mostrava uma fileira de dentes podres e tinha um olhar psicótico que dava arrepios na espinha. E havia mais uns dez soldados divididos na linha de frente e um pouco mais atrás, sempre atentos a qualquer perigo em volta, não seria uma tarefa fácil fugir de todos eles.

E o principal, o comandante deles, que ia à frente em seu cavalo negro, com o capuz e a máscara escondendo o rosto. Ele não falava muito, só abria a boca ocasionalmente pra dar algumas ordens, e sua voz deixava Demetria nervosa, e ela percebera que os outros soldados compartilhavam da mesma aflição, todos eles pareciam ter medo do comandante e um respeito muito grande, mas até do que era normal, a princesa se perguntava o porquê de toda aquela tensão, duvidava que fosse apenas pelo olhar frio.
__O que está olhando?__ o soldado moreno perguntou__ gostou de alguma coisa? 
Demetria viu sua oportunidade de conhecer melhor o inimigo.
__Só estava me perguntando por que um soldado tão forte e corajoso como você aparenta ser, teria medo de alguém.
__Quem disse que tenho medo de alguém?__ ele questionou com seu ego ferido__ não tenho medo de nada.
__Bem, não é o que parece__ ela se fez de inocente__ então estou enganada e vocês soldados não tem medo de seu comandante? 
Os dois homens se entreolharam e riram entendendo o que ela estava querendo insinuar.
__Desculpe se os ofendo, só não entendo como um homem jovem como ele poderia intimidar alguém experiente como vocês.

Mesmo sem ver o rosto do comandante da tropa, apenas os olhos, era claramente visível que ele era bem mais jovem do que a maioria dos soldados de Murdor, não devia passar dos vinte e poucos anos. Como um soldado tão jovem poderia impor tanto medo e respeito em homens bárbaros como àqueles, ela não conseguia entender, não parecia ser fingimento. 
__Você não conhece o comandante garota__ o gorducho murmurou.
__Diga-me__ perguntou o moreno__ já ouviu falar do cavaleiro das sombras?
__Já ouvi muitas histórias__ ela respondeu sem entender o porquê da pergunta. Sua acompanhante costumava lhe falar sobre ele enquanto caminhavam pelos jardins do palácio Lovato, os pais contavam histórias sobre ele aos filhos pra assustar, Demetria sempre quis vê-lo, na verdade não acreditava que ele fosse real, mas as histórias eram instigantes. 
__E o que as histórias lhe diziam princesa?
__Dizem que ele é o melhor soldado que já existiu, rápido e feroz, os inimigos morrem e nem sabem quem os atacou, dizem que ele não tem pena e nem misericórdia de ninguém, ele mata sem pensar duas vezes__ ela sussurrou sentindo estranhos arrepios na espinha__ ouvi dizer que ele é bonito como um anjo.
__Bem, é o consenso geral das mulheres__ o moreno forte resmungou.

__Ninguém que o enfrenta sobrevive pra contar história__ finalizou o gorducho__ todos tem medo dele.
__E o que essas histórias tem haver com o assunto? 
__Não são apenas histórias garota, o cavaleiro das sombras realmente existe e é um soldado de Murdor, o braço direito do Rei Klaus. Concerteza já ouviu falar sobre as muitas vitórias de nosso reino, os lugares que conquistamos, como acha que chegamos tão longe? Temos ao nosso lado o melhor soldado que já existiu__ murmurou com profundo respeito__ ele é o nosso comandante.
Demi já tinha ouvido falar que o cavaleiro das sombras era um soldado de Murdor, mas tinha uma filosofia de vida que dizia que não acreditava em uma coisa se não pudesse ver com seus próprios olhos. Naquele momento ela olhou pra frente e fitou com atenção a figura no cavalo negro, coberto pela capa e pela máscara, os olhos frios como gelo e a postura superior que não parecia ter medo de nada, tinha uma aura obscura a sua volta, não precisava dizer nada pra que todos se calassem em sua presença. 
Então era verdade. Ela tremeu involuntariamente percebendo que sua situação era pior do que imaginava.
__Está com medo princesa?__ o homem riu__ devia mesmo, se não se comportar ele cortará sua garganta sem pensar duas vezes. 
__Eu não acho que ele seja o melhor soldado que já existiu__ o gorducho resmungou com despeito__ poderia acabar com ele se quisesse, mas o idiota tem a proteção do Rei e todos ficam com medo.

__É bom calar essa boca se não estiver a fim de perder a cabeça__ o outro o repreendeu__ você é um gorducho imprestável e não poderia com o nosso mestre mesmo que ele tivesse apenas uma das mãos. Devia ter mais respeito.
Era óbvio que com uma fama como a do cavaleiro das sombras muitos o invejavam e também tinham raiva. Incontáveis eram os soldados que já o tentaram derrubar e falharam, morrendo miseravelmente no processo. Muitos o recriminavam pelas costas com medo de enfrentá-lo cara a cara e se julgavam melhores que ele embora só quisessem chamar atenção, eles apenas falavam. 
__Ele não é jovem demais?__ ela murmurou. Achava que alguém com a fama dele seria bem mais velho.
__Dizem por ai que ele matou a primeira pessoa quando tinha apenas dez anos__ o soldado disse com orgulho. 
Demetria estava pronta para retrucar quando a caravana parou e ouviu a voz sombria do comandante. 
__Vamos parar pra descansar um pouco, seguimos viagem em uma hora__ ele disse__ Gordon, alimente a princesa.
__Sim senhor__ o soldado concordou.

Os soldados desceram de seus cavalos e se espalharam pela pequena clareira pra descansar da viagem. Um deles, o tal gordon, eram um rapaz jovem e parecia assustado enquanto se aproximava da carroça com um pedaço de pão e um pouco de água pra oferecer a princesa. Demetria respirou fundo, aquela era sua oportunidade de liberdade, não queria esperar pra saber o que lhe aconteceria ao chegar ao Reino de Murdor e não queria se arriscar na presença do Cavaleiro das Sombras. 
__Eu... Eu trouxe comida pra você__ ele gaguejou nervoso. 
__Obrigada__ ela sorriu de lado e se aproximou o máximo que pode da porta da gaiola.
__Saia da garoto__ outro soldado resmungou irritado e o empurrou pra longe pegando a comida das mão dele__ seu moleque medroso. Anda princesa, pega logo pois não temos o dia todo. 
Demi esticou o braço e pegou a comida através da grade, foi quando viu a chave da gaiola pendurada no pescoço do homem.
__Obrigada__ ela abriu seu melhor sorriso pra ele__ é um cavalheiro. Como posso agradecê-lo pela gentileza?

O homem sorriu com malícia e se aproximou ainda mais da gaiola. Aproveitando a distração Demetria arrancou o cordão do pescoço dele onde havia a chave e uma cruz penduradas, com rapidez ela enterrou a cruz na mão do homem com toda sua força e depois abriu à gaiola enquanto ele gritava de dor e saiu correndo. Os outros soldados estavam afastados e quando chegaram ela já tinha se embrenhado na mata, sumindo por entre as árvores. 
__PEGUEM AQUELA VADIA__ ouviu alguém gritar.
Houve confusão e ela podia ouvir o barulho dos cascos dos cavalos e dos homens a perseguindo. Não sabia pra onde estava indo, só que precisava desaparecer dali, precisava voltar pra casa e encontrar seu pai. A jovem tropeçou no caminho, sujando o vestido de terra e arranhando as mãos ao usá-las pra se apoiar, mas logo se levantou e voltou a correr, visualizou uma ponte mais a frente ligando os abismos e disparou em sua direção, mas que pudesse alcançá-la deu de cara com um cavalo negro bloqueando seu caminho, ele relinchou nervoso e Demetria recuou um passo assustada, não havia cavaleiro montado no animal. 
Demetria se virou pra correr em outra direção, mas quando o fez sentiu a ponta de uma espada em sua garganta e congelou.
__Indo a algum lugar princesa?__ seus olhos se arregalaram de pavor quando fitou a figura que segurava a espada. O comandante da tropa, o tal cavaleiro das sombras, ela não conseguia ver seu rosto, somente os olhos azuis brilhando através da escuridão, mas sentiu as pernas fraquejarem e teve vontade de gritar, o que não fez apenas porque qualquer movimento, por menor que fosse faria a espada deslizar e cortar sua garganta__ pensei que tivesse deixado claro o que acontece com quem desobedece ao Rei.
__Você não é o Rei__ ela sussurrou bem devagar, os olhos fixos no metal frio em seu pescoço.
Ele deu uma pequena risada__ você é corajosa princesa, mas isso de nada lhe serve. Só não corto sua garganta agora porque o Rei provavelmente vai querê-la viva, mas vou avisar que se tentar fugir outra vez nada me impede de quebrar alguma parte do seu corpo. Não gosto que me desafiem, muito menos que me atrapalhem. 
__Não tenho medo de você cavaleiro das sombras__ ela murmurou, mas era obviamente mentira, o pavor estava estampado em seus olhos castanhos e ao se lembrar das histórias que ouviu sobre ele, imaginou que realmente não seria nenhum sacrifício pra ele matá-la, por isso o mais prudente era se manter calada ao invés de desafiá-lo, mas não pode se conter__ já ouvi histórias sobre você e não me impressiona nem um pouco.

__Você não me conhece princesa__ ele abaixou a espada e a embainhou novamente__ não pense que sabe algo sobre mim só porque ouviu histórias por ai. Elas não contam nem metade do que sou capaz. 
Muito calmamente ele abaixou o capuz, revelando os cabelos negros ondulados e depois tirou a máscara, permitindo que Demetria finalmente visse seu rosto por completo. Não era mentira, ele realmente era lindo como um anjo, as histórias não faziam jus a sua beleza, Demetria não achava que já tivesse visto algum homem tão belo quanto ele e ao mesmo tempo tão cruel, seu olhar penetrante era assustador, era como se ele a fitasse e estivesse imaginando diferentes maneiras de lhe tomar a vida. 
Ele se aproximou dela lentamente e Demetria foi incapaz de mover um músculo, completamente hipnotizada. Ele lhe agarrou o braço e com a mão livre puxou as rédeas do cavalo a arrastando de volta a sua prisão. Demetria foi por todo caminho calada, tropeçando nos próprios pés sem conseguir acompanhar a velocidade dele e nem tentou lutar, sabia que não teria sucesso e não queria arriscar ver o cavaleiro das sombras cumprir sua ameaça.

O soldado que ela machucara, estava fazendo um curativo na mão e se levantou quando a viu, um ódio fervente nos olhos.
__Eu vou matar essa vadia__ ele avançou em sua direção mas parou quando o comandante se pos em seu caminho.
__Ninguém toca nela__ murmurou.
__Mas essa vadia me...
__O problema não é meu se não é capaz de se defender de uma mulher indefesa__ e empurrou Demetria sem muito cuidado de volta a carroça, trancando a porta e pendurando a chave no pescoço__ estão avisados, ninguém toca nela ou vão se arrepender. Apenas o Rei decidirá o que deve ser feito dela, agora todos a postos, vamos seguir nosso caminho. 
O homem lançou a Demetria um olhar assassino e ela sabia que aquele episódio não seria apagado, ela ainda se arrependeria por ter machucado aquele homem e o humilhado na frente dos companheiros. Estremeceu com o pensamento e se encolheu mais em sua gaiola, abraçando as próprias pernas e deixando que lágrimas lhe molhassem a face.


Sussurros da Meia Noite

A floresta negra não era um bom lugar para se estar à noite, mas mesmo avançando rapidamente a caravana foi obrigada a parar e montar acampamento na floresta quando anoiteceu. Os soldados fizeram uma fogueira e se ajeitaram em volta dela, bebendo e conversando, a carroça onde a princesa se encontrava estava um pouco mais afastada e um homem baixinho, porém feroz a vigiava com atenção. O cavaleiro das sombras tinha deixado bem claro o que aconteceria se deixassem à princesa escapar novamente e ninguém estava disposto a correr o risco. 
Por volta da meia noite os solados caíram em sono profundo, cansados pela batalha em Severac e pela longa viagem. O vigia baixinho também estava morrendo de sono, mas fazia o possível pra se manter acordado, a troca de guarda seria dali em poucos minutos. Demetria não conseguia dormir, ficava olhando para as sombras assustada, com medo de que algo surgisse para atacá-la, tinha ouvido rumores nada agradáveis sobre aquela floresta. Mas a única figura que enxergava no escuro era o tal cavaleiro das sombras, ele era único totalmente alerta, e mesmo estando bastante distante da carroça, Demetria podia vê-lo observando o horizonte com atenção.

Demetria se encolheu com o frio, não tinham lhe dado mais comida como castigo por sua tentativa de fuga e ela estava fraca e faminta e tremendo de frio, coberta apenas pelo tecido frágil do vestido, agora todo sujo e um pouco rasgado pela queda que sofreu. Embora todos estivessem calados, ela pensava ouvir sussurros vindo do meio das árvores, barulhos perturbadores que lhe arrepiavam os cabelos. Diziam às histórias que eram os sussurros das pessoas que morreram naquela floresta, os espíritos que não seguiram em frente e durante a noite se lamentavam por sua infelicidade. 
__Tem medo de fantasmas princesa?__ Demetria deu um pulo quando ouviu a voz tão próxima. Olhou em volta assustada e viu que o guarda baixinho que a vigiava tinha sumido e em seu lugar, assumindo o posto de guarda, se achava o soldado que ela golpeara mais cedo. Sua mão estava enfaixada, e dava pra ver o sangue que manchava a atadura, ela engoliu em seco. 
__O que você quer?__ ela perguntou nervosa, se encolhendo o mais longe possível dele.

__Temos um assunto pendente__ ele se aproximou da porta e começou a destrancá-la, Demetria não fazia ideia de onde ele teria arrumado a chave, mas seu coração disparou no peito, ela olhou na direção onde vira o comandante antes, mas ele não estava mais a vista, se o brutamonte fizesse algo com ela ninguém poderia impedir__ graças a você fui humilhado na frente de meus companheiros e minha mão está machucada, minha mão de empunhar a espada... Vai ter que pagar por isso de algum jeito.
__Eu sinto muito, não era minha intenção machucá-lo__ ela tentou melhorar a situação.
__Tarde demais pra se lamentar.
Ele abriu a porta e se inclinou pra dentro pra puxá-la, Demetria tentou se esquivar, mas ele era forte demais e o espaço apertado, não havia pra onde fugir. Ele a agarrou pelos cabelos e a arrastou pra fora da carroça. A princesa abriu a boca pra gritar, mas ele a tampou com a mão livre__ não que gritar fosse ajudar em alguma coisa, duvidava que alguém ali fosse correr em seu socorro. 
O homem a largou de qualquer jeito no chão e sentou-se sobre ela com um sorriso diabólico no rosto, amarrou um pano sujo em sua boca pra que ela não gritasse e atou as mãos juntas, depois a segurou com firmeza em baixo de seu corpo, não importava o quanto se debatesse, não podia se soltar.

__O comandante me proibiu de te matar ou machucar, mas não quer dizer que você não possa me compensar pela dor que causou mais cedo__ ele falava em sussurros, provavelmente pra que os outros não acordassem__ vamos ver o que você esconde embaixo desse vestido de seda, princesa.
Ele passou os lábios rudemente pelo pescoço dela, lambendo a pele com desejo, Demetria gemeu enojada e tentou empurrá-lo, mas era em vão, sentiu a mão dele adentrar seu vestido sem nenhum cuidado e acariciá-la entre as pernas. A jovem sem se dar por vencida se debateu com mais força e acertou-lhe um chute na costela, mas não foi de grande efeito, só fez o brutamonte ficar mais zangado e excitado com a situação. Não era a primeira princesa que estuprava e tinha prazer em ver o medo nos olhos delas. 
Rasgou-lhe a parte de cima do vestido com um único movimento, deixando a mostra os seios fartos. Obrigou-a a abrir as pernas pra que se acomodasse melhor em cima dela e com a mão boa segurou-lhe um dos seios, acariciando com luxúria. Demetria chorou de desespero enquanto ele lhe beijava o corpo e fez de tudo que podia pra tentar pará-lo, mas o homem era forte demais.
Pelo canto dos olhos percebeu que mais três soldados haviam acordado e agora se juntaram pra assistir aquele ato desprezível, provavelmente esperando para serem os próximos a se divertir. A princesa já começava a perder as esperanças, estava praticamente nua quando de repente o homem gemeu e arregalou os olhos formando no rosto uma expressão de pura agonia. Ele cuspiu um pouco de sangue sobre a pele alva da mulher e um instante depois seu corpo caiu sem vida sobre o dela. 
O cavaleiro das sombras puxou novamente sua espada, que usara pra apunhalar o covarde pelas costas e usou um pedaço da capa pra limpar o sangue da lâmina brilhante enquanto chutava o corpo inerte do soldado para o lado, para que saísse de cima da princesa, os outros soldados olhavam tudo assustados enquanto Demetria só conseguia chorar.
__Pensei que tinha deixado bem claro que ninguém deveria tocar na princesa__ ele sussurrou embainhando novamente a espada e se agachou pra desamarrar os punhos e a boca da jovem__ eu disse que o Rei deveria decidir o que seria feito dela. Ela é filha do Rei de Severac, um trunfo, não uma prostituta que serve pra vocês de divertirem. O próximo que tocar nela sem a minha permissão vai ter um destino muito pior do que uma espada enterrada nas costas, ficou claro?
__Sim senhor__ os três concordaram nervosos.
__Ótimo, se livrem do corpo desse covarde e sumam da minha vista antes que eu perca a paciência.
__Sim senhor. 
Os três homens arrastaram o corpo do soldado pra longe e sumiram de vista. O comandante agarrou Demetria pelos braços que ainda chorava convulsivamente, e a obrigou a ficar de pé. Ela pos a mão sobre os seios defensivamente, se escondendo, o vestido estava caído, cobrindo apenas da cintura pra baixo. 
__Pare de chorar__ ele ordenou__ o homem já está morto. 
__Po-Porque estão fa-fazendo isso co-comigo?__ ela gaguejou, sufocando com as lágrimas__ eu não fiz nada pra nenhum de vocês, me deixe ir embora, por favor, eu só quero ir pra casa.
__Isto é uma guerra princesa, sinto muito mas ir pra casa não é uma opção, o Rei Klaus decidirá seu destino. 
E sem demonstrar nenhuma emoção ele a trancou novamente dentro da carroça. 

Fim do Capítulo


Que bom que estao gostando gente *---*

Capitulo 1


A Invasão.

Reino de Severac - Palácio da família Lovato
A jovem princesa olhava angustiada pela janela de seu quarto. Daquele ponto ela podia ver todo o palácio, e tinha uma visão privilegiada da batalha que ocorria lá em baixo. Havia fogo, confusão, pessoas gritando e homens pulando muros, chegando cada vez mais perto. Não era a primeira batalha ao qual ela assistia, Severac, o Reino de seu pai já havia sido atacado muitas outras vezes, mais aquela era de longe a mais sangrenta de todas as batalhas e estava claro que não acabaria bem. Ela gostaria de poder ajudar, fazer algo pra impedir aquele massacre, mais sua única opção era assistir e esperar que terminasse logo.
Ela estava perdida em pensamentos quando ouviu passos se aproximando e então alguém tentando abrir a porta. Assustada ela pegou o primeiro objeto que viu sobre a mesa e o segurou com força, pronta pra atacar quem quer que fosse se tentasse lhe fazer mal. Mais quando a porta se abriu o alivio foi imediato, era apenas Henrie, um criado do palácio, soldado de confiança de seu pai.
__Graças a Deus__ ela suspirou aliviada largando o objeto e indo até ele__ Henrie, onde esta o meu pai?
__Temos que ir princesa__ o rapaz disse sem se dar ao trabalho de responder.
__Ir a onde Henrie? O que esta havendo? Onde esta meu pai?__ ela insistiu preocupada.
__Ele esta lutando princesa, defendendo seu Reino junto com os outros__ o jovem explicou__ ele me mandou aqui pra que a levasse pra um lugar seguro, temos que ir depressa, já invadiram o palácio, não demorarão a chegar aqui. Precisa vir comigo.
Henrie lhe estendeu a mão e sem pensar duas vezes Demetria a segurou, então ele começou a guiá-la pra fora dali. O Rei de Severac só tinha lhe dado uma ordem, proteger a princesa com sua vida e era o que Henrie faria, ele sabia que não havia muitas chances de vencerem aquela batalha, mais o Rei nunca desistiria, ele lutaria até o fim, como o homem honrado que era. 
Os dois correram pelos corredores do palácio, havia uma passagem secreta por onde Henrie levaria Demetria até um lugar seguro, só precisava encontrar o lugar certo. Demetria parou um instante, tirando os sapatos pra poder correr melhor, então continuaram, mas ao virar no corredor eles foram barrados por três homens.
__Henrie__ Demetria sussurrou assustada, enquanto os homens se aproximavam com suas espadas.
__Tudo bem princesa, eu lhe protegerei__ ele prometeu__ fique atrás de mim. 
Demetria deu alguns passos pra trás, e Henrie avançou pra cima dos três homens... Ele era um ótimo espadachim, o melhor segundo seu pai, mais os soldados de Murdor também eram e estavam em maior número. Ele derrubou o primeiro homem com um golpe certeiro no peito e o segundo com um corte na garganta que o fez sangrar até a morte. O terceiro homem lhe acertou um soco no rosto e lhe fez um corte na perna antes que Henrie enterrasse a espada em seu coração.
__Henrie, você esta bem?__ Demetria perguntou preocupada.
__Temos que continuar correndo princesa__ ele disse ignorando a pergunta__ não temos tempo pra... 
Ele parou de falar de repente, os olhos arregalados e uma expressão de dor preenchendo seu semblante... Demetria o olhou confusa, só entendeu o que havia acontecido quando Henrie despencou no chão sem vida, revelando bem atrás dele mais um cavaleiro, que o acertara por trás enquanto estava distraído... Demetria gritou horrorizada enquanto andava pra trás, se afastando dele.
__Venha cá princesa__ o homem disse sorrindo pra ela, a espada suja de sangue brilhando__ vamos conversar. 
__Fique longe de mim__ ela ordenou.
Demetria se virou, dando as costas ao homem e começou a correr da mesma direção de onde viera antes, ela sabia onde ficava a passagem secreta e se conseguisse chegar até lá estaria segura, mais quando virou novamente no corredor esbarrou em outro homem e caiu sentada no chão. Era tarde pra correr, eles haviam invadido o palácio, estavam por todos os lados e eram muitos, ela era só uma mulher e não podia com eles. 
__Indo a algum lugar princesa?__ o homem que matara Henrie perguntou sorrindo. 
__Se afastem de mim__ ela gritou desesperada, se arrastando no chão, mais não tinha pra onde correr, estava cercada.
__O que fazemos com ela?__ o outro homem perguntou, seus olhos a analisando.
__Vamos levá-la ao nosso senhor, ele vai saber o que fazer__ respondeu com um sorriso que fez Demi ter calafrios. 
Ela tentou fugir, mais os dois homens a seguraram cada um por um braço e começaram a arrastá-la. Demetria gritou, chorou desesperada, mais era em vão. Ela reconhecia o caminho por onde os homens a estavam levando, e teve ainda mais certeza quando eles pararam diante das enormes portas douradas que selavam a sala do trono de seu pai.
Havia dois homens de guarda na porta, mais não eram soldados de Severac ela sabia... As roupas escuras e os rostos sombrios eram obviamente de soldados de Murdor, eles tinham tomado até mesmo a sala de seu pai. Ela se perguntou onde ele estaria agora, só esperava que estivesse seguro. Os guardas abriram à porta e os dois homens continuaram a arrastando pra dentro do salão. Quando estavam lá dentro a soltaram de qualquer jeito no chão, fazendo-a cair ajoelhada atrás de um homem que estava em pé de frente pro trono de seu pai. 
__Senhor__ um dos guardas chamou.
O homem se virou, mais Demetria não pode ver quem era, ele usava uma enorme capa preta que cobria suas roupas e estava com um capuz cobrindo seu rosto. Mais uma vez aqueles calafrios... Ela não sabia quem ele era, mais se tivesse que chutar diria que vestido daquele jeito parecia à própria morte. 
__O que é isso?__ ele perguntou, a voz fria como gelo.
__Demetria__ um dos guardas disse, o tom de deboche que usara quando falara com ela tinha sumido, agora só havia respeito e talvez... Medo__ a princesa de Severac senhor, a encontramos no corredor, estava tentando fugir.

Ele ergueu a mão e abaixou o capuz que cobria seu rosto, mais mesmo assim não era possível saber quem ele era... Tinha um pano amarrado em volta do rosto como uma máscara, cobrindo o nariz e a boca, como bandidos usavam. Só era possível dizer que tinha a pele morena, os cabelos eram negros como a noite e os olhos azuis como o céu... Tão azuis que era possível se perder se olhasse por muito tempo, mais Demetria desviou os olhos incomodada, ela não gostara do que vira ali... Apenas frieza e amargura. 
__O que fazemos com ela senhor?__ perguntou.
__Levantem-na__ ele ordenou. 
Os dois guardas agarraram Demetria pelos braços e a puseram de pé num único movimento... Ela se encolheu quando o homem do capuz chegou mais perto, a analisando dos pés a cabeça. Desde os cabelos negros, que lhe caiam pelos ombros soltos, com algumas tranças, até o longo vestido azul, as jóias que usava e parou em seus olhos... Lindos olhos castanhos, vermelhos pelas lágrimas e assustados, temendo o futuro.
__Nosso Rei vai gostar de conhecê-la__ ele sussurrou__ vamos levá-la conosco e deixar que ele decida o que deve ser feito dela. 
__Sim senhor__ eles concordaram.
__Não__ ela protestou tentando se soltar das mãos deles__ me larguem... O que fizeram com meu pai? Onde ele esta?
__Façam-na calar a boca__ ordenou irritado e lhe deu as costas__ onde ele esta?
Fez-se um silencio desconfortável enquanto os homens se entreolhavam nervosos, todos parecendo assustados.
__Eu fiz uma pergunta__ repetiu lentamente como se falasse com crianças__ onde ele esta? 
__Tivemos um pequeno problema senhor__ um dos homens respondeu, claramente desconfortável__ ele conseguiu fugir.
__Como assim conseguiu fugir?__ questionou irritado__ ele estava preso, eu mesmo me certifiquei disso... Deixei você vigiando ele, como aquele velho conseguiu fugir? 
__Ele enganou a mim e a meus homens... Não consegui segurá-lo a tempo senhor, sinto muito.
__O Rei Klaus ordenou que não o matássemos, ele disse que queria ver o Rei de Severac, queria que o levássemos até ele... O que devo dizer agora? Que um de meus homens o deixou escapar porque é um incompetente? 
__Senhor, eu sinto muito__ ele gaguejou nervoso__ foi um acidente e...
__CALE A BOCA__ gritou exaltado erguendo a espada e apontando pro pescoço do rapaz que estremeceu.
Demetria que assistia a tudo entendeu que eles falavam de seu pai... O tinham capturado, mais ele fugira, será que estava bem?
__O que fizeram ao meu pai?__ ela voltou a perguntar__ e minha mãe... Porque estão fazendo isso?
__Pensei que tivesse mandado você calar a boca dela__ murmurou zangado.
Os dois homens seguraram Demetria com mais força e um deles tapou sua boca pra que ela parasse de falar. 
__Você vai sair da minha frente agora e vai procurar aquele velho em todo lugar__ ordenou irritado__ e é bom que você o encontre ou não vai gostar do que vou fazer com você... Só volte aqui quando tiver o encontrado, e você tem até o amanhecer.
O homem concordou com um breve aceno de cabeça, os olhos fixos no chão. 
__O que esta esperando? Vá logo__ gritou e só então ele e seus homens saíram do salão. 
Ele se virou novamente e viu que seus homens ainda estavam ali segurando Demetria.
__Tirem essa mulher da minha frente__ ele ordenou__ prendam-na em algum lugar até a hora de irmos e é bom que não a deixem fugir também ou vão se arrepender profundamente... Vão, andem logo com isso. 
Sem dizer uma palavra os guardas arrastaram Demetria pra fora do salão e a prenderam em um dos quartos pra esperar que seu senhor mandasse buscá-la. Demetria se sentou no chão e começou a chorar, estava com medo do que fariam com ela, com medo de que tivessem ferido seus pais. A imagem de Henrie sendo morto invadiu sua mente e ela teve medo que fosse esse o seu destino e de sua família... Era o fim do Reino de Severac, e ela não podia fazer nada pra impedir.
Aprisionada
As horas pareceram se arrastar enquanto Demetria esperava pelo amanhecer. Trancada naquele quarto ela ainda podia ouvir os sons da batalha lá fora, os gritos e todo o povo de Severac sendo subjugado, seu Reino estava acabado, seu pai desaparecido, só esperava que ele tivesse conseguido mesmo fugir e que não o encontrassem, pelo menos ele estaria seguro. 
A princesa já estava se deixando levar pelo sono quando dois guardas entraram no quarto e sem dizer uma palavra a arrastaram pra fora. Ela chegou a pensar que a levariam de volta a sala do trono, mas ao invés disso a carregaram pra fora do castelo, sem muitos cuidados, o povo de Murdor era formado por bárbaros e assassinos, nenhum dele tinha educação ou um pingo de classe. Quando chegaram do lado de fora Demetria pode avaliar mais de perto a extensão dos estragos. Casas estavam destruídas, outras pegavam fogo, havia corpos de soldados e também de inocentes espalhados pelo chão, até mesmo crianças, aqueles porcos matavam qualquer coisa que se opusessem a eles, Demetria teve vontade de vomitar ao avistar tanto sangue mas se recusou a demonstrar sua fraqueza.

__Coloquem ela na carroça__ aquele homem estranho que mantinha o rosto coberto e parecia ser o comandante dos soldados ordenou e observou sem emoção naqueles olhos azuis enquanto arrastavam a princesa até uma carroça, onde haviam montado uma espécie de gaiola e a trancaram lá dentro__ talvez levá-la como brinde ao nosso Rei o impeça de matar todos vocês imprestáveis por terem deixado o velho comandante desse lugar fugir. Torçam pra que ele esteja de bom humor.
Apesar da situação Demetria sorriu ao ouvir que não tinha conseguido capturar seu pai.
__Meu pai vai caçar e matar cada um de vocês bárbaros__ ela murmurou enojada__ se tem amor a suas vidas, deveriam me soltar e fugir, pois ele virá atrás de vocês e não os perdoará se me matarem.
Os soldados riram das palavras da moça.
__Oh princesa, estamos mesmo contando com o fato de que seu pai virá atrás de você__ um dos soldados disse__ e ai quando ele aparecer, nós faremos o mesmo que fizemos com todo o resto desse seu povo esnobe, vamos arrancar a cabeça dele.
__Nunca vão conseguir matá-lo, ele virá me salvar.
__Chega dessa discussão inútil__ o comandante ordenou__ preparem os soldados pra partir e deixe o resto dos homens de guarda na cidade até segundas ordens, se alguém dessa cidade tentar fugir ou lutar, mate__ e então se virou pra Demetria__ e você princesa, fique bem quietinha e obedeça, pois é isso que acontece a quem desobedece ou desafia o Rei de Murdor.

Ela olhou pra onde ele apontava e conteve o pavor ao ver o corpo de um soldado pendurado na forca já sem vida, ela notara que era um dos soldados de Murdor, o mesmo que anunciara o sumiço de seu pai mais cedo. Lembrou-se das palavras daquele homem cruel mais cedo, e de como prometera punir o soldado se ele não trouxesse o Rei de volta. Se eles faziam isso com os próprios homens, o que não fariam com alguém como ela? 
__O aviso está dado__ ele murmurou e então lhe deu as costas, montando em seu cavalo negro e assumindo a dianteira do grupo, gritando ordens para seus homens. 
Quando a carroça começou a se mover e se afastar da cidade os olhos da princesa se encheram de lágrimas. O que seria feito dela agora? Estaria condenada a morte ou a algo pior? Será que seu pai estava mesmo vivo e apareceria para salvá-la? E seu noivo Alex, o que teria acontecido com ele na confusão? Eram tantas perguntas e ela estava tão assustada, mas não havia nada que pudesse fazer a não ser esperar e rezar pra que tudo se resolvesse, sua família não a abandonaria, eles apareceriam para socorrê-la e ela ficaria bem, pelo menos era nisso que queria acreditar. 

Fim do Capítulo

Prólogo de Knight of Shadows *---*

Disse que so postaria na segunda que vem , mas como voces quirem essa e ja falaram la no poste entao decidi logo começar a postar


Prólogo
Todos já ouviram falar dele ao menos uma vez. Poucos são os que o enfrentaram e sobreviveram pra contar história. Alguns dizem que ele é lindo como um anjo, outros que montado em seu cavalo negro parece o diabo em pessoa, sempre com o rosto coberto pelo capuz, sempre escondido nas sombras, perdido na escuridão. Porém todos concordam em uma coisa, ele é cruel e impiedoso com seus inimigos... Ele não sente pena, ele não tem misericórdia, é o soldado perfeito. 
Quando ele fala todos se calam pra ouvir. Quando ele passa todos se escondem. 
Ele é o cavaleiro das sombras.


Baby's


Bom vocês decidiram que querem as histórias da DIVA Cacau aqui de novo , entao eu posto sem problema algum so que como a Rebecca Gomes disse que ja esta lendo Aprendendo a Respirar ( que é a atual historia qe a Cacau esta escrevendo) nao sei mais qual que eu irei postar entao peguei 2 prologos e voces decidem 



PRÓLOGOS




Knight of Shadows

Severac e Murdor… Dois Reinos inimigos lutando pelo poder. 
No meio desta guerra está Joseph, o mais bravo, forte e temido cavaleiro de Murdor, enviado para derrotar o Reino inimigo e Demetria, a jovem princesa de Severac, que fora seqüestrada durante a batalha e é levada pelos soldados como um troféu por sua vitória. O destino dela está traçado, servir ao Reino inimigo ou morrer... E a vida dela está nas mãos de Joseph, com um passado misterioso e uma fama não muito boa por onde passa... O temido cavaleiro das sombras. 




Aprendendo a Respirar
Quando você sofre uma grande desilusão, quando a coisa mais importante que você tem na vida é tirada de você, o mundo de repente para de fazer sentido, é como se ele parasse de girar e você não consegue mais respirar, você sabe que precisa, mas não consegue se lembrar como. E quando você tenta, é como se tudo dentro de você queimasse, uma dor inexplicável que faz você querer desistir, faz você pensar... “Eu não quero mais viver assim”. Mas você também não pode desistir, você precisa se manter forte porque tem pessoas que contam com você, que precisam de você, e então você faz de tudo pra se manter forte e parecer bem, mesmo quando está completamente morto por dentro.
Depois de um tempo você se acostuma a fingir que está bem, vai ficando mais fácil, e você vai sobrevivendo (não vivendo de verdade, apenas sobrevivendo) um dia de cada vez, esperando pelo momento em que aquela dor vai passar, esperando pelo dia em que você vai novamente Aprender a Respirar.

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BOM AMORES DE HISTORIAS NOVAS SO TEM ESSAS 2 TALVEZ ALGUEM QE SEGUE AQUI JA LEU AS DUAS HISTORIAS POR TER MAIS GENTE AGORA POSTANDO AS HISTORIAS DA CACAU , MAS AI SAO VOCES QUE DECIDEM QUAL VAO QUERER COLOQUEI APRENDENDO A RESPIRAR AQUI PORQUE PODE TER GENTE QUE AINDA NAO LEU E QUE SE INTERESSE E QUEIRA QE SEJA ESSA ENTAO ESTA NAS MAOS DE VOCES , COMO SAO VOCES QE VAO LEVER VOCES QUE DECIDEM QUAL QUEREM , SO QUERO QUE DEPOIS QUE EU COMEÇAR A POSTAR AQUI VOCES COMENTEM .... ENTAO VOU ESPERAR A RESPOSTAS DE VOCES ATE DOMINGO OK? PRA QUE NA SEGUNDA EU JA COMECE A POSTAR .....


BEIJOS AMORES S2