Capitulo 20.


Túnel Sem Fim.

Reino de Severac
Joseph seguiu na frente pelo túnel estreito e escuro, ouvindo as vozes pasmas e assustadas dos homens logo atrás que não entendiam como ele não se incomodava com toda aquela escuridão. Mas ele ignorou a todos e se concentrou no caminho. O túnel realmente parecia não ter fim e impossivelmente parecia se estreitar ainda mais conforme avançavam.
__Esse túnel não tem fim__ um dos homens murmurou__ vamos morrer aqui dentro.
__Cale a boca__ Joseph ordenou.
__Está muito calor__ outro reclamou__ acho que estou sufocando.
__Eu mandei calar a boca__ Joseph repetiu zangado. 
Parou de caminhar e se virou para tomar a tocha das mãos de um dos homens. 
__Algum problema comandante?
__Tem alguma coisa errada nesse lugar__ ele sussurrou. 
__Eu não entendo...
__Já passamos por aqui__ Joseph disse__ estamos andando em círculos, aquelas malditas bifurcações não levam a lugares diferentes, mas sim ao mesmo maldito lugar.
__Eu não...
__Todos vocês, de volta ao salão agora.
__Mas comandante...
__Eu disse agora__ ele ordenou aumentando o tom de voz.
Os homens não tiveram alternativa a não ser voltar, mas Joseph ficou onde estava e assim que se viu livre dos homens prosseguiu pelo túnel, apressando o passo. Não tinha necessariamente mentido, nem falado a verdade... Era uma meia verdade. Os homens que passaram por ali estavam realmente andando em círculos, confusos, pois havia uma bifurcação no túnel a cada setecentos metros e a escolha errada os fazia voltar ao mesmo lugar de onde vieram e era um exercício sem fim. Mas Joseph era esperto demais para cair nessa brincadeira e percebera o padrão. 
Uma das passagens o levava ao lugar de onde viera e a outra o fazia seguir em frente. Havia uma pequena marcação na passagem correta para que pudessem se guiar, mas a escuridão e o medo cegavam e impedia que os homens descobrissem algo que era tão simples. Então por um tempo incontável naquela escuridão sufocante, Joseph seguiu pelo túnel, de passagem em passagem até visualizar uma porta. 
Seu coração parou um instante quando viu o que havia do outro lado.

Quebra Cabeça
Quando Joseph emergiu de dentro do Túnel, Hugo estava a sua espera na porta, com aquele sorriso irritante no rosto.
__Comandante, que bom que apareceu, estávamos ficando preocupados, achamos que tinha se perdido lá em baixo, já ia mandar um grupo de busca para resgatá-lo.
__Agradeço a preocupação, mas estou perfeitamente bem.
__Você sumiu por horas.
__O que posso dizer? Eu gosto de ficar no escuro__ deu de ombros. 
__Encontrou alguma coisa lá em baixo?__ Hugo quis saber.
__Não__ mentiu com um sorriso__ aquele lugar é um labirinto, um truque estúpido para fazer homens idiotas e medrosos andarem em círculos por dias e não chegarem a lugar algum. É uma perda de tempo Hugo.
__Que bom que Klaus o enviou aqui para evitar tamanha perda de tempo__ o homem disse sorrindo e Joseph não gostou nada do gesto, era sinistro demais para o seu gosto, aquele homem era... Estranho.
__É realmente uma sorte__ Joseph saiu da despensa e quando olhou pela janela para a noite lá fora percebeu que realmente tinha passado muitas horas debaixo daquele túnel, e só agora percebia o quanto estava cansado, sujo e com fome__ vou descansar um pouco e partirei de volta a Murdor de manhã, tenho outros assuntos do Rei para tratar.
__Como quiser comandante. 
Hugo ficou observando enquanto Joseph se retirava e o comandante deu graças a Deus a se ver livre daquele homem. Escolheu um quarto qualquer no Palácio e tomou um banho para se livrar da sujeira, passou a pasta curativa no machucado do ombro que estava quase totalmente recuperado e comeu, não percebendo até aquele momento a extensão da sua fome. Depois deitou-se na cama para tentar dormir um pouco, mas sabia que não conseguiria, estava ansioso demais.
Talvez Demetria o ajudasse se estivesse ali também, mas àquela hora devia estar nos aposentos de Klaus o servindo e o pensamento não lhe trouxe nenhum conforto, só o deixou ainda mais inquieto e irritado. Tentou pensar no que encontraria pela manhã quando fosse a Harenwall, será que depois de dezoito anos finalmente veria a mãe e a irmã? Será que poria um fim em toda aquela confusão? Esperava que sim. Toda aquela guerra era um enorme quebra cabeça para se montar, e as peças estavam começando a se encaixar bem lentamente. 
Joseph tentou não pensar no que tinha visto dentro daquele túnel. Seu dever era relatar aquilo ao Rei Klaus e provavelmente à guerra chegaria ao fim. Mas... Se contasse... Não sabia mais o que era certo e errado. Na verdade todos os caminhos a sua frente pareciam errados. 
Fechou os olhos com força e respirou fundo... Tinha que se focar na única coisa que era realmente importante e certa em sua vida.

Harenwall
Assim que o dia amanheceu, Joseph partiu de Severac, deixando seus homens por lá por mais alguns dias e levando consigo apenas uma bolsa com uma pequena quantidade de ouro tirada da sala do Tesouro, para poder entregar ao Rei Klaus. Mas antes de partir para Murdor, ele tinha outro lugar a visitar... Harenwall. De Severac até Harenwall, era menos de um dia de viagem e Joseph chegou nos portões ao entardecer, mas não podia entrar na cidade e arriscar ser visto. De onde observava, contou pelo menos dez guardas nos portões e nos muros, imaginou quantos mais haveria lá dentro. 
__Hey garoto__ ainda em cima de seu cavalo negro, ele chamou por um menino que passava pela estrada e caminhava em direção a cidade. O garoto o olhou com receio, um homem vestido de negro, usando capuz em cima de um cavalo negro não era lá muito confiável, mas ele se aproximou mesmo assim.
__O que foi?
__Você mora nessa cidade?__ ele apontou.
__Sim senhor, moro aqui__ ele concordou.

__Quer ganhar algumas moedas?__ Joseph perguntou abaixando o capuz e mostrando ao menino três moedas de prata.
__O que tenho que fazer?__ os olhos do menino brilharam.
__Quero que entre lá e conte pra mim quantos guardas tem na cidade__ ele pediu. Já estivera em Harenwall antes e sabia que era uma cidade muito pequena, o menino não ia demorar para dar uma volta completa e lhe dizer quantos guardas haviam__ e quero que me diga em que lugar cada um deles está e que tipo de armamento usam.
Tinha o mapa da cidade na cabeça, se lembrava de cada cantinho da ultima vez que estivera ali e vagar por lá não seria problema, mas precisava saber o que o esperava do outro lado. 
__Acha que pode fazer isso?__ ele perguntou.
__Sim senhor__ o menino concordou.
__Tudo bem, te dou essas três moedas agora, e mais duas quando voltar se fizer o trabalho direito e não deixe que ninguém perceba o que está fazendo.

Jogou as três moedas para o menino e quando ele entrou correndo na cidade, cobriu novamente o rosto com o capuz e foi esperar com o cavalo na sombra, para sair da passagem e que para ninguém ficasse reparando nele. Desceu da montaria para que o cavalo descansasse um pouco, se escorou em uma árvore e esperou pelo menino, com os pensamentos bem longe. Imaginou como estariam as coisas em Murdor nesses dias que estava fora e não pode deixar de pensar como seria se realmente conseguisse tirar sua família daquela cidade. Pra onde iriam? O que fariam? Nunca tinha chegado a considerar essa parte, mas agora que estava tão perto de conseguir as perguntas iam se embaralhando em sua cabeça, lhe deixando confuso. 
Não muito tempo depois, o menino voltou correndo e veio lhe encontrar sob a sombra da árvore.
__Então, fez o que te pedi?
__Sim__ o menino concordou__ Tem dois guardas no portão de entrada, mais vinte deles espalhados em cima dos muros da cidade, e outros dezoito espalhados pelas ruas, em frente ao comércio, como as forjas, a padaria, e os bares. E tem mais uns seis protegendo uma casa antiga bem lá no fim da cidade, ninguém sabe o que tem lá dentro, eles não deixam ninguém ver.

__Uma casa antiga?
__É sim, de madeira escura e bem velha e fica fechada o tempo todo.
__E as armas que os guardas estão usando?
__Estão todos de armadura, espada, alguns tem lanças e facas também. 
__E como são esses homens?__ Joseph perguntou__ altos? Baixos? Fortes?
__São todos bem altos e fortes__ o menino disse__ porque quer saber tudo isso?
__Não importa__ ele pegou mais duas medas e pos na mão do menino__ você nunca me viu está entendendo? Não conte nada disso que te perguntei a ninguém.
__Tudo bem__ o menino concordou. 
Joseph montou novamente em seu cavalo, e olhou na direção da cidade. Nunca tiraria sua família dali sem ajuda.
__Vá pra casa__ ordenou ao menino.
O garoto o fitou por mais um minuto e depois voltou pra dentro da cidade correndo. Joseph suspirou e então se virou e saiu dali a galope, correndo de volta para Murdor. 

Fim do Capítulo

Amores esse final de semana não sei se rola maratona pois irei sair .. mas hoje posto 3 capítulos para vocês e amanha vejo se posto mais 2 so pra nao deixar voces na mão ok??


Capitulo 19.


Rápido Demais.

Reino de Murdor
Joseph fizera como ordenado e juntara seus cinquenta melhores homens e seguira com eles para a sala do Trono. Estava curioso sobre o conteúdo daquele carta que mudara tão rapidamente o humor do Rei e essa missão em que seriam enviados. 
__Você e seus homens seguirão para Severac ainda hoje__ Klaus dissera.
__O que devemos fazer lá Alteza?
__Temos novidades que vão nos ajudar muito nesta guerra__ Klaus sorriu, nem parecia o mesmo homem que gritava coisas obscenas naquela mesma manhã__ não darei detalhes agora, por pura precaução. Mas o meu homem de confiança, Hugo, que controla tudo naquela cidade, irá lhes explicar o que está acontecendo e a tarefa de vocês.
__Alteza...
__Não discuta Joseph, sei que está curioso, mas faça o que eu digo__ Klaus o interrompeu__ quero que se preparem e marchem para Severac antes do cair da noite. E me mantenha informado sobre tudo que acontecer. Vamos ganhar essa maldita guerra meus caros e juro que ainda vou pendurar a cabeça daquele gorducho do Robert no muro do meu Reino.

Ele não quis dizer nada e Joseph não estava com paciência alguma para discutir. Mandou que os homens preparassem tudo que precisariam para partir e foi se aprontar. Vestiu sua roupa de batalha, que diferente das dos outros homens era completamente negra, colocou a espada na bainha, esperando sinceramente que não estivesse indo praquela cidade para lutar, pôs o capuz e foi em direção ao La Luna resolver um assunto antes de sair da cidade. 
__Quanto tempo ficará fora?__ Paola perguntou.
__Não faço ideia, nem ao menos sei o que estou indo fazer naquela cidade, Klaus está mantendo sigilo.
__Tenha cuidado Joseph, não confio em Klaus, ele anda instável ultimamente e você não está cem por cento.
__Não tem que se preocupar comigo Paola, eu sei me cuidar, me preocupo com você sem mim por perto, viu o que aconteceu da ultima vez que parti__ ele a lembrou__ tenho receio de largá-los aqui, você, Peter e... A princesa também.
__Não se preocupe conosco Joseph, não pode partir para suas batalhas com a cabeça em outro lugar, ficaremos bem.

__Você vai cuidar dela por mim?__ ele sussurrou.
Paola sorriu__ eu prometo. 
Ele assentiu, não totalmente satisfeito, mas já era alguma coisa. 
__Agora, tenho um assunto importante para tratar com você__ Paola disse__ não quis falar nada antes de ter certeza absoluta, mas agora é o momento certo.
__Falar o que?
__Quando fui visitar sua mãe e Macayla, pediu que eu ficasse de olho em qualquer coisa que o ajudasse a descobrir onde elas estão, e eu menti quando falei que não descobrira nada, mas fiz por uma boa causa__ ele já ia protestar, mas ela ergueu a mão indicando que a deixasse terminar__ eu não vi absolutamente nada que fosse útil, por conta da venda, mas quando estava indo embora, um homem me reconheceu, ele chamou meu nome e se identificou, eu o reconheci pela voz, mas não me deixaram conversar com ele. 
__Quem era?
__Um amigo meu, depois que voltei a Murdor conversei com ele, e ele me disse que me viu na cidade em que mora... Casterly.

__Elas estão em Casterly?
__Estavam__ ela o corrigiu__ mas disse que assim que eu fui embora as levaram para outro lugar. 
__Droga...
__Espere, eu ainda não terminei__ ela avisou__ ele os seguiu Joseph, ele só me contou isso noite passada, por isso só estou contando agora. Meu amigo viu quando levaram as duas para Harenwall.
__Harenwall?__ Joseph sussurrou__ você está brincando... É verdade isso? Sabe onde elas estão? Elas estão mesmo em...
__Estão__ ela sorriu__ estão em Harenwall. Essa cidade fica bem perto de Severac e achei que como estava indo para lá poderia tentar descobrir se é certo, se há um modo de... De salvá-las. 
Joseph sorriu, finalmente depois de dezoito anos sabia onde elas estavam.
__Acha que pode ser dessa vez Paola? Acha que consigo salvá-las?
__Acho que não podemos mais esperar querido__ ela deu de ombros__ é agora ou nunca. 
__Obrigada Paola__ ele a abraçou__ não sei o que faria sem a sua ajuda.

__Não tem de que__ ela sorriu de volta__ escute, vá para Severac, veja o que Klaus está fazendo por lá e cumpra seu dever como deve ser, e quando tiver um tempo verifique se é mesmo certa a história sobre sua família. Se puder salvá-las, salve-as e vá embora para o mais longe que puder meu querido... Vá antes que seja tarde, pois estamos em tempos difíceis agora. Não podemos mais perder tempo. 
__Está tudo acontecendo rápido demais__ ele respirou fundo__ mas eu vou conseguir. Em breve sairemos todos dessa maldita cidade Paola, estaremos todos livres, você vai ver... Eu prometo. Vamos embora, você, Vitória e seu bebê, o pequeno Peter, vou tirar todos desse maldito lugar como já havia prometido antes.
__Eu sei que vai__ ela sorriu e lhe acariciou o rosto__ agora vá cavaleiro das sombras... Vá que estão a sua espera. 
Todos se juntaram para ver a partida do cavaleiro das sombras e seus homens. O pequeno Peter estava lá com sua espada, e Joseph despenteou seu cabelo antes de montar em seu cavalo negro e puxar o capuz para cobrir o rosto. Paola observou da porta do Bordel sorrindo com as novas esperanças que surgiam, era verdade que estava tudo acontecendo rápido demais, mas não havia mais tempo nenhum a perder, era agora ou nunca.

E Demetria observou o comandante partir de sua janela, ele olhou em sua direção com seus olhos azuis brilhantes se sobressaindo aquela imensidão negra. Não desviou os olhos até que ele sumisse na multidão e imaginou o que aconteceria agora. Depois de alguns minutos Paola surgiu no quarto.
__Você está bem?
__O Rei me quer em seus aposentos esta noite__ Demetria sussurrou__ não consigo suportar mais aquilo, não agora Paola.
__Ainda tem o vidro de sonífero que lhe dei?
Demetria sorriu de repente__ eu tinha me esquecido disso. 
__Venha querida, vai dar tudo certo, você vai ver.

A Passagem Secreta.

Reino de Severac
Alguns dias de viagem e Joseph e seus homens finalmente chegaram a Severac. O Reino ainda estava devastado pela ultima passagem dos homens de Murdor por ali, a cidade tinha perdido a vida. Hugo, o homem responsável pelos assuntos por ali, estava na sala do Trono à espera de Joseph e sorriu ao vê-lo. 
__Comandante, chegou cedo__ disse sorrindo__ sempre eficiente.
__A contrário de certas pessoas__ deu um falso sorriso__ viajei muito para chegar aqui vamos direto ao assunto.
Joseph nunca gostara de Hugo, ele era um homenzinho baixo, magricela, ruivo e tremendamente irritante, porém muito eficiente na tarefa de bajular o Rei o que nunca permitiu que Joseph enfiasse a espada em seu coração, como era realmente de sua vontade. Então os dois fingiam cortesias quando necessário, mas Joseph andava sem paciência para esses joguinhos, tinha muitos assuntos a tratar e pouco tempo para isso. 
__Alguém está de mau humor hoje__ o homem disse ainda sorrindo__ siga-me comandante.
Joseph seguiu o homem pelo Palácio, que não parava de tagarelar imbecilidades durante todo o caminho. Porém depois de um tempo, Joseph simplesmente parou de ouvir o que o homem dizia, distraiu-se olhando tudo em volta e lembrando da ultima vez que estivera ali, matando pessoas, destruindo a cidade, sequestrando a princesa, parecia que tinha acontecido em outra vida. 
__Chegamos__ Hugo anunciou.
__Estamos na cozinha__ Joseph disse confuso.
__Que bela observação comandante__ o homem zombou__ o que quero lhe mostrar está atrás daquela porta.
Hugo apontou para uma porta de madeira no canto e Joseph foi até lá, esperando que não fosse nenhuma brincadeira, o que era assim tão importante que fizera Klaus ficar tão feliz de repente? Abriu a porta e suspirou.
__É a dispensa.
__Outra grande observação.
__Pare de fazer joguinhos comigo e diga logo o que tem a dizer ou juro por Deus que corto suas bolas fora__ ameaçou irritado. 
__Mau humorado__ o homem revirou os olhos, passou por ele, o empurrando sem pedir licença. Afastou uma estante no canto do cômodo que estava repleta de alimentos, revelando uma segunda porta, essa no chão.
__O que é isso?
__Nossa passagem secreta__ Hugo sorriu puxando uma tocha presa na parede e a ascendendo, abriu a porta, revelando uma escada que descia em direção a escuridão e sorriu para Joseph__ venha comandante, não tem medo do escuro não é? Afinal é o cavaleiro das sombras. 
Joseph se limitou a olhá-lo feio e o seguiu em direção a escuridão. A escadaria terminava em um corredor, um caminho sujo, apertado e meio sufocante, mas em pouco tempo Joseph avistou uma luz mais a frente e saíram em uma enorme sala. Joseph ficou boquiaberto, não era uma sala qualquer, era a sala do Tesouro. O lugar estava repleto de riquezas, desde moedas de ouro e prata, até jóias e objetos feitos completamente de ouro, além de muitas pedras preciosas.
__O que...
__A sala do Tesouro__ Hugo disse__ toda a fortuna de Severac está aqui nesta sala. 
__Ele deixou tudo para trás quando fugiu__ Joseph comentou pegando algumas moedas e observando com um meio sorriso__ é muito ouro. Como não descobriram esse lugar antes? Reviraram todo esse lugar e não havia nada disso, como não enxergaram?
__Lembra-se do Marco? Um de seus homens? Ele era da guarda Real, alto, forte... Negro.
__Sei quem é, o que ele tem haver com isso? 
__Ele era um espião de Robert__ Hugo explicou__ há muitos anos, e ele contava todos os nossos planos ao Rei de Severac. Ele só não delatou a ultima invasão porque foi mantida em segredo até o ultimo momento e ele estava em uma outra missão no momento. 
__O idiota era um espião todo esse tempo e ninguém desconfiou?
__Pois é, ele sabia do esconderijo e estava desviando a atenção dos soldados desse lugar, por isso ninguém o encontrava. Mas o peguei no flagra alguns dias atrás vindo até aqui pegar um pouco de ouro. Ele estava levando o Tesouro para Robert aos poucos, para ele poder comprar soldados, armas, mantimentos e tudo o mais. Enquanto corríamos feito idiotas atrás do rabo, ele estava se fortalecendo e criando um exército para se vingar. 
__Ele é bem mais esperto do que pensávamos__ Joseph mordeu o lábio enquanto pensava__ o que fizeram com Marco?
__Quando passar pelos muros da cidade outra vez verá que ele foi devidamente punido.

__Claro__ ele assentiu entendendo__ então agora Robert perdeu seu espião e seu dinheiro.
__Mas já sabe tudo que precisava, tem um exercito e armas boas... Pegamos esse idiota, mas Robert se fortaleceu de qualquer forma. Não mencionamos isso na carta a Vossa Graça, para evitar incidentes, mas você é um homem esperto e acho que estava implícito que estamos com um problema caso não os encontramos antes que resolvam nos atacar de surpresa. 
__É, eu percebi isso sim__ Joseph concordou, problema era uma palavra muito fraca para definir a situação em que se encontravam, pelo menos para ele era assim. 
__Tem mais uma coisa__ Hugo disse e apontou para o outro lado do salão__ está vendo aquelas passagens? 
Joseph observou do outro lado da sala, havia mais três passagens iguais as de onde eles tinham vindo, todas escuras e sombrias.
__Onde vão dar?

__A primeira, a da direita__ Hugo apontou__ é um beco sem saída, você anda por longos minutos e não chega a lugar nenhum. A da esquerda tem várias bifurcações e cada uma delas da em um lugar especifico da cidade. Algumas dentro do palácio e outras fora, mas só podem ser abertas por dentro, por isso não achamos nada quando procuramos pela cidade.
__Tudo bem__ Joseph concordou__ e a terceira passagem? A do meio?
__Ainda não sabemos.
__Como assim?
__É a maior de todas as passagens, se estende por quilômetros e ainda não encontramos o fim__ explicou__ mandei três homens para explorar, disseram quem tem duas bifurcações. Em uma delas encontramos um dos soldados mortos, o outro está desaparecido há dias e ainda não voltou e o terceiro se recusa a entrar lá novamente. Já estão inventando histórias, dizem que o lugar é amaldiçoado, outros que tem monstros.

__E o que você acha Hugo?__ Joe o encarou impaciente.
__Acho que esse caminho leva ao esconderijo do Rei Robert__ ele disse sorrindo__ isso se formos inteligentes o bastante para encontrá-lo. Por isso você está aqui comandante, para nos ajudar.
__Entendi__ Joseph concordou e ficou um minuto em silencio para pensar__ volte lá fora e traga dez dos homens que vieram de Murdor comigo, o mais rápido possível. 
__Tudo bem__ Hugo concordou__ você vai ficar ai?
__Vou esperar aqui, dar uma olhada enquanto isso.
__Vou precisar da tocha__ Hugo disse__ não se importa de ficar no escuro? 
__Não tenho medo do escuro__ a escuridão não dava medo, e sim o que havia nela__ Agradeço se for logo, não temos tempo a perder, Klaus está muito impaciente. 
__Como quiser comandante__ o homem sorriu e se retirou pelo túnel de onde vieram.

Escuridão.

Reino de Severac

Havia duas tochas na parede da sala, que era extensa demais, por isso não iluminava uma boa parte e quando Hugo saiu levando a outra tocha, Joseph se viu sozinho na penumbra, num silencio agourento, em meio aquele monte de ouro. Caminhou lentamente até a entrada do terceiro túnel e olhou para escuridão que se estendia. Joseph passara a maior parte de sua vida no escuro, quando era pequeno seu pai lhe mandava fazer tarefas com uma venda nos olhos, para que ele pudesse aguçar os outros sentidos e não depender unicamente dos olhos. Os olhos enganam você, você vê aquilo que espera ver. 
O escuro não o incomodava há um tempo, outro motivo pelo qual recebera o apelido de cavaleiro das sombras, na verdade ele sempre enxergara bem no escuro, muito melhor do que outras pessoas, sempre se sentira a vontade no escuro. Mas as coisas mudavam. Ele caminhou lentamente pelo Túnel, usando as mãos, tocando nas paredes que eram bem próximas para poder se guiar. Uma vez que visse o caminho não o esqueceria nunca mais, ele era assim.
Só precisava ver uma vez e nunca mais esquecia, era um dom e uma maldição. Não esquecia o dia em que seu pai morrera, a expressão de medo no rosto de Macayla, ou o vazio nos olhos de sua mãe. Não esquecia do dia que chegara a Murdor e encontrara Paola e descobrira que de alguma forma não estava tão só quanto havia pensado. Não esquecia da primeira vez que o pequeno Peter lhe abordara no meio da rua e começara a falar sem parar lhe tirando a paciência. 
Não esquecia a primeira mulher que tivera, uma das meninas de Paola, um presente de aniversário segundo ela. Não esquecia o dia que recebera o dedo de Macayla numa caixinha, ou o sorriso maldoso de Klaus. Assim como não esquecia a primeira vez que vira Demetria, ajoelhada no chão da sala do Trono, os olhos castanhos vermelhos e assustados. Quando estava no escuro era mais fácil de lembrar, as imagens vinham em sua cabeça como um filme sempre que fechava os olhos. Com ele era o contrário, a noite era turbulenta e confusa, e o dia, com sua luz forte e os sons do mundo eram tranqüilos, o faziam esquecer.

Mas de alguma forma sempre preferira o escuro, porque se recusava a esquecer de quem era e por tudo que passara, tudo que lhe fazia forte. Porém agora... Agora esquecer ia ficando mais tentador. 
__Onde ele está?__ uma voz ecoou pelo escuro.
__Eu não gosto desse lugar__ outro resmungou.
__Comandante__ uma voz tremula chamou.
Joseph sorriu, achava engraçado como as pessoas tinham medo do escuro. Ou achavam que tinham. A escuridão não dá medo, e sim o que há dentro dela.
__Vamos imprestáveis, temos trabalho a fazer__ ele respondeu fazendo os homens pularem com o susto e encararem a escuridão de olhos arregalados. Sorrindo, ele apareceu novamente no salão principal, com os olhos azuis cintilando e o sorriso mais sinistro que o normal a meia luz__ o que estão esperando? Andem logo... Sigam-me.
E se enfiou novamente na escuridão. 

Fim do Capítulo

Hiper divulgação

Mores esses blogs sao tudo de bom , tenho certeza que voces vao amar essa historias
leiam , sigam e comentem ...
Killer
Danger



Espero que gostem amores .. eles sao realmente perfeitos



Capitulo 18.


A Ira do Rei.

Reino de Murdor

Joseph acordou sobressaltado com o som das batidas insistentes da porta. Percebeu que não estava sozinho e sorriu por um momento vendo Demetria deitada com a cabeça em seu peito, adormecida, mas logo o sorriso se desfez quando a batida ficou mais forte, e alguém gritou chamando seu nome. Demetria se remexeu inquieta e acordou, parecendo confusa.
__Comandante__ o homem chamava lá fora__ abra a porta, por favor. 
__O que aconteceu?__ Demetria perguntou baixinho.
__Tem um idiota lá fora me chamando__ ele resmungou mal humorado, a afastando gentilmente e levantando da cama.
__O que você quer?__ ele perguntou enquanto pegava a calça pendurada na cama e começava a vesti-la, ignorando a pontada de dor no ombro, estava cada vez mais fraca. 
__Tenho noticias do Rei Klaus, comandante__ o homem disse__ preciso falar com o senhor imediatamente. 
Demetria e Joseph se entreolharam, de repente nervosos com a menção ao nome do Rei.

__Fique aqui, ele não pode te ver__ Joseph murmurou fechando as cortinas em volta da cama e indo até a porta. 
Demetria permaneceu deitada na cama e se cobriu com o lençol, ficando bem quietinha. Joseph cobriu o ombro machucado com o manto e abriu a porta. O homem que o chamava era Kyle, um dos homens de confiança do Rei Klaus, costumava tomar conta de tudo quando o Rei se ausentava. Assuntos políticos que não interessavam em nada a Joseph. 
__O que aconteceu? Porque tanto desespero?__ Joseph perguntou mal humorado.
__O Rei está de volta a Murdor e exige sua presença na sala do Trono imediatamente. 
__Ele voltou? Conseguiu descobrir alguma coisa? 
__Não sei dizer senhor, ele quer vê-lo agora mesmo e não está nada contente. 
Joseph não gostou do que ouviu, Klaus irritado era sinal de problemas pela frente. Será que ele estava zangado com algo que aconteceu na cidade ou teria ele descoberto que Joseph quebrou sua bendita regra? Não... Não havia como ele saber.
__Vou me vestir e já seguirei para lá.
__Sim senhor__ o homem fez uma reverência e saiu. Joseph fechou a porta.

__O que aconteceu?__ Demetria perguntou sentando-se na cama e puxando o lençol para cobrir o corpo.
__Klaus está de volta__ Joseph sussurrou e não precisou dizer mais nada. 
Demetria vestiu a camisola, e observou inquieta enquanto Joseph brigava com a camiseta, ainda com problemas nos movimentos por conta do ombro. Já estava bem melhor, mas ainda incomodava e atrapalhava e Joseph não era um homem de muita paciência, ainda mais quando estava nervoso como naquele momento.
__O que acha que ele quer?__ ela perguntou.
__Não faço ideia__ suspirou pegando a espada__ só... Fique aqui até eu voltar e não deixe que ninguém te veja ou teremos sérios problemas. 
Ela assentiu lentamente, se encolhendo na cama e abraçando a si mesma. Tinha estado tão feliz na noite anterior, nos braços de Joseph, fazendo amor durante toda a noite, sem medo, dor ou preocupações. Mas agora o sol nascera, um novo dia surgira e o mundo voltara a girar, prestes a desabar sobre eles, ela podia sentir.

Joseph a encarou por um tempo, o coração se apertou, era exatamente o que ele quis evitar, agora tinha mais alguém com quem se preocupar, mas alguém cuja vida lhe era extremamente importante e que não suportaria perder. E no caso da princesa era ainda mais difícil... Espantou rapidamente os pensamentos.
__Eu volto logo minha princesa__ ele sorriu para aliviar o clima, e quando ela sorriu timidamente de volta, se virou e saiu. 
__Até logo meu cavaleiro__ ela sussurrou deitando-se novamente na cama e agarrando um travesseiro. 
Joseph atravessou a cidade em direção ao Palácio o mais rápido que pode, sem querer deixar o Rei esperando por muito tempo. Se sentia tão diferente e ansioso aquela manhã que teve de se segurar para não sair correndo. Não diria que estava com medo, mas estava certamente preocupado com o rumo que as coisas estavam tomando, passou muito tempo acomodado, adiando o momento de realmente enfrentar Klaus, mas estava chegando o dia em que não teria mais saída, ele precisava correr e encontrar sua família o mais rápido possível, antes que tudo saísse do controle.
Quando Joseph finalmente chegou à sala do Trono, os guardas na porta estavam nervosos, antes mesmo de entrar ouviu os estrondos e gritos vindos de lá de dentro. O Rei realmente não estava de bom humor, o que nunca foi realmente um problema para Joseph, ele só descontava sua raiva nele quando era realmente sua culpa e isso quase nunca acontecia, mas agora Klaus tinha um novo brinquedo em quem descontar sua fúria e o pensamento lhe causou náuseas.
__Alteza__ Joseph fez uma reverência parando em frente ao Trono. 
Klaus parou de gritar com o pobre do guarda que estava de olhos arregalados e se virou para Joseph. 
__Mandou me chamar?__ ele perguntou quando o Rei nada disse.
__Sim, eu mandei lhe chamar Joseph__ ele concordou.
__Novidades sobre o Rei Robert? Conseguiu descobrir alguma coisa? 
__Ah descobri__ ele deu uma risada perturbadora, sem nenhum sinal de humor__ descobri que estavam me fazendo de palhaço e eu não gosto nada que me façam de palhaço. Eu odeio traições, você sabe disso.

Por um momento Joseph pensou que Klaus tinha descoberto o que acontecera entre ele e a princesa, que todo seu esforço iria por água abaixo, mas descartou rapidamente a ideia, ele não sabia, não tinha como saber. O que o estava irritando era outra coisa. 
__O que aconteceu Alteza?
__Era verdade o que aquele soldado suicida falou... Robert tem mesmo um exercito, ele formou um exercito bem debaixo do meu nariz e eu não percebi, ele me enganou todo esse maldito tempo__ gritou__ sabe aquele infeliz do Greyjoy? Que se sentou a minha mesa e partilhou da minha comida e de minhas mulheres? Aquele que declarou lealdade a mim e jurou que me ajudaria a matar Robert? Você se lembra dele? 
__Sim Alteza__ Joseph concordou. Lembrava-se vagamente do homem no Palácio no dia que impedira a fuga de Demetria e entregara Charlie ao Rei. Era um velho mal encarado em quem Joseph nunca confiara, pois antes fora aliado do Rei Robert e não acreditava que ele tinha mudado de lado assim facilmente, nem mesmo por ouro. Aparentemente ele tinha razão.

__O homem estava aqui como espião daquele infeliz, daquela barata nojenta do Robert Lovato, ele estava aqui para saber os meus planos, os meus passos e me delatar ao inimigo__ murmurou vermelho de raiva__ agora que ele sabe tudo que planejo e que Robert já sabe tudo que queria, está juntando seu maldito exercito de SEIS MIL HOMENS e os juntando ao que sobrou do exercito de Severac. Sabe o que isso significa? 
__Ainda temos um numero maior de homens e somos mais fortes senhor, não acho que...
__NÃO ME INTERESSA O QUE VOCÊ ACHA JOSEPH, AQUELE INFELIZ DEVIA ESTAR MORTO__ o interrompeu, Joseph apenas conteve a língua e o tédio com os chiliques do Rei e esperou que ele terminasse.
Klaus gritou xingamentos por mais um bom tempo, andando de um lado para o outro com pisadas fortes que poderiam afundar o chão. Todos estavam com medo da Ira do Rei, estava claro em seus olhos, mas Joseph já vira aquilo vezes demais para se intimidar, não era mais um menininho de dez anos e não se lembrava da ultima vez que sentira medo daquele homem. Mas quando Klaus parou de andar e olhou para Joseph com um sorriso perturbador, por um momento Joseph temeu... E tinha todos os motivos para aquela sensação, ele soube logo depois.
__Joseph, traga a princesa Demetria até aqui agora mesmo__ ele ordenou com a voz calma demais para uma expressão tão intensa.
__Alteza?__ Joseph o encarou por um momento, tentando adivinhar o que estava pensando.
__Não posso machucar o infeliz do Robert, porque não sei onde está, mas posso mandar uma mensagem para que os seus amiguinhos repassem a ele__ Klaus disse__ Você que tem experiência meu amigo comandante, o que acha que vai causar mais impacto? Se eu mandar um dedinho da princesa para ele, uma mão inteira, ou então a cabeça? 
Joseph sentiu o estomago revirar, mas manteve a postura.
__Alteza, não acho que machucar a princesa vá melhorar a nossa situação...
__Não me interessa o que você acha__ rebateu__ não quero melhorar nada, quero causar dor aquele infeliz. Agora escolha comandante, o que eu devo arrancar da princesa? Talvez a língua... Não tem sido de muita utilidade mesmo... VAMOS DIGA.
__Alteza...
__ESCOLHA. 
Joseph respirou fundo uma vez.
__O dedo__ ele murmurou encarando o chão.
__Ótimo, agora vá buscá-la e traga ela até mim e não demore. 
Ele pensou em discutir, mas viu o olhar no rosto do Rei e sabia que se abrisse a boca estaria causando dor a sua família, então com o coração disparado no peito saiu da sala do Trono. Talvez até que ele chegasse com Demetria o Rei tivesse se acalmado e mudado de ideia, talvez... Talvez... Ele não conseguia pensar num talvez e o desespero começou a tomar conta e refletir em sua velocidade. 
Estava acontecendo aquilo que tinha temido... O Rei mandaria que ele a machucasse e ele teria que fazer. Mas agora já não sabia se conseguiria. Se mandassem matar qualquer outra pessoa, ele faria sem pensar duas vezes, mas não podia machucá-la, não depois da noite passada, era crueldade demais.
__Joseph__ estava tão distraído que não viu Paola a sua frente e só parou quando esbarrou nela__ Joseph, que cara é essa?
__Klaus__ ele murmurou agoniado__ voltou à cidade e está completamente irado Paola, ele quer descontar a raiva em Demetria, vai me pedir para machucá-la e eu não vou conseguir fazer isso. 
__Joseph...
__Eu disse a você que ia ser assim, eu disse que não devia me apegar, mas fiz mesmo assim... ESTÚPIDO__ passou as mãos nervosamente pelos cabelos, bateria a cabeça com força na parede se tivesse tempo pra isso.
__Se acalme, ficar nervoso não vai ajudar em nada__ ela disse__ vá buscar Demetria e a leve até Klaus como ele quer, talvez ele mude de ideia, você sabe como ele é instável, qualquer bom argumento e ele muda de ideia, sei que você vai dar um jeito.
__Não tenho tempo para um talvez Paola.
Não esperou que ela dissesse mais nada, pois não ajudaria. Foi até em casa o mais rápido que pode e encontrou a princesa já vestida, em um lindo vestido azul que lembrava muito a cor dos seus olhos, os cabelos estavam presos em uma trança e estava sentada sobre a cama, batendo os dedos no colchão nervosamente.
__Hey, você voltou__ ela sorriu ao vê-lo e o gesto fez Joseph sentir como se alguém estivesse cutucando seu coração com uma faca só para se divertir. Lembrava-se do que sentira quando recebera o dedo de Macayla dentro de uma caixinha, a ira fora tão grande que ele quase fizera uma besteira, mas Paola o impedira como sempre de por tudo a perder e tudo que pode fazer foi vomitar como uma criança imaginando sua irmã chorando de desespero enquanto perdia o dedo... Foi como se nunca tivesse visto sangue na sua frente.
Agora o Rei ia querer que ele passasse por aquilo de novo, ia querer que ele assistisse, ou pior... Que ele mesmo o fizesse.
__Está tudo bem?__ Demetria se levantou e caminhou até ele__ o que Klaus queria?
__Precisa vir comigo__ ele encontrou a voz para falar__ O Rei quer vê-la.
__A essa hora?__ ela franziu o cenho confusa__ ele só me chama para seus aposentos à noite.
__Não é por isso que quer vê-la.
Demetria o fitou com atenção, e não gostou do que viu nos olhos dele.
__O que está acontecendo Joseph?
__Venha comigo por favor__ ele pegou na mão dela__ vai ficar tudo bem.
__Joseph...
__Só... Vem comigo por favor__ ele insistiu e largou a mão dela para segurar o braço, como devia fazer com um prisioneira. Não a machucou como de costume enquanto a arrastava consigo, o aperto era incrivelmente gentil e não combinava com a situação, com a expressão vazia em seu rosto, que ele assumiu assim que saíram da casa. Demetria sentiu-se tonta sabendo que nada de bom a esperava na presença de Klaus.

No Último Minuto

Quando atravessaram a enorme porta e Joseph a guiou em silencio até Klaus, Demetria sentiu os olhos arderem. Viu o Rei em seu Trono, com uma expressão perturbadora no rosto, um olhar louco que fez seu coração bater depressa demais. Viu dois guardas parados atrás dele, todos claramente nervosos e viu a Montanha, o carrasco com sua enorme espada na bainha e clara satisfação no olhar... Ela olhou para Joseph, e ele parecia tão frio, como quando a arrastara por aquele mesmo caminho a primeira vez e teve vontade de chorar antes de saber ao certo o que ia acontecer. Sentira-se tão bem na ultima noite, tão completa, e inteira novamente e agora... Agora sentia-se incrivelmente vazia e sozinha. 
__A princesa de Severac Alteza__ Joseph anunciou__ como o senhor ordenou.
__Hum__ ele sorriu com satisfação__ ela está tão bonita. 
__O que devo fazer?__ Joseph perguntou e Demetria sentiu o aperto em seu braço ficar mais forte.
__Você não vai fazer nada, está irritante demais para o meu gosto hoje__ anunciou sorrindo__ A Montanha se encarregará de todo trabalho, só... Fique aqui comigo e aprecie o show__ deu de ombros__ Montanha... Arranque a mão direita da princesa.
__O que?__ Demetria arregalou os olhos e fitou Joseph, ele não devolveu o olhar, estava encarando Klaus__ Não, por favor, não pode... Não... Eu não fiz nada, eu não...
__Sei que não fez nada, foi o seu pai quem fez__ Klaus disse__ agora cale a boca. 
__Alteza... 
__Agora não Joseph, seja o que for pode ficar para depois, agora venha até aqui e assista__ sorriu de lado__ a não ser que queira que eu arranque mais um dedinho da sua irmã, ela não precisa deles mesmo. 
Quando dois guardas vieram segura-la, abaixá-la no chão e esticar sua mão sobre um apoio e Joseph ficou lá parado, sem reagir, ela soube que ele não faria nada para defendê-la. Não porque não se importava, mas porque se o fizesse estaria condenando sua família, e não só a perder um dedo como Klaus sugerira, mas a morte. E ela não conseguiu culpá-lo.
Quando ele se posicionou ao lado do Trono, tinha aquele ar frio do cavaleiro das sombras, de quem não se importava com absolutamente nada, de quem não tinha medo de nada, qualquer um que olhasse não saberia o que ele estava realmente sentindo, mas ela sabia. Quando ergueu o rosto para olhá-lo nos olhos, ela viu no meio daquela imensidão azul uma dor tão grande, uma dor que nenhuma faca causaria, uma dor maior do que a que ele sentira ao levar aquela facada no ombro. Porque mesmo sendo um ótimo soldado, mesmo sendo praticamente invencível, naquele momento era um completo inútil. 
Demetria tentou sentir raiva, tentou chorar, mas estava certa... Suas lágrimas tinham secado, nem mesmo conseguiu gritar, ou talvez apenas não quisesse dar esse gostinho a Klaus. Viu Montanha erguer sua espada no ar, mas desviou os olhos e os fixou no rosto de Joseph, preferia olhar para a beleza dele naquele momento e lembrar como a fizera sentir-se bem. Tudo pareceu ficar em câmera lenta de repente... Os olhos de Joseph se arregalaram muito, e ela viu quando ele deu um passo à frente, lutando consigo mesmo sem saber o que fazer.
Foi quando a porta se abriu e alguém entrou correndo.
__ALTEZA, ALTEZA__ um homem gritava.
Montanha perdeu a concentração, assim como os soldados que a seguravam. A Princesa puxou o braço para trás e a espada bateu no apoio de ferro, fazendo o som ecoar por todo o salão e sobressaltar a todos. Por um momento ninguém respirou. 
__Mas que diabos__ Klaus resmungou__ não vê que estava no meio de algo importante?
__Sinto muito Alteza, tenho noticias urgentes de Severac que concerteza o interessarão. 
Klaus o olhou com curiosidade, pegou a carta da mão do homem e fez um gesto para que Montanha esperasse, pois ele já começava a puxar novamente a mão de Demetria para poder arrancá-la. O alivio de Joseph naquele momento era quase palpável, mas ninguém além de Demetria estava prestando atenção nele para poder notar. 
Todos fizeram silencio enquanto Klaus quebrava o selo e lia a carta. 
__Isso que diz aqui é verdade?__ Klaus perguntou fitando o guarda com atenção.
__Sim senhor, tenho certeza__ ele afirmou__ desconfiávamos há um tempo, mas não queríamos incomodá-lo com o assunto até ter certeza. O conteúdo da carta é cem por cento verdadeiro. 
O sorriso de Klaus mudou, daquele sorriso louco para um sorriso de felicidade e satisfação. 
__Montanha, não precisarei mais de seus serviços, vocês podem soltar a princesa__ Demetria e Joseph foram tomados por um enorme alivio, mas apenas ela deixara transparecer__ Hoje é seu dia de sorte querida.
Ela acariciou os pulsos o olhando com raiva enquanto se levantava do chão.
__Joseph, tenho tarefas para você__ Klaus disse e Joseph foi se colocar a frente dele__ leve a princesa de volta ao La Luna, e certifique-se de que alguém a traga aos meus aposentos ao cair da noite, vou usá-la de outra forma, você tem razão, cortá-la em pedacinhos de nada me servirá. 
__Sim alteza.
__Junte um grupo com seus cinquenta melhores homens e venha ao meu encontro... Tenho uma missão especial para vocês. 
__Como quiser Alteza.
Joseph fez uma reverencia, agarrou Demetria pelo braço e a puxou o mais rápido que pode sem parar apressado para fora do salão. Não disseram absolutamente nada durante todo o caminho, até que ele entrou com ela no La Luna e a levou até seu quarto.
__Você está bem?__ ele a soltou e a fitou com preocupação.
__Estou bem__ ela concordou__ não me machuquei afinal... Ainda tenho minha mão.
__Eu... Sinto muito por aquilo... Não...
__Está tudo bem comandante__ ela sorriu amavelmente para ele, mas aquilo não o fez sentir-se melhor, ele não mereceria aquele sorriso ou a compreensão dela__ não tem que se desculpar ou sentir nada, eu estou bem, nenhum dano feito.
Ele desviou os olhos do rosto dela e começou a sentir o ombro doer novamente, segurou-o com a mão boa e apertou levemente causando em si mesmo uma dor que nenhum homem são suportaria, mas não emitiu nenhum som, nem demonstrou qualquer expressão de dor. Tinha planejado passar aquele dia deitado na cama ao lado de Demetria, se recuperando da facada que quase já não incomodava mais e tomando-a para si sempre que o desejo se fizesse presente, de um forma que nunca havia feito com nenhuma outra mulher... Mas Deus, ou melhor... Klaus... Havia lhe reservado outra coisa.
__Não estou zangada__ ela disse quando ele ficou em silencio__ eu entendo você. 
__Eu ia deixar que ele arrancasse sua mão fora... Como entende isso?
__Não me deve nada comandante, só porque passamos a noite juntos não significa que precisa me proteger de qualquer coisa que seja.
Agora ele estava com raiva, e bateu o pé no chão com impaciência.
__Não escutou nada do que eu lhe disse ontem à noite?__ resmungou zangado__ como pode dizer isso?
__Você me deseja, eu já entendi isso... Mas não sou mais importante que sua família__ ela deu de ombros__ e tudo bem, não estou com raiva, ou acho isso ruim, é como as coisas são. Você passou por muita coisa para defendê-las Joseph, não é só porque gosta um pouco de mim que deve deixar tudo pelo que lutou para trás. Você tem suas batalhas a travar, das minhas cuido eu. Nunca pedi que arriscasse nada por minha causa, não quero isso... Não quero ser a responsável por desviá-lo de seu objetivo.
“Só porque gosta um pouco de mim”, a voz dela ecoou em sua cabeça. Era isso? Ele gostava só um pouco dela? “Você me deseja”, era verdade... Mas era só isso? Não se lembrava da ultima vez que sentira tamanho desespero por culpa de alguém, não se sentia tal coisa só por gostar um pouco de alguém. Aquilo estava errado. 
__O que está querendo dizer?
__Que você tem que ir, antes que Klaus se irrite com você. 
Mas ele não queria ir. 
__Lembra-se do que me disse uma vez quando me trazia para cá?__ ela perguntou__ isso é uma guerra... É como as coisas são. 
Fizera sentido antes, agora soava terrivelmente estúpido. Aquela era a pior guerra de todas. 
__Eu disse a você, sou uma pessoa diferente da que trouxeram para essa cidade, a menina estúpida e indefesa morreu, eu vejo tudo diferente agora e decidi que não quero mais ninguém morrendo por mim, ninguém mesmo__ ela sorriu docemente, se pôs na ponta do pé e lhe deu um rápido beijo__ vá embora, o Rei está a sua espera.
Como não sabia o que dizer, ele apenas se virou e foi embora. Ouviu uma das meninas lhe cumprimentar enquanto descia as escadas... Cavaleiro das sombras, ela o chamara. Ele não se sentia mais assim, não sentia-se mais o cavaleiro das sombras. Assim como a princesa mudara, ele também era um homem diferente agora.
O cavaleiro das sombras não tinha sentimentos, não se importava com nada e nem ninguém. O cavaleiro das sombras não tinha amigos, gostava mais da noite do que do dia. O cavaleiro das sombras era o soldado perfeito que atendia ordens sem questionar e mesmo assim causava medo naqueles que lhe comandavam. Ele era apenas o Joseph agora, que ainda assustava todos em volta, que ainda era capaz de matar sem pensar duas vezes, mas que agora preferia a luz do sol e tinha mais sentimentos do que era seguro para um homem em sua posição. 
Ele finalmente se sentia em guerra, e estava chegando o momento de por um fim em tudo aquilo.

Fim do Capítulo

Capitulo 17.


Superando Desafios.

Reino de Murdor

Joseph respirou fundo uma vez antes de erguer a espada e fazer um movimento rápido com a mão, cortando o ar como se fosse um de seus inimigos. O ombro doeu com o esforço, muito menos do que dois dias atrás, mas ainda era uma dor incomoda que o impedia de usar toda sua força. Os pontos do ferimento já tinham caído, mas ainda não era agradável de olhar e qualquer contato coçava, por isso quando não estava na presença dos outros soldados evitava usar camiseta para não irritar. Paola, Peter, Demetria, Harry e Mrs. Galvin observavam enquanto ele treinava, como se fosse um show super interessante, estavam todos num espaço atrás da casa dele onde ninguém ia, então não corriam risco de serem vistos. Joseph não estava acostumado com tanta atenção e fez o possível para não se estressar com os olhos sobre ele. 
__Aposto que agora eu conseguia derrubar ele__ Peter comentou__ olha como está lento.
__Não deixe ele ouvir você dizer isso__ Paola disse rindo.
__Eu já ouvi__ Joseph o olhou de lado__ venha até aqui e provo que está errado.

O menino arregalou os olhos um momento, mas depois se recuperou e sorriu.
__Não, eu só ia machucar você ainda mais.
__Claro que ia__ Joseph riu revirando os olhos.
__Não devia fazer tanto esforço__ Mrs. Galvin advertiu__ pode acabar piorando.
__Não posso ficar muito tempo sem movimentar o braço, isso sim vai piorar__ discutiu, ele nunca ouvia os conselhos de ninguém. 
__Ele é tão teimoso__ Demetria revirou os olhos. 
__Ele tem razão__ Harry interveio__ não é bom para um cavaleiro ficar muito tempo sem treinar, ainda mais quando se machuca, pode acabar perdendo a habilidade.
__Ainda acho um erro__ Mrs. Galvin disse. 
Joseph ignorou o comentário de todos, ele sabia o que era melhor pra ele, sempre foi assim, ninguém podia lhe dizer o que deveria fazer. Treinou mais alguns movimentos, depois largou a espada em cima do murinho junto com a camisa e o manto e pegou as duas espadas de madeiras que usava para treinar com Peter.

__Venha, vamos treinar__ ofereceu uma das espadas a ele__ vai me ajudar assim.
__Hum... Mrs. Galvin não acha que é uma boa ideia__ o menino murmurou, mas obviamente estava tentado.
__Lembra do que eu disse em nosso ultimo treino?__ Joseph perguntou__ o que aconteceria se você conseguisse me acertar?
__Disse que eu ganharia um prêmio especial__ o menino sorriu de orelha a orelha e quando Joseph assentiu com um aceno ele se levantou de um salto e correu até ele, pegando a espada de madeira e assumindo a posição de luta. 
__Vamos ver se você andou praticando como eu mandei.
E os dois começaram a lutar. Demetria e os outros ficaram apenas em silencio observando e sorrindo, o único som era o das madeiras se chocando e dos gritinhos e murmúrios dos dois enquanto lutavam. Era impossível não sorrir com aquela cena, Joseph brincando com o menino como se fosse seu filho, nessas horas ele parecia tão... Normal.

Joseph era muito resistente, apesar da dor que sentia, em nenhum momento fraquejou ou parou com os movimentos, ele suportava tudo sem reclamar. Depois de vários minutos naquela brincadeira, em que Demetria resolveu torcer pelo Peter, incentivando o menino e arrancando uma risada e uma revirada de olhos do cavaleiro das sombras, ele acabou errando um movimento e Peter acertou sua perna com a espada de madeira.
__EU CONSEGUI__ ele gritou de olhos arregalados, sem conseguir acreditar naquilo__ eu consegui mesmo, eu consegui.
__É verdade, você conseguiu, me derrotou__ Joseph fez uma careta de decepção, mas era obviamente falsa. Ele não precisava dizer nada para que soubessem que ele deixara que o menino ganhasse de propósito.
Ele caminhou novamente até onde estavam suas coisas e pegou um embrulho fino e comprido que esteve escondido sobre seu manto.
__Como prometido__ ele estendeu o embrulho ao Peter__ seu prêmio.
O menino abriu o embrulho ansioso e tirou dentro uma espada. Uma espada de verdade e não de madeira, com bainha e tudo para que ele prendesse ao cinto. Era uma espada bem menor que do que o normal e também mais fina, feita especialmente para uma criança, mas era linda e Joseph nunca vira Peter tão contente na vida.

__É minha?__ ele olhou para Joseph com os olhos brilhando.
__Mandei o Harry fazer especialmente para você__ ele concordou__ gostou?
__É incrível__ ele sorriu e correu para abraçar Joseph, se jogando nos braços dele. 
__Você mereceu garoto__ Joseph o soltou e bagunçou os cabelos dele__, mas tem que tomar cuidado com isso, lembre-se que não é um brinquedo, é uma espada de verdade e pode se machucar com isso, tem que ter responsabilidade.
__Tudo bem, eu vou ter__ ele concordou__ vou mostrar ao meu pai.
E ele saiu correndo e rindo de volta pra casa.
__Foi muito legal isso que fez__ Demetria comentou__ deixá-lo ganhar.
__Eu não fiz nada__ ele disfarçou, mas depois sorriu__ ele é só uma criança, precisa de alegrias de vem em quando. 
Paola fitou Demetria discretamente, observando enquanto a princesa olhava para Joseph e sorria e sorriu também, um sorriso secreto e somente seu.
__Vitória está no La Luna?__ Demetria perguntou a Paola__ quero visitá-la, já faz alguns dias que não a vejo.
__Está sim, quando sai ela não tinha trabalho, concerteza vai ficar feliz em vê-la.
__Tudo bem, eu vou até lá... Volto mais tarde.

__Não devia passear por ai sozinha__ Joseph advertiu.
__Não posso ficar trancafiada para sempre__ a princesa resmungou.
__Você tem sorte que Klaus te deixa livre para vagar por ai e não te tranca em uma cela como os seus outros prisioneiros.
__Eu a acompanho__ Harry se ofereceu.
__Obrigada__ ela sorriu para ele.
__Mas ponha isso__ Paola tirou seu manto com capuz e entregou a ela__ é bom que os homens não te reconheçam.
__Tente não arrumar encrencas__ Joseph disse__ ainda não estou com disposição para correr atrás de você. 
__Não se preocupe comandante.
Ele observou enquanto ela punha o capuz e sumia em direção ao Bordel com Harry logo atrás. Ninguém mais tinha notado os sorrisos largos de Paola, mas ele a conhecia bem demais para saber o que ela devia estar pensando e fechou a cara.
__Quer treinar comigo?__ ofereceu a espada de madeira a ela.
__Não sei manejar uma espada.
__Sabe o suficiente para me ajudar, venha... Prometo pegar leve com você. 
__Tudo bem__ ela revirou os olhos.
Então Mrs. Galvin assistiu enquanto Joseph e Paola treinavam com as espadas de madeira.

Estranhos Desejos

Demetria passara a tarde inteira no La Luna conversando com Vitória e com as outras meninas, já fazia alguns dias que não as via e estava com saudade, se surpreendeu com quantos assuntos tinham para discutir, aquelas meninas sabiam de tudo que acontecia no Reino, diziam que era porque os homens gostavam de falar, principalmente quando estavam satisfeitos entre os lençóis e Demetria apenas ria com suas histórias. Vitória estava animada com a gravidez, e não parecia se importar por não saber quem era o pai, o fato de ter algo seu era o suficiente. 
Quando saiu do Bordel já era noite e Harry a acompanhou de volta a casa de Joseph. Despediu-se dele e agradeceu a escolta e então entrou na casa. Tudo estava escuro, exceto pela luz de algumas velas, como sempre. Joseph já estava na cama e depois de se livrar do manto e ela caminhou até ele para saber como estava. O encontrou se revirando inquieto na cama, estava sem roupa alguma, coberto até a cintura apenas pelo lençol e estava suado, parecia sentir dor.
__O que aconteceu?__ sentou-se na cama ao lado dele e estendeu a mão para tocar sua testa__ está ardendo em febre. 
__Acho que Mrs. Galvin tinha razão, aqueles exercícios não foram boa ideia__ ele disse com um meio sorriso, debochado. 
__Você tem que descansar, porque não consegue ficar quieto? Devia aproveitar que Klaus ainda não voltou, ele não poderá vê-lo nesse estado, concerteza não vai gostar__ ela resmungou__ já tomou a mistura para dor? 
__Já, mas o ombro não está incomodando tanto assim.
__Quer que chame Mrs. Galvin? Talvez ele tenha algo para fazê-lo sentir-se melhor.
__Não precisa, eu estou perfeitamente bem__ ele garantiu se remexendo e fazendo careta__ vai passar logo.
__Está suando__ ela se levantou e foi buscar uma bacia com água fria e um pano__ está com calor?
__Na verdade estou com frio.
__É por causa da febre__ ela disse__ está assim há quanto tempo?
__Não muito, deite-me para descansar e comecei a me sentir mal__ ele respondeu enquanto ela passava o pano molhado por seu rosto e pelo peito para limpar o suor__ ia me levantar para buscar mais lençóis, mas fique tonto e resolvi ficar deitado. 
__É isso que dá ser teimoso__ ela o repreendeu__ assim nunca vai ficar bom.

Ele a fitou enquanto passava o pano por seu corpo totalmente concentrada, Os olhos castanhos atentos, os cabelos negros caindo sobre os olhos e a pele clara cintilando a luz das velas. Agarrou seu pulso, parando sua mão.
__O que foi?__ ela perguntou confusa.
__Não preciso de médico e nem de babá, vou ficar bem__ empurrou a mão dela para longe__ pode parar com isso.
__Porque é tão teimoso?__ ela o olhou de cara feia__ porque se recusa a receber ajuda? Isso é só comigo ou é assim com todo mundo? Porque se não quiser receber ajuda da prisioneira idiota que você precisa proteger para que não matem sua família, pode falar, eu chamo Paola.
__Se eu dissesse que era esse o problema ainda assim me ajudaria?
__Você não é obrigado a gostar de mim, mas não é por isso que vou deixá-lo passar a noite agonizando, não sou esse tipo de pessoa. E não faço por você exclusivamente, mas pela sua família que é inocente e precisa de você. 
__Não tenho nada contra você__ ele sussurrou simplesmente.

__Então é apenas um idiota__ ela revirou os olhos__ devia ser mais educado de vez em quando, igual ao Alex. Ele também é um cavaleiro, não tão bom quanto você, mas é... E ele sabe ser educado, se fosse ele em seu lugar estaria sorrindo e agradecendo a ajuda.
__Mas eu não sou ele__ rebateu irritado__ esse seu príncipe estúpido.
__Ele não é estúpido__ ela se levantou mal humorada, largou a bacia com água em cima de uma mesinha e se afastou da cama, fechando as cortinas do dossel, o escondendo de sua visão__ Alex é um homem incrível, é bonito, inteligente, educado, corajoso. 
__Ele não é corajoso, quando soube quem eu era saiu correndo feito uma criança assustada.
__Ele estava fazendo o que era melhor para mim__ ela rebateu enquanto tirava o vestido, para poder colocar a camisola de dormir, tinha feito uma cama improvisada em um canto da casa, onde dormia todas as noites.
__Porque deixar você ser trazida até Klaus e usada por ele era o melhor para você. Claro__ ele revirou os olhos, mas depois ficou olhando para além das cortinas, a sombra da princesa enquanto deixava o vestido cair a seus pés e ficava nua__ se fosse comigo, teria matado todos aqueles soldados e a levado embora.
__Como fez com sua família?__ ela disse zangada, mas logo se arrependeu.
__É diferente__ ele sussurrou__ você sabe disso.
__Eu sei, desculpe__ ela terminou de pôr a camisola e voltou até ele, passando pelas cortinas e parando ao seu lado__ o remédio que Mrs. Galvin deixou para dor, se precisar de mais, e a pasta para o ferimento. Eu passaria, mas como você é capaz de se cuidar sozinho, então se vire.
Ela esperou que ele desse uma resposta mal criada, mas não o fez, apenas ficou quieto a olhando. Então ela colocou os dois remédios sobre a mesinha ao lado da cama, caso ele precisasse durante a noite. Não queria se preocupar com isso, mas era inevitável. Quando se virou para ir embora ele lhe agarrou o pulso, a impedindo de sair. 
__O que foi?__ ela o encarou confusa__ está com dor? 
Ele não respondeu, só assentiu lentamente com a cabeça, ainda a fitando profundamente. Demetria sentiu-se desconcertada com o brilho intenso daqueles olhos azuis. Algo no modo como a encarava fez seu estomago revirar em ansiedade. 
__Se deixar de ser orgulhoso posso ajudar.

Ele mais uma vez nada disse, apenas a puxou pelo braço com força, de forma que caiu sentada na cama em seu colo. Antes que a princesa pudesse perguntar o que ele estava fazendo, seus lábios estavam nos dela, calando qualquer pergunta ou protesto. Foi como da primeira vez, ele a beijou com desejo, de uma forma intima, como se ele a conhecesse melhor que qualquer outra pessoa e naquele momento quase pareceu verdade. Seus dedos se perderam no cabelo dela, a puxando para mais perto e Demetria perdeu completamente o fôlego enquanto a língua dele explorava sua boca, lhe roubando todos os sentidos. 
__Prometeu que nunca mais faria isso__ ela sussurrou, respirando com dificuldade quando ele a soltou.
__Eu menti__ ele murmurou baixinho, a olhando nos olhos__ sou bom nisso. 
Observou o rosto dela por um longo minuto como se tentasse adivinhar seus pensamentos e nenhum dos dois se moveu, apenas respirando fundo, o coração disparado, até que ele se aproximou e a beijou outra vez.

Dessa vez não teve pressa, a beijou com calma, saboreando seu gosto, a maciez dos lábios e o calor de sua pele. E dessa vez, ao invés de resistir, a princesa o beijou de volta, se entregando a sensação, e aquele estranho desejo que a acompanhava há um tempo, mas que insistia em negar. As línguas se envolveram numa dança lenta e erótica, e ela gemeu contra os lábios dele, tomada por um fome que nunca conhecera até então. 
__Pensei que estava com dor__ ela sussurrou.
__E estou__ ele concordou__ mas já sei como pode me ajudar. 
Joseph a puxou para mais perto, até que estivesse sentada em seu colo, de frente para ele, com as pernas em volta de sua cintura. A princesa lembrou-se de repente que ele estava completamente sem roupa e sentiu-se enrubescer, mas não teve tempo de pensar em mais nada, os lábios dele já estavam de volta nos seus, levando embora qualquer pensamento coerente. Ela bem que tentou, mas não conseguiu se lembrar do que porque aquilo estava errado. As mãos ágeis dele subiram acariciando seu corpo, até encontrar o laço que prendia a camisola e o desfez. Demetria se arrepiou ao sentir as mãos dele em sua cintura, e sua pele em contato com a dele, ele estava pegando fogo e apesar da febre, o calor do corpo dela levou embora todo o frio.

Lentamente, Joseph desceu os beijos em direção ao pescoço dela, com uma das mãos apertou a cintura fina e com a outra tomou um dos seios, acariciando com cuidado, ouvindo-a suspirar em seu ouvido, aquele som o enlouquecia. Demetria nunca sentira nada igual, quando Klaus a tocava, ou aqueles homens que quiseram lhe estuprar, ela só sentia repulsa e dor, uma agonia sem fim, mas enquanto Joseph a tocava, todo seu corpo pulsava e só conseguia pensar que não queria que ele parasse nunca. Seus dedos adentraram os cabelos dele, molhados pelo suor, e o puxaram para mais perto, apreciando o contato da língua dele em sua pele. 
__Diga-me__ ele parou um instante com os beijos para sussurrar em seu ouvido__ seu precioso príncipe encantado alguma vez já a fez sentir-se assim? 
Ela não conseguiu responder, só enterrou as unhas na pele dele. Joseph a segurou com firmeza, e ignorando completamente a dor que sentia, mudou de posição, a deitando na cama e deitando-se sobre ela. A coberta que o escondia caiu e Demetria gemeu ao sentir o corpo dele em contato com o seu, prendendo as pernas em volta de sua cintura num ato involuntário. Ele a beijou mais uma vez, enquanto suas mãos habilidosas lhe exploravam o corpo, despertando-a por completo.

Foi descendo os beijos por seu pescoço até alcançar os seios, lambendo, chupando com vontade, adorando o gosto da pele dela, e gemendo enquanto a sentia rebolar contra seu quadril, o deixando cada vez mais excitado, não se lembrava de já ter desejado uma mulher tanto quanto desejava aquela princesa. Demetria não havia se esquecido das coisas que Vitória lhe ensinara e aquela foi a primeira vez que teve vontade de usá-las e pode sentir que funcionava. Não ficou parada enquanto ele a agradava, deixando o instinto falar mais alto e largando de lado a vergonha deixou que suas mãos vagassem também pelo corpo dele, sentindo cada pedacinho dos músculos fortes, a barriga sarada. 
Joseph se ajoelhou a sua frente, os olhos azuis cintilando de desejo enquanto a observava, nunca admitira antes, mas agora via que era verdade, não havia em todo país mulher mais bonita que a princesa de Severac. Desde os olhos gentis, aos cabelos sedosos, e aquele corpo perfeito que agora estava ali a sua frente, totalmente entregue. Tirou ainda mais prazer daquele momento lembrando-se da regra do Rei de que nenhum homem poderia tocá-la além dele, agora entendia o sentido daquilo, o proibido era mais excitante, mas não quis pensar no que aconteceria se Klaus descobrisse, não queria se arrepender do que estava fazendo.

Ainda Ajoelhado, segurou-a pelos quadris, levantando uma parte de seu corpo da cama e a puxou para si, penetrando-a lentamente, saboreando a expressão de prazer no rosto dela enquanto a invadia. A princesa envolveu novamente as pernas em sua cintura e ele começou a investir para dentro dela, primeiro lentamente, só para provocá-la, e depois mais rápido, ouvindo seus gemidos ficarem mais altos a cada movimento. Ela manteve os olhos nos dele no começo, mordendo o lábios com força e enterrando as unhas nos braços dele, mas depois, quando o prazer tomou conta e não conseguia mais raciocinar, jogou a cabeça para trás, apertando os lençóis e gemendo mais alto, sem se importar se alguém ouviria ou não. 
Joseph se inclinou sobre ela, sem parar de investir, e beijou-a avidamente, com desejo e luxúria, depois escondeu o rosto na curva de seu pescoço, e ela o abraçou com força, enterrando as unhas nos ombros dele, o que causou uma pontada de dor por conta do machucado, mas não se importou com nada daquilo.
Sentiu que ela se contorcia cada vez mais sob seu corpo, chegando perto do clímax e foi mais rápido, até que finalmente alcançaram o prazer máximo juntos. Deixou o peso do corpo cair sobre o dela, tomado por uma fraqueza boa, e ficaram ali em silencio, abraçados, recuperando o fôlego e os sentidos. 
Quando já podia respirar normalmente, a beijou outra vez, de alguma forma ainda não satisfeito, querendo senti-la um pouco mais. Demetria correspondeu de bom grado, sentindo-se bem de uma forma que nunca provara antes. 
__Sente-se melhor agora?__ ela perguntou baixinho.
__Muito melhor__ ele concordou sorrindo, o frio tinha sumido e a dor era uma lembrança distante, quase nem conseguia senti-la com tantas outras sensações lhe tomando__ estamos quites agora. 
__Porque fez isso?__ Demetria questionou o olhando com atenção.
__O que?__ ele a encarou confuso.
__Fazer amor comigo__ ela explicou__ por quê? 
__Como assim por quê?
__Só quero saber__ ela sussurrou mordendo o lábio__ foi porque queria irritar o Klaus? Para provar alguma coisa, igual da primeira vez em que me beijou? Ou... __ ela exitou__ já tinha deixado claro que só me protegia porque era seu trabalho. Só quero saber se sirvo de objeto para você igual sirvo para Klaus. Os homens parecem gostar de se divertir as minhas custas. 
__Não estou me divertindo as suas custas, não que isso não tenho sido divertido__ ele provocou__ acha que eu arriscaria irritar Klaus e ele machucar minha família só pra provar alguma coisa? Eu estava com raiva daquela vez, foi diferente. Mas não sou o tipo de pessoa que arrisca tudo que tem sem realmente se importar, você sabe disso princesa.
__E o que isso quer dizer? 
__Que por mais que seja estúpido me importo com você__ ele respondeu__ não é só pena pelas coisas que sofreu, eu te respeito e acho que ganhou minha afeição por ter tanta coragem. Mesmo com medo de mim sempre teve a coragem de me enfrentar, não são muitos que conseguem fazer isso. 
__Eu não tinha muita coisa a perder__ deu de ombros.
__Fiz amor com você porque a desejava__ murmurou a olhando nos olhos__ não sei mais o que dizer. 
__Não precisa dizer mais nada. 
E então o puxou gentilmente pela nuca para mais um beijo. 

Fim do Capítulo
Hahahaha gostaram desse capitulo???
Acho que da pra ter 10 comentarios né??