Capítulo Seis

Demi o fitou totalmente incapaz de falar. Joe se inclinou um pouco para frente; acrescentando com ar malicioso: 
— Posso imaginar como isso soa errado para você, mas não se preocupe. Será o nosso segredo. Ninguém precisa saber. 
Isso forçou Demi a falar: 
— O que está dizendo? 
Corou e baixou a cabeça. O silêncio os envolveu. Quando ela tornou a olhar para cima, o sorriso compreensivo dele a fez vibrar. 
— Quero usar o ateliê para trabalhar. Sei que gosta de manter distância do resto dos empregados da casa, mas, no momento, não há ninguém. Poderá se mudar por certo tempo e deixar o ateliê para mim. — Fitou-a; dessa vez, com seriedade. — Pode confiar. Minha proposta nada tem de censurável. 
No silêncio, Demi sentiu um som intenso dentro de sua cabeça. Eram seus sonhos que se espatifavam. 
— A menos que — prosseguiu ele — você tenha outras ideias em mente...? 
Demi sentiu o perigo. Sua mãe podia ter afastado todos os seus namorados e pretendes, preservando sua inocência, mas, quando se tratava de Joe Jonas, não era necessário ter experiência prévia para saber quem ele era. Um sedutor da cabeça aos pés. 
Com o pé, ele impulsionou o balanço, que começou a se mover suavemente ao sabor da brisa noturna. Demi pensou que isso iria refrescar suas faces vermelhas, porém na verdade sentiu mais calor do que antes. Sensações estranhas percorriam seu corpo cada vez que o fitava. Jamais tivera tal experiência na vida. Sempre evitava fazer contato visual com os homens. Ali, na presença de Joe, o contato visual era um prazer. 
Ele passou o braço por trás do assento do balanço duplo com gesto displicente. 
Demi sentiu uma vontade enorme de se apoiar no ombro forte. 
Já sentira a pressão de sua mão antes, e precisou fazer muita força para não ceder à tentação. 
— O que foi cara? 
Ela se levantou de supetão. 
— Não estou gostando disso. 
Joe riu. Um riso baixo e provocante. 
— Não...? Pois eu acho que gosta e muito. 
Demi não conseguiu responder. Contar a verdade nessa hora só lhe traria problemas. 
— Esta noite pertence a nós dois; Demi. Não há espectadores nem ninguém para ouvir atrás das portas. Somos livres para sermos nós mesmos. 
Fitou-a de alto á baixo com olhar experiente. Demi se sentiu um coelho acuado por uma raposa esperta. Voltou-se a se sentar no balanço, vagamente surpresa com sua própria coragem. 
Ele sorriu e esticou as pernas. Sua linguagem corporal não podia ser mais clara. 
Parecia completamente diferente do executivo cansado do mundo que chegara à Villa poucos dias antes. Demi prendeu a respiração. Ele era maravilhoso. Maravilhosamente perigoso, tratou de se lembrar. Algo em seu olhar a alertava para tomar cuidado. Afinal, não passava de uma funcionária temporária. Seria loucura encorajá-lo. 
Joe surgira em sua vida por acaso, e desapareceria com a mesma rapidez. 
— Deseja mais champanhe, signor! — perguntou, para romper a tensão. 
Ele balançou a cabeça dizendo que não, e ela apertou os lábios. Joe devia julgá-la uma simplória, falando de champanhe quando havia tantas outras propostas encobertas. O próximo passo seria julgá-la uma completa idiota. 
Demi sabia que isso não era verdade... Apesar de sua mãe sempre chamá-la de boba. 
— Então... Qual sua resposta? — insistiu ele. — Vai se mudar daqui para que eu possa aproveitar os benefícios desse ateliê que Terence mandou construir? A mudança nos fará bem. Acredite. 
Demi sabia que a última coisa a fazer era confiar nele. 
Por outro lado... Precisava provar que não era uma tola ingênua. Joe  parecera muito cansado ao chegar à Villa. Já estava muito melhor. Não seria conveniente aceitar o que propunha? A música e a pintura provocavam milagres como forma de terapia. A arte em geral era benéfica. 
— Muito bem — concordou, antes que mudasse de ideia. Mas estava determinada a manter distância. 
— Ótimo... Deixou um bilionário exausto muito feliz — disse ele, rindo de leve. 
Demi sentiu que não rira dela. A expressão de seu rosto falava em um cansaço mais profundo do que as palavras externavam. Estremeceu, e Joe  pareceu sair de um sonho. 
— Você está com frio. Não devo mantê-la longe da cama por mais tempo, Demi. Vou me retirar. 
Levantou-se e se inclinou, quase encostando seus rostos. Pegou a mão dela e a levou aos lábios. 
— Buona notteDemi. Bons sonhos — acrescentou, com um brilho de malícia nos olhos, enquanto se afastava. 
Demi o viu se distanciar no jardim escuro. A camisa branca permaneceu visível por muito tempo. Sua figura só desapareceu por completo quando fechou a porta da casa. 
Isso rompeu o encanto que exercia sobre ela. Levantando-se do balanço, Demi entrou devagar de volta no ateliê. Como pudera se enganar tanto com ele? Embora não tivesse dúvida de que sob o exterior elegante e belo Joe Jonas fosse impiedoso, nessa noite demonstrara um grande charme. 
Demi entrou correndo no ateliê. 
Demi programou o alarme para as 4:00 horas da manhã, mas acordou a tempo de desligá-lo antes que tocasse. O barulho teria ecoado em meio ao silêncio e tranquilidade de Jolie Fleur. A lembrança do encontro à meia-noite com Joe estava vivida em sua memória. 
Não demorou em fazer a mala, que colocou na soleira da porta. Depois, tomou banho e vestiu um biquíni. Fora uma longa noite e dormira pouco. Um mergulho antes do café da manhã iria reanimá-la. O alvorecer no jardim era tão maravilhoso quanto á noite, e Demi não via a hora de repetir o encontro com Joe. Colocou um roupão sobre o biquíni para ir até a piscina externa da Villa. O sol ainda estava fraco, envolvido pela névoa marítima. 
Deixando o ateliê pela última vez, sentiu a brisa fria no corpo. Circundou a piscina e parou de supetão. 
Joe já estava na água, nadando como um peixe. 
— Buon giorno, Demi. — Ergueu a mão em uma saudação, e a água escorreu pelo braço musculoso. Nadou depressa até a borda. E a fitou da água. 
— A água está fria, mas nadar é uma boa maneira de começar bem o dia. Entre. 
— Eu... Não, obrigada. Não vim aqui para nadar. Apenas... Estava dando um passeio. 
Joe se atirou para trás, fazendo espuma. Demi afastou os olhos do físico viril. A tentação era enorme, mas tentou agir como se ver homens musculosos só de calção de banho fizessem parte de sua vida. 
Continua...

Oi amores, tudo bom?

Então como vocês já sabem tem dias para entrar capítulo no blog, mais decidi fazer uma votação para vocês escolherem o dia que vocês querem o capítulo. Ao lado dessa postagem tem a votação, os dias que receberem mais votos vai ser o dia da postagem. A votação se encerra dia 29/09.

Por enquanto os dias das postagens ainda será terça, quinta e domingo até sair o resultado da votação.

Beijos amores e até quinta com o próximo capítulo.

Capítulo Cinco

Imaginou o que faria se Joe insistisse para que se aproximasse. Entre a vontade de fazer o que era certo e imaginar como seria maravilhoso fazer o que era errado, Demi ficou tensa. O perfume das rosas se misturava ao de jasmim. Para ela, esse momento era um sonho que se transformara em realidade. 
Começou a se perder em um mundo de fantasia. 
— É assim que imagino um verdadeiro jardim campestre na Inglaterra — acabou dizendo. 
— Então está com saudades de casa, Demi? 
— Oh, desculpe! Não pretendia dizer isso em voz alta. 
— Não se preocupe — murmurou ele com sua voz profunda e hipnótica. — E, já que a chamo de Demi, deve me chamar de Joe. 
Demi ficou mais tensa, e tratou de se concentrar nos morangos dentro do copo. 
Ele lhe entregou uma colher de prata. Uma a uma, Demi retirou as frutas e saboreou esse prazer raro. 
— Não respondeu minha pergunta, Demi. Está com saudades de casa? 
— Não, de jeito nenhum... Se estiver se referindo ao meu apartamento. Mas pus tudo isso para trás. Quero dizer... Não tenho mais um lar na Inglaterra. E ainda não consegui realizar meu sonho de ter uma casinha como esse ateliê, com uma roseira na porta. 
— Sim, mas isto aqui não é um lar de verdade, apenas um ateliê... Que eu esperava usar — acrescentou Joe. 
Demi percebeu o tom de tristeza. 
— Pode trabalhar na mansão, signor... — Ele lhe lançou um olhar de censura. — Quero dizer, Joe. Deveria ter-me deixado acompanhá-lo em um passeio pela propriedade. A casa está equipada para ser um verdadeiro escritório comercial. Tem tudo... 
Ele a silenciou erguendo a mão. 
— Não, obrigado. Isto é tudo de que preciso no momento... Paz e tranquilidade. Hoje só quero beber champanhe sob as estrelas. 
Fez um gesto para o céu. Demi ergueu os olhos, seguindo seu dedo. A costa ficava atrás deles, e estavam de frente para a Villa. Além de seus muros, surgiam quilômetros de campos. Não havia luzes de neon para ofuscar as estrelas que piscavam no céu de veludo negro. 
— Já viu alguma coisa mais bonita que essa Demi? 
Ela disse que não, balançando a cabeça, embora pensasse que ele era mais bonito do que qualquer outra coisa à vista. 
Suas emoções estavam à flor da pele. Em parte desejava que Joe falasse mais e a seduzisse sob as estrelas. Mas o bom senso a fazia retroceder. 
Sua mãe sempre lhe, dissera que os homens não eram confiáveis. Nenhum ficava muito tempo para namorar Demi depois que conhecia a temível senhora Lovato. 
Como resultado disso, Demi não conseguia se sentir à vontade perto de Joe; estava ocupada demais procurando por sinais de alerta. 
Entretanto, se ele percebia sua tensão, nada demonstrou. 
— Creio que foi a noite mais agradável que já passei. — Ele ergueu o copo em uma saudação. — Obrigado por compartilhá-la comigo. 
Demi ficou estupefata. Ninguém jamais lhe dissera algo parecido. 
— Se há alguma coisa que deseja Joe, pode me pedir — murmurou em tom profissional. 
Ele apoiou o copo na mesa. 
— Oferta perigosa, Demi — disse, com olhar provocante. — Mas... Se não se importa... Talvez possa me fazer um favor? 
— O que é? — perguntou ela... Depressa demais. 
Ele sorriu de modo tentador. 
— Que tal se mudar para a Villa enquanto eu estiver aqui? 
Continua ...