Capítulo Sete

— Se não veio aqui para nadar, por que está usando um biquíni? 
Demi baixou os olhos e viu que o cinto do roupão afrouxara durante a caminhada. 
Tratou de dar um nó mais apertado e se cobrir. 
Joe nadou de volta para a beirada com grande habilidade. Demi corou, lembrando-se dos detalhes da conversa na noite anterior. Só ela ficara constrangida, e desejou dizer algo interessante. Alguma coisa... Qualquer coisa... Para recuperar a magia. 
— Então? O que está esperando? — insistiu ele. — Venha para a água comigo. 
Ela torceu a ponta do cinto. 
— Não posso... Sou apenas uma empregada aqui. Você é o, hóspede. 
— E só estou convidando-a para entrar na piscina. Não existe regra que impeça isso, existe? 
Demi não sabia o que fazer e se sentia novamente hipnotizada por ele. O instinto lhe dizia para aproveitar, mas a decência a mandava correr para longe. 
Ela observou um passarinho percorrer a borda da piscina desejou ter a mesma determinação. 
— Desculpe Joe. Este não é o meu lugar. 
Ele nadava de costas sem tirar os olhos dela. Demi não pôde deixar de admirar o corpo másculo e belo, os músculos rijos e a pele lisa. Quase dois metros de perfeição masculina. Joe tinha a palidez de quem ficava o dia inteiro atrás de uma escrivaninha, mas poderia ficar bronzeado com facilidade. Ela imaginou o efeito, e estremeceu. 
Sua expressão devia ser sonhadora, porque ele riu. 
— Se está determinada a ser um membro da criadagem, então também irei me ater às regras. Como hóspede, vou lhe dar uma ordem. É válido aproveitar a vida... Portanto entre na piscina e comece a se divertir. 
Demi fora criada para obedecer às ordens. Mas essa em especial, á deixou apavorada. 
Sem pensar mais, despiu o roupão e mergulhou. A sensação de liberdade á fez relaxar imediatamente. O choque da água fria a reanimou como Joe previra. Ela retornou a superfície rindo. Olhou em volta para se orientar, e notou a cabeça morena que mergulhara de novo. De repente sentiu que Joe segurava suas pernas e subia ás mãos pelo seu corpo. 
Virando de costas, Demi deu um impulso e se afastou para a borda com braçadas frenéticas. Quando a alcançou, ofegante viu que ele a seguira. 
— Não... Por favor, não me venha com brincadeiras, Joe. Não sou boa nadadora! 
Ele mostrou os dentes brancos. 
— Seu mergulho me pareceu excelente. 
Ela riu, constrangida e feliz ao mesmo tempo com o elogio. — Prefiro mergulhar de uma vez para não sentir tanto frio. 
Joe fitou seu corpo sob a água, fazendo-a corar. 
— Você é uma atleta. Posso afirmar, por causa do seu bronzeado. 
Durante sua vida profissional, Demi ouvira; franceses falando inglês com sotaque, mas era a primeira vez que apreciava um sotaque italiano. Riu. 
— Não estou bronzeada de verdade! Apenas dou uma corrida ao sol quando posso. Ajuda-me a resolver os problemas. 
— Estou surpreso que uma garota tão jovem tenha problemas. A limpeza e ordem da Villa demonstram que é perfeita no que faz. O que mais pode preocupá-la? 
— Minha mãe morreu em abril. 
A expressão de Joe  se suavizou. 
— Lamento. 
Demi se censurou por incomodar um hóspede com sua vida particular, e tratou de apagar a má impressão. 
— Não lamente. Nós duas nunca fomos íntimas. 
— Íntimas? — Ele ficou sério, baixando os olhos para a própria mão esquerda sem aliança. — Alguns relacionamentos não valem a pena. Minha mãe nunca se incomodaria a me tirar da cadeia se fosse preciso. 
Demi ficou surpresa. 
— Fala sério? 
Joe fitou o jardim de maneira pensativa. 
— Tudo que consegui na vida foi apesar de minha família, e não por causa dela. 
Demi imaginou se o comentário tinha algo a ver com os parentes que despedira. 
Decidiu que era melhor não perguntar. 
— Então, lamento por você. Minha mãe não era tão má assim. 
Ele voltou a prestar atenção em Demi. 
— Não fique triste por mim. Só provocará problemas. 
Curiosa, Demi inclinou a cabeça para um lado. 
— O que quer dizer? 
Os olhos de Joe eram misteriosos. 
— Se ficar me olhando assim, logo descobrirá. 
Demi estremeceu. Seus mamilos estavam endurecendo, e não era apenas por causa da água fria. Era pelo modo como Joe a olhava. Parecia ler sua alma. 
Continua ...

Capítulo Seis

Demi o fitou totalmente incapaz de falar. Joe se inclinou um pouco para frente; acrescentando com ar malicioso: 
— Posso imaginar como isso soa errado para você, mas não se preocupe. Será o nosso segredo. Ninguém precisa saber. 
Isso forçou Demi a falar: 
— O que está dizendo? 
Corou e baixou a cabeça. O silêncio os envolveu. Quando ela tornou a olhar para cima, o sorriso compreensivo dele a fez vibrar. 
— Quero usar o ateliê para trabalhar. Sei que gosta de manter distância do resto dos empregados da casa, mas, no momento, não há ninguém. Poderá se mudar por certo tempo e deixar o ateliê para mim. — Fitou-a; dessa vez, com seriedade. — Pode confiar. Minha proposta nada tem de censurável. 
No silêncio, Demi sentiu um som intenso dentro de sua cabeça. Eram seus sonhos que se espatifavam. 
— A menos que — prosseguiu ele — você tenha outras ideias em mente...? 
Demi sentiu o perigo. Sua mãe podia ter afastado todos os seus namorados e pretendes, preservando sua inocência, mas, quando se tratava de Joe Jonas, não era necessário ter experiência prévia para saber quem ele era. Um sedutor da cabeça aos pés. 
Com o pé, ele impulsionou o balanço, que começou a se mover suavemente ao sabor da brisa noturna. Demi pensou que isso iria refrescar suas faces vermelhas, porém na verdade sentiu mais calor do que antes. Sensações estranhas percorriam seu corpo cada vez que o fitava. Jamais tivera tal experiência na vida. Sempre evitava fazer contato visual com os homens. Ali, na presença de Joe, o contato visual era um prazer. 
Ele passou o braço por trás do assento do balanço duplo com gesto displicente. 
Demi sentiu uma vontade enorme de se apoiar no ombro forte. 
Já sentira a pressão de sua mão antes, e precisou fazer muita força para não ceder à tentação. 
— O que foi cara? 
Ela se levantou de supetão. 
— Não estou gostando disso. 
Joe riu. Um riso baixo e provocante. 
— Não...? Pois eu acho que gosta e muito. 
Demi não conseguiu responder. Contar a verdade nessa hora só lhe traria problemas. 
— Esta noite pertence a nós dois; Demi. Não há espectadores nem ninguém para ouvir atrás das portas. Somos livres para sermos nós mesmos. 
Fitou-a de alto á baixo com olhar experiente. Demi se sentiu um coelho acuado por uma raposa esperta. Voltou-se a se sentar no balanço, vagamente surpresa com sua própria coragem. 
Ele sorriu e esticou as pernas. Sua linguagem corporal não podia ser mais clara. 
Parecia completamente diferente do executivo cansado do mundo que chegara à Villa poucos dias antes. Demi prendeu a respiração. Ele era maravilhoso. Maravilhosamente perigoso, tratou de se lembrar. Algo em seu olhar a alertava para tomar cuidado. Afinal, não passava de uma funcionária temporária. Seria loucura encorajá-lo. 
Joe surgira em sua vida por acaso, e desapareceria com a mesma rapidez. 
— Deseja mais champanhe, signor! — perguntou, para romper a tensão. 
Ele balançou a cabeça dizendo que não, e ela apertou os lábios. Joe devia julgá-la uma simplória, falando de champanhe quando havia tantas outras propostas encobertas. O próximo passo seria julgá-la uma completa idiota. 
Demi sabia que isso não era verdade... Apesar de sua mãe sempre chamá-la de boba. 
— Então... Qual sua resposta? — insistiu ele. — Vai se mudar daqui para que eu possa aproveitar os benefícios desse ateliê que Terence mandou construir? A mudança nos fará bem. Acredite. 
Demi sabia que a última coisa a fazer era confiar nele. 
Por outro lado... Precisava provar que não era uma tola ingênua. Joe  parecera muito cansado ao chegar à Villa. Já estava muito melhor. Não seria conveniente aceitar o que propunha? A música e a pintura provocavam milagres como forma de terapia. A arte em geral era benéfica. 
— Muito bem — concordou, antes que mudasse de ideia. Mas estava determinada a manter distância. 
— Ótimo... Deixou um bilionário exausto muito feliz — disse ele, rindo de leve. 
Demi sentiu que não rira dela. A expressão de seu rosto falava em um cansaço mais profundo do que as palavras externavam. Estremeceu, e Joe  pareceu sair de um sonho. 
— Você está com frio. Não devo mantê-la longe da cama por mais tempo, Demi. Vou me retirar. 
Levantou-se e se inclinou, quase encostando seus rostos. Pegou a mão dela e a levou aos lábios. 
— Buona notte, Demi. Bons sonhos — acrescentou, com um brilho de malícia nos olhos, enquanto se afastava. 
Demi o viu se distanciar no jardim escuro. A camisa branca permaneceu visível por muito tempo. Sua figura só desapareceu por completo quando fechou a porta da casa. 
Isso rompeu o encanto que exercia sobre ela. Levantando-se do balanço, Demi entrou devagar de volta no ateliê. Como pudera se enganar tanto com ele? Embora não tivesse dúvida de que sob o exterior elegante e belo Joe Jonas fosse impiedoso, nessa noite demonstrara um grande charme. 
Demi entrou correndo no ateliê. 
Demi programou o alarme para as 4:00 horas da manhã, mas acordou a tempo de desligá-lo antes que tocasse. O barulho teria ecoado em meio ao silêncio e tranquilidade de Jolie Fleur. A lembrança do encontro à meia-noite com Joe estava vivida em sua memória. 
Não demorou em fazer a mala, que colocou na soleira da porta. Depois, tomou banho e vestiu um biquíni. Fora uma longa noite e dormira pouco. Um mergulho antes do café da manhã iria reanimá-la. O alvorecer no jardim era tão maravilhoso quanto á noite, e Demi não via a hora de repetir o encontro com Joe. Colocou um roupão sobre o biquíni para ir até a piscina externa da Villa. O sol ainda estava fraco, envolvido pela névoa marítima. 
Deixando o ateliê pela última vez, sentiu a brisa fria no corpo. Circundou a piscina e parou de supetão. 
Joe já estava na água, nadando como um peixe. 
— Buon giorno, Demi. — Ergueu a mão em uma saudação, e a água escorreu pelo braço musculoso. Nadou depressa até a borda. E a fitou da água. 
— A água está fria, mas nadar é uma boa maneira de começar bem o dia. Entre. 
— Eu... Não, obrigada. Não vim aqui para nadar. Apenas... Estava dando um passeio. 
Joe se atirou para trás, fazendo espuma. Demi afastou os olhos do físico viril. A tentação era enorme, mas tentou agir como se ver homens musculosos só de calção de banho fizessem parte de sua vida. 
Continua...