Capítulo 4 Bound By Honor

— Agora!  
Ela agarrou a mão de Fabiano e arrastou Lily e ele. Não acho que o primeiro encontro com o meu futuro marido poderia ter sido pior. Virando-me, eu enfrentei ele e seus homens. Eu esperava ser recebida com fúria, mas encontrei um sorriso no rosto de Joe, em vez disso. Minhas bochechas estavam queimando de vergonha, e agora que eu estava sozinha com os três homens meu estômago se contorcia de tensão. Minha mãe ia pirar se descobrisse que eu não estava vestida de forma adequada no nosso primeiro encontro. Eu estava usando um dos meus favoritos maxi vestidos com mangas que iam até os cotovelos, e estava contente com a proteção que o tecido me oferecia. Cruzei os braços na frente do meu corpo, sem saber o que fazer. — Peço desculpas pelos meus irmãos. Eles estavam... — Lutei por uma palavra que não fosse rude.  
— Protegendo você — disse Joe simplesmente. Sua voz era a mesma, profunda e sem emoção. — Este é o meu irmão Nicholas 
Os lábios de Nick abriram um largo sorriso. Eu estava feliz por ele não tentar pegar minha mão. Não acho que poderia ter mantido a compostura se um dos dois chegasse mais perto. — E este à minha direita é Cesare. — Cesare me deu um breve aceno antes de voltar à sua tarefa de olhar o corredor. O que ele estava esperando? Nós não temos assassinos escondidos em alçapões secretos. 
Concentrei-me no queixo de Joe e esperei que isso fizesse parecer que estava olhando para os seus olhos. Dei um passo para trás. — Eu deveria ir com os meus irmãos.  
Joe tinha uma expressão de conhecimento no rosto, mas eu não me importava se ele visse o quão desconfortável e com medo ele me deixou. Não esperei que ele me desse licença – ele não era o meu marido nem meu noivo ainda – me virei e me afastei rapidamente, orgulhosa por não ter cedido à vontade de correr.  
***  
Mamãe puxou o vestido que meu pai tinha escolhido para a ocasião. Para o show da carne, como Gianna chamou. Não importa o quanto minha mãe puxasse, o vestido não era muito longo. Olhei-me no espelho, insegura. Eu nunca tinha usado nada muito revelador. O vestido preto era agarrado à minha bunda e cintura, e terminava nas minhas coxas; a parte de cima era um top dourado reluzente com tiras de tule preto. — Eu não posso usar isso, mãe.  
Minha mãe encontrou meu olhar no espelho. Seu cabelo estava preso para cima, alguns tons mais escuros do que o meu. Ela usava um vestido comprido elegante. Eu desejei que pudesse usar algo mais discreto. — Você se parece com uma mulher— ela sussurrou.  
Eu me encolhi. — Eu pareço uma prostituta.  
— Prostitutas não podem pagar por um vestido como esse.  
A amante do pai tinha roupas que custavam mais do que algumas pessoas pagam por um carro. Mamãe colocou as mãos na minha cintura. — Você tem uma cintura de vespa, e esse vestido faz suas pernas parecerem muito mais longas. Tenho certeza de que Joe irá apreciar. 
Fiquei olhando para o meu decote. Eu tinha seios pequenos, até mesmo o efeito de um bom sutiã não poderia mudar isso. Eu parecia uma garota de quinze anos vestida como uma mulher.  
— Aqui. — Minha mãe me deu saltos pretos de 13 cm. Talvez assim eu alcançasse o queixo de Joe. — Coloque. — Mamãe forçou um sorriso falso em seu rosto e alisou meu cabelo comprido. — Mantenha sua cabeça erguida. Fiore Cavallaro a chamou de a mais bela mulher de Chicago. Mostre a Joe e sua comitiva que você é mais bonita do que todas as mulheres de Nova York também. Afinal, Joe conhece quase todas elas. — Ela disse isso de um jeito que eu tive certeza que ela também leu os artigos sobre as conquistas de Joe, ou talvez o pai tenha dito a ela alguma coisa. 
 — Mãe, — eu disse, hesitante, mas ela recuou. — Agora vá. Eu vou atrás de você, mas esse é o seu dia. Você deve entrar na sala sozinha. Os homens estarão esperando. Seu pai vai apresentá-la para Joe e depois nós vamos ir todos juntos para sala de jantar. — Ela já me disse isso dezenas de vezes.  
Por um momento eu quis pegar a sua mão e pedir-lhe para me acompanhar; ao invés disso eu me virei e saí do quarto. Eu estava feliz por minha mãe ter me forçado a usar saltos nas últimas semanas. Quando eu cheguei à frente da porta da sala da lareira no primeiro andar na ala oeste, meu coração estava batendo na minha garganta. Desejei que Gianna estivesse ao meu lado, mas mamãe, provavelmente, a advertiu para que se comportasse. Eu tinha que passar por isso sozinha. Ninguém deveria roubar o brilho da noiva.  
Eu olhei para a madeira escura da porta e considerei fugir. Uma risada masculina passou pela porta, era o meu pai e o Chefe. Uma sala cheia com os homens mais poderosos e perigosos do país e era para eu entrar ali. Um cordeiro sozinho com lobos. Eu balancei minha cabeça. Precisava parar de pensar assim. Eu os tinha feito esperar por muito tempo já.  
Segurei a maçaneta e empurrei para baixo. Escorreguei pra dentro, ainda sem olhar para ninguém, e fechei a porta. Reunindo toda a minha coragem, enfrentei a sala. A conversa morreu. Eu deveria dizer alguma coisa? Eu tremia e esperava que eles não pudessem ver. Meu pai parecia como o gato que roubou o leite  . Meus olhos procuraram Joe e seu olhar penetrante me deixou imóvel. Prendi a respiração. Ele colocou um copo com líquido escuro sobre a mesa com um bater audível. Se ninguém dissesse algo logo eu ia fugir para o meu quarto. Percorri os rostos dos homens reunidos. De Nova York havia NickJoe e Salvatore Vitiello e dois guarda-costas: Cesare e um rapaz que eu não conhecia. Da equipe de Chicago, havia meu pai, Fiore Cavallaro, e seu filho, o futuro Chefe, Dante Cavallaro, bem como Umberto e meu primo Raffaele, que eu odiava com a força ardente de mil sóis. E ao lado deles estava o pobre Fabiano, que teve que usar um terno preto, como todos. Podia ver que ele queria correr em minha direção e buscar consolo, mas ele sabia o que nosso pai diria sobre isso.  
Papai finalmente virou-se para mim, colocou a mão nas minhas costas e me levou para os homens reunidos como um cordeiro é levado para o abate. O único homem que parecia positivamente entediado, perdido em seus pensamentos, era Dante Cavallaro; ele só tinha olhos para seu uísque. Nossa família tinha assistido ao funeral de sua esposa há dois meses. Um viúvo de trinta anos. Eu teria sentido pena dele se ele não me assustasse tanto, quase tanto quanto Joe 
É claro que meu pai me conduziu em linha reta na direção do meu futuro marido com uma expressão desafiadora, como se esperasse que Joe caísse de joelhos de admiração.  
Analisando sua expressão, Joe poderia muito bem estar olhando para uma pedra. Seus olhos cinzentos eram duros e frios quando eles se concentraram em meu pai.  
— Esta é a minha filha, Demi 
Aparentemente, Joe não tinha mencionado o nosso encontro embaraçoso. Fiore Cavallaro falou. — Eu não exagerei, não é?  
Eu desejei que o chão se abrisse e me engolisse. Eu nunca havia sido submetida a tanta... Atenção. A maneira como Raffaele olhou para mim fez minha pele se arrepiar. Ele tinha sido iniciado apenas recentemente e tinha feito dezoito anos há duas semanas. Desde então, ele era ainda mais detestável do que antes.  
— Não, você não exagerou, — disse Joe simplesmente.  
Meu pai parecia obviamente satisfeito. Sem que ninguém percebesse, Fabiano tinha se esgueirado por trás de mim e enfiado sua mão na minha. Bem, Joe tinha notado e estava olhando para o meu irmão, o que trouxe seu olhar para perto demais das minhas coxas nuas. Me mexi nervosamente e Joe desviou o olhar.  
— Talvez os noivos queiram ficar sozinhos por alguns minutos? — Salvatore Vitiello sugeriu. Meus olhos pularam em sua direção e eu não consegui esconder meu choque rápido o suficiente. Joe notou, mas não pareceu se importar.  
Meu pai sorriu e se virou para sair. Eu não podia acreditar.  
— Devo ficar? — perguntou Umberto. Eu dei-lhe um sorriso rápido, que desapareceu quando meu pai balançou a cabeça. — Dê-lhes alguns minutos a sós, — disse ele. Salvatore Vitiello realmente piscou para Joe. Todos eles saíram até que Joe, Fabiano e eu ficamos.

2 comentários:

  1. Que intenso !!!
    Babado esse capitulo kkkk
    Quero mais kkk ansiosa
    Beijos

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Espero que tenham gostado do capítulo :*