Capítulo 8



Demi franziu a testa. Eles nunca conversavam sobre os mesmos assuntos compartilhados por outros casais. Achava que eles já estavam juntos há tempo suficiente para que ela pudesse saber um pouco mais sobre o seu passado. Como eles poderiam se conhecer mais intimamente sem saber o básico a respeito um do outro? 
— E quando você era pequeno? — perguntou ela com voz suave, tentando imaginá-lo quando criança. 
— Há algo específico que você queira saber? — perguntou ele friamente. 
— Bem, nada específico, eu estava falando de maneira geral... — Ela sorriu para ele, num apelo silencioso. Estou interessada, só isso, tentou transmitir ela com o olhar. — Você nunca me falou muita coisa a respeito da sua vida na Grécia. O seu irmão, por exemplo. Eu nem me lembro do nome dele. 
Joe teve vontade de lhe dizer que aquilo era irrelevante. 
— Seu nome é Kyros. Não há muito a dizer. 
— Você conhece os fatos. — Um aviso brilhou em seus olhos negros. — Eu deixei a minha casa aos 18 anos e nunca mais voltei. 
— Mas ele... Kyros... Ele é seu irmão gêmeo, não é? 
— E? 
Ela estava usando o nome de seu irmão como se o conhecesse! Como se algum dia viesse a conhecê-lo! Joe afastou seu prato. Seus olhos estavam frios. Por que ela havia insistido naquele assunto quando ele tinha deixado bem claro que não desejava prosseguir nele? 
— As pessoas parecem ter algum tipo de teoria universal sobre os gêmeos, baseada mais em sentimentalismos do que em fatos — afirmou ele. — O consenso é que existe sempre algum tipo de telepatia, um elo inquebrantável entre eles. Bem, Demi, eu sinto lhe dizer que isso é pura fantasia. Assim como tantos outros mitos sobre a vida em família, como o de que as mães cuidavam de seus filhos e os pais brincavam com eles. 
Ela ficou surpresa com a repentina aspereza em seu tom de voz, como se ela tivesse tocado num nervo exposto. Sua intuição lhe disse para recuar, mas um instinto ainda mais forte se sobrepôs a ela. De que valia ficar com Joe se ela só podia se mover dentro dos limites impostos por ele? 
Não tinha sido por isso, afinal, que ela havia preparado aquele jantar? Para escavar um pouco mais sob aquela camada de gelo para descobri a verdadeira essência do homem que existia sob ela? 
— Você parece tão amargo, Joe — disse ela calmamente. — Tão zangado. Por que não me conta o motivo? 
Ele se contorceu como se tivesse sido golpeado, olhando para ela. 
— Como você ousa falar do que não sabe? Ele estava distorcendo suas palavras. 
— Não foi essa a minha intenção! — protestou ela. — Tudo o que eu quis... 
— Eu não me importo com o que você quer! — retrucou ele. — Eu não quero desabafar com você, minha linda. — Seus olhos negros estavam injetados nela. — Isso nunca fez parte do acordo. 
Aquelas palavras não faziam sentido. 
— Acordo? Do que você está falando? 
O coração de Joe começou a bater mais rápido. 
Ele tomou o último gole de vinho e pousou a taça vazia sobre a mesa. 
— O tempo que eu passo com você deveria ser um intervalo agradável, mas de repente eu preciso desnudar a minha alma só porque você descascou algumas batatas. Se eu estivesse atrás de um terapeuta, bastaria ter atravessado a rua em Nova York para encontrar mais de cem! 
Ele viu a expressão do rosto dela e se esforçou para conter sua fúria. 
— Escute, Demi — disse ele, num tom suave que jamais havia usado com ela. — O que nós tivemos... 
— Nada! — interrompeu Demi furiosamente, vendo claramente onde aquela conversa ia dar. 
Ele ia terminar com ela! Junto com essa revelação, veio também a constatação de como ela havia sido fraca e condescendente, sempre se acomodando às necessidades dele. Sempre JoeJoeJoe! Ela havia passado aquele tempo todo pisando em ovos, tentando descobrir o que ele queria e como ele se sentia. Demi estava decepcionada consigo mesma. 
Se não gostava da maneira como tinha sido tratada pelo bilionário grego, a culpa era só dela. Mas não era tarde demais para recolher os cacos de seu orgulho antes de causar um dano irreparável. 
— Você sabe muito bem que apesar de todos os restaurantes chiques e belos hotéis a que fomos, nós não tivemos nada além de sexo e conversa fiada! E sabe do que mais, Joe? Eu estou feliz que tudo tenha acabado. É isso mesmo! 
Joe ficou paralisado, com todos seus sentidos em alerta. 
— Mas eu não disse que acabou. Demi quase riu da sua arrogância. 
— É verdade, você não disse. Sou eu quem está dizendo. Acabou... talvez nunca devesse ter começado. Deus é testemunha de que eu resisti o quanto pude. 
— Mas acabou cedendo — provocou ele. 
— Cedi sim. Você é muito bom, nisso, Joe, eu admito. O melhor, aliás. Só uma mulher muito forte resistiria ao charme que você jogou em cima de mim naquela época, mas que tem diminuído gradativamente desde então. — Ela o olhou desafiadoramente. — Pelo menos agora, nós dois sabemos onde estamos pisando, portanto acho melhor você ir andando. 
Ele viu o rosto dela em fogo e o brilho nos olhos e percebeu que Demi estava tomada de uma raiva tão esmagadora quanto seu desejo por ela, ao sentir seu corpo reagir. 
— Está bem, eu vou — disse ele por fim, satisfeito ao vê-la morder o lábio inferior quando ele concordou tão prontamente. 
Ela ia se arrepender amargamente de sua impetuosidade! 
Joe não resistiu à tentação de mais uma pequena demonstração de poder. 
— Mas antes, que tal um beijo de despedida? — sugeriu ele, com uma voz sedosa. — Pelos velhos tempos? 
— Não. 
O protesto de Demi foi decidido, mas não adiantou. Ele já a havia puxado pela cintura e tomado em seus braços. 
Bastou um toque para que ela entrasse literalmente em combustão. Demi ouviu o gemido dele ao apertá-la em seu abraço e o próprio também. 
Eu preciso detê-lo, disse ela a si mesma, sem, no entanto, fazer um único movimento. Mais tarde ela se justificaria, dizendo que tinha agido como alguém que ia fazer uma longa viagem sem alimento ou bebida. Quem poderia culpá-la por querer desfrutar de um banquete oferecido numa situação dessas? 
Demi nunca o havia visto assim antes. Ele parecia um garanhão puro-sangue. Seu furor selvagem era combustível para seu desejo urgente. Ela teve vontade de se afogar em seu beijo e levá-lo consigo. Suas mãos estavam agora sobre os seios dela, moldando-os contra as suas palmas, para depois agarrar-lhe os quadris e as nádegas. Joe começou a arrancar-lhe o vestido como se estivesse possuído. E isso sem deixar de beijá-la um só minuto, variando de intensidade, ora mais forte, ora mais suave. 
Tentando-a e incitando-a a tocá-lo de volta, a passar os dedos sobre seu membro rígido por sobre o jeans. 
— Baixe o meu zíper — ordenou ele asperamente e, para sua eterna vergonha, ela fez exatamente o que Joe mandou. 
A calcinha cara que havia comprado especialmente para seduzi-lo mais tarde foi rasgada e jogada ao chão. E ela nem sequer podia culpá-lo. Não se contorcendo daquele jeito, tão excitada a ponto de quase tê-lo mandado fazer aquilo. 
Não havia nenhuma sutileza no que estava acontecendo entre eles. Joe a deitou contra o chão duro e Demi o puxou para cima de si. Ele estava gemendo outra vez, baixando seu jeans, e ela percebeu que ele não ia se incomodar em tirá-lo completamente, apenas... 
Ele soltou um grito quando a penetrou, tendo sido imediatamente seguido por ela. Demi soluçou quando ele entrou cada vez mais fundo, mais fundo do que jamais estivera dentro dela, como se estivesse invadindo sua alma. Seu grito selvagem ao arquear o corpo contra o dele anunciou seu orgasmo, mas também a dor de seu coração partido. 
Seu coração que não era capaz de ouvir a voz da razão. Independente de quantos motivos desse a si mesma para não sentir aquilo, o fato era que ela o amava.
Demi sentiu o gosto salgado das lágrimas rolando pela sua face ao tentar imaginar sua vida sem Joe. Foi como imaginar uma paisagem desolada sem nenhum sinal de luz no horizonte. 
Ela ainda permaneceu deitada por algum tempo até se acalmar, ouvindo a respiração dele ficar cada vez mais profunda e constante, até ter certeza de que ele havia adormecido. Foi então, porém, que ele se mexeu, afastando-se dela. Demi manteve os olhos bem fechados para conter as lágrimas, odiando-se por desejar tanto tê-lo novamente em seus braços, por querer que toda aquela cena estúpida jamais tivesse acontecido e que eles pudessem seguir a noite como ela havia planejado. 
Droga! Ela nem sequer conseguia lembrar por que eles haviam brigado. Joe se levantou em silêncio e se vestiu, ainda com o coração batendo loucamente dentro do peito. Olhou para Demi. Sentiu-se culpado ao ver a calcinha rasgada no chão, mas sabia que ela havia desejado aquilo tanto quanto ele. 
— Demi? 
Ela virou o rosto em direção à parede. A dor em seu coração era tanta que sua vontade era se encolher como um animal ferido. 
— Vá embora, Joe, por favor — disse ela cautelosamente. 
Seus olhos se apertaram enquanto ele capturava a imagem dela estendida no chão para gravá-la para sempre em sua memória. 
— Adeus, Demi — disse ele suavemente, fechando a porta silenciosamente. 

2 comentários:

  1. Ela tem que fazer ele se arrepender de trata-la como um objeto. Espero que ela se vingue.

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  2. O Joe tá merecendo uma surra bem dada pela demi

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Espero que tenham gostado do capítulo :*