Capítulo 19

Joe se levantou da cadeira e eu fiz o mesmo, embora quisesse me agarrar a ela com desespero, mas eu não tinha escolha. Alguns olhares de compreensão e compaixão de outras mulheres foram dirigidos a mim, mas eles eram quase tão ruins quanto os gritos. 
Gianna se levantou de sua cadeira, mas a mãe agarrou seu braço, segurando-a de volta. Salvatore Vitiello gritou algo sobre um lençol, mas o som e as cores esmaecidas tomaram conta de mim, como se eu estivesse presa em um nevoeiro. O aperto de Joe em minha mão quando ele me levou para a casa era a única coisa que me mantinha em movimento. Meu corpo parecia no piloto automático. Uma grande multidão, que consistia principalmente de homens, nos seguiu com seu coro de — cama, cama! — cada vez mais alto quando entramos na casa e subimos a escada para o segundo andar, onde o quarto principal ficava. O medo estava latejante e insistente no meu peito. 
Eu senti o gosto de cobre e percebi que tinha mordido forte o interior da minha bochecha. Finalmente chegamos em frente às portas duplas de madeira escura do quarto principal. Os homens continuaram a bater palmas e nos ombros de Joe. Ninguém me tocou. 
Eu teria desmaiado se eles o fizessem. Joe abriu a porta e eu entrei, feliz por colocar um pouco de distância entre o olhar malicioso da multidão e eu. A gritaria ecoou na minha cabeça e fiz tudo o que eu podia para não apertar as mãos sobre os ouvidos. — Cama! Cama! 
Joe bateu a porta. Agora estávamos sozinhos para nossa noite de núpcias. 

A comoção na frente da porta parou, exceto por Nick, que ainda estava gritando sugestões do que Joe poderia fazer comigo, ou eu com ele. 
— Cale a boca, Nick, vai encontrar uma prostituta para foder, — Joe gritou. 
O silêncio reinou no exterior. Meus olhos vagaram para a cama king-size no centro do quarto e o terror tomou conta de mim. Joe tinha sua própria prostituta para foder esta noite e até o fim dos dias. O preço pelo meu corpo não tinha sido pago em dinheiro, mas bem que poderia ter sido. Passei meus braços em volta de mim, tentando controlar meu pânico. 
Joe virou-se para mim com um olhar predatório em seu rosto. Minhas pernas ficaram fracas. Talvez se desmaiasse eu fosse poupada, e mesmo que ele não se importasse que eu estivesse inconsciente e me tomasse de qualquer maneira, pelo menos eu não me lembraria de nada. Ele colocou o paletó sobre a poltrona ao lado da janela, os músculos em seus antebraços flexionaram. Ele era musculoso e tinha força e poder, e eu poderia muito bem ser feita de vidro. Um toque errado e eu quebraria. 
Joe tomou seu tempo me admirando. Onde quer que seus olhos tocavam meu corpo, me marcavam como sua posse, a palavra “minha” escrita por toda minha pele uma e outra vez. 
— Quando meu pai me disse que eu iria casar com você, também disse que você era a mulher mais bonita que a Chicago Outfit tinha a oferecer, ainda mais bonita do que as mulheres de Nova York. 
A oferecer? Como se eu fosse um pedaço de carne. Enterrei meus dentes na língua. 
— Eu não acreditei nele. — Ele andou até mim e agarrou a minha cintura. Engoli o nó na garganta enquanto olhava para o seu peito. Por que ele tinha que ser tão alto? Ele se inclinou para baixo até que sua boca estava a menos de um centímetro da minha garganta. — Mas ele disse a verdade. Você é a mulher mais linda que eu já vi, e hoje à noite você é minha. — Seus lábios quentes tocaram minha pele. Ele podia sentir o terror batendo em minhas veias? Suas mãos na minha cintura apertaram. Lágrimas pressionaram contra meus olhos, mas eu as segurei. Eu não iria chorar, mas as palavras de Grace ecoaram em meu cérebro. Ele vai te foder até sangrar. 
Seja forte. Eu era uma Scuderi. As palavras de Gianna passaram pela minha mente. Não deixe que ele trate você como uma prostituta. 
— Não! — A palavra foi arrancada da minha garganta como um grito de guerra. Eu me empurrei para longe dele, tropeçando alguns passos para trás. Tudo pareceu congelar. O que eu tinha acabado de fazer? 
A expressão de Joe demonstrava seu atordoamento,— Não? 
— O quê? — Eu rebati. — Você nunca ouviu a palavra ‘não’ antes? — Cale a boca, 
Demi. Pelo amor de Deus, cale a boca. 
— Ah, eu já ouvi muitas vezes. O cara cuja garganta eu esmaguei disse ‘não’ repetidas vezes, até que ele não conseguia falar mais. 
Dei um passo para trás, — Então você vai esmagar minha garganta também? — Eu era como um cachorro acuado, rosnando e mordendo, mas meu adversário era um lobo. Um lobo muito grande e perigoso. 
Um sorriso frio torceu seus lábios. — Não, isso seria desafiar o propósito do nosso casamento, você não acha? 
Estremeci. Claro, seria. Ele não podia me matar. Pelo menos não se quisesse manter a paz entre Chicago e Nova York. Isso não significa que ele não poderia me bater ou me forçar a algo. — Eu não acho que meu pai ficaria feliz se você me machucasse. 
O olhar em seus olhos me fez dar mais um passo para trás. — Isso é uma ameaça? 
Desviei o olhar. Meu pai arriscaria uma guerra pela minha morte – não porque ele me amasse, mas para manter as aparências – mas definitivamente não faria nada sobre algumas contusões ou estupro. Para o meu pai, nem ao menos seria um estupro Joe era meu marido e meu corpo devia ser seu quando ele quisesse. — Não, — eu disse suavemente. Eu me odiava por ser submissa como uma cadela me curvando para ele, quase tanto quanto eu o odiava por me deixar nessa situação. 
— Mas você vai me negar o que é meu? 
Olhei para ele outra vez. Maldita submissão. Porra, meu pai tinha que me vender como gado, e caramba, Joe tinha que aceitar a proposta. — Eu não posso negar a você algo que você não tem o direito de tomar em primeiro lugar. Meu corpo não pertence a você. Ele é meu. — Ele vai me matar, — o pensamento passou pela minha mente um segundo antes de Joe chegar diante de mim. Ele era assustadoramente alto. Eu vi sua mão se mover na minha visão periférica e me encolhi antecipando o golpe, fechando os olhos. Nada aconteceu. O único som era a respiração áspera de Joe e as batidas do meu coração em meus ouvidos. 
Arrisquei uma olhada para ele. Joe estava me olhando, seus olhos eram como um céu de tempestade de verão. — Eu poderia conseguir o que quero, — disse ele, mas o ódio havia desaparecido de sua voz.

4 comentários:

  1. A recalcada da grace só falou aquilo para a demi ficar com medo, e agora ela tá paranóica, era melhor falar o que a recalcada falou para ela,mas agora fundeo tudo de vez

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  2. Gente onde é a casa da menina do blog? Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk já quero

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  3. Nossa...malvada demais kkk socorro !! logoooooooooooooo logo esses dois estão se amando kkk - eu acho kkk...
    Tá perfeito
    Beijos

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Espero que tenham gostado do capítulo :*