Capítulo 26 Bônus do fds


— Joe não para de olhar pra você. Você deve ter deixado uma forte impressão sobre ele, — disse a madrasta de Joe, provocando. 
Virei-me para ela e sorri educadamente. Joe provavelmente só queria ter certeza de que eu não ia anunciar nosso segredo por acidente. Do canto do meu olho, eu vi a porta na parte de trás se abrir e Lily entrou furtivamente, seguida por Fabiano. Eles provavelmente tinham usado a pausa de Umberto para fugir. Gianna fez uma careta quando o nosso irmão parou na frente dos lençóis. 
Desculpei-me e fui até eles com Gianna nos meus calcanhares. Minha mãe estava envolvida em uma conversa excessivamente educada com a madrasta de Joe. 
— O que você está fazendo aqui, seu monstrinho? — perguntou Gianna, agarrando os ombros de Fabiano. 
— Por que há sangue nos lençóis? — ele meio que gritou. —Alguém foi morto? 
Gianna caiu na gargalhada enquanto Lily parecia angustiada pela visão dos lençóis. Eu supunha que sua bolha sobre príncipes de contos de fadas e fazer amor sob as estrelas tinha estourado. Os homens na mesa atrás de nós também começaram a rir, e o rosto de Fabiano franziu com raiva. Embora ele tivesse apenas oito anos, tinha um temperamento e tanto. Eu esperava que ele começasse a ser mais controlado em breve, ou ia se meter em apuros, quando ficasse mais velho. Gianna bagunçou seu cabelo. 
— Você vai para Nova York com Joe? — Perguntou Fabiano de repente. 
Mordi o lábio. — Sim. 
— Mas eu quero que você volte para casa com a gente. 
Pisquei, tentando esconder a minha angústia ao ouvi-lo dizer isso. — Eu sei. 
Lily desviou os olhos dos lençóis por um momento. — Você não vai sair em lua de mel? 
— Não agora. Os russos e os taiwaneses estão trazendo problemas a Joe. 
Fabiano balançou a cabeça como se entendesse, e talvez ele tivesse mesmo. A cada ano que passava ele ia aprender mais sobre o mundo escuro em que vivia. 
— Pare de olhar para os lençóis, — disse Gianna, em voz baixa, mas Lily parecia muito presa àquela visão. 
Seu rosto se contorceu. — Eu acho que vou passar mal. — Eu passei um braço em torno do seu ombro e a levei pra fora. Ela vacilou em meu aperto. 
— Aguente firme, — eu pedi quando nós corremos pra fora da sala, com os olhos de todos nos seguindo. Tropeçamos para o corredor. — Onde é o banheiro? — Esta mansão tinha muitos quartos. 
Romero nos fez sinal para o final do corredor e abriu a porta, depois a fechou, quando estávamos dentro. Eu segurei o cabelo de Lily quando ela se jogou para o vaso sanitário e então me sentei no chão. Limpei seu rosto com uma toalha molhada. — Eu ainda me sinto estranha. 
— Coloque sua cabeça entre os joelhos. — Eu me agachei diante dela. — Qual é o problema? 
Ela deu de ombros. 
— Eu vou pegar um pouco de chá. — Eu me levantei. 
— Não deixe Romero me ver assim. 
— Romero não... — eu parei. Lily, obviamente, tinha uma queda por ele. Era algo infantil, mas eu podia, pelo menos, permitir essa pequena fantasia quando a visão dos lençóis a afligia tanto. — Eu vou mantê-lo longe, — prometi e saí do banheiro. 
Romero e Joe esperavam do lado de fora. 
— Sua irmã está bem? — perguntou Joe. Será que ele estava realmente preocupado ou apenas sendo educado? 
— Os lençóis a deixaram enjoada. 
A expressão de Romero escureceu. — Eles não deveriam permitir que as jovens testemunhassem algo assim. Isso só vai assustá-las. — Ele olhou para Joe. Mas Joe acenou zombador. — Você está certo. 
— Lily precisa de um pouco de chá. 
— Eu posso pegar e ficar aqui com ela para que você possa voltar para seus convidados, — Romero sugeriu. 
Eu sorri. — Isso seria bom, mas Lily não quer que você a veja assim. 
Romero fez uma careta. — Ela está com medo de mim? 
— Você fala isso como se não fosse uma possibilidade, — eu disse com uma risada. — Você é um soldado da máfia. Como não ter medo? — eu decidi não jogar mais com ele e abaixei minha voz. — Mas isso não é tudo. Lily tem uma grande queda por você e não quer que você a veja assim. — e eu  também não queria nenhum dos homens de Joe sozinhos com a minha irmã até que eu os conhecesse melhor. 
Joe sorriu. — Romero, você não perdeu a prática. Ainda capturando os corações de garotas de quatorze anos de idade por aí. — Depois ele voltou sua atenção para mim. — Mas nós temos que voltar. As mulheres ficarão mortalmente ofendidas se você não lhes der toda a sua atenção. 
— Eu vou cuidar de Lily, — disse Gianna, aparecendo no corredor com Fabiano. 
Eu sorri. — Obrigada, — eu disse ao escovar minha mão na sua quando passei por ela. 
No momento em que voltei para a sala de jantar, as mulheres se reuniram ao meu redor outra vez, tentando extrais mais detalhes sobre a minha noite. Fingi estar muito envergonhada pra falar sobre isso – o que eu estava mesmo – e só lhes dei respostas vagas. Os convidados finalmente começaram a sair, e eu sabia que logo seria hora de dizer adeus à minha família e os deixar por minha nova vida. 
*** 
Fabiano pressionou o rosto contra minhas costelas quase dolorosamente e eu acariciei seus cabelos, sentindo-o tremer. Meu pai estava assistindo a isso com uma careta de desaprovação. Ele achava que Fabiano era muito velho para mostrar emoções como essa, como se um garoto não pudesse ficar triste. Eles teriam de ir para o aeroporto em breve. Papai precisava voltar para Chicago devido aos negócios, como de costume. Eu desejava que eles pudessem ficar mais tempo, mas Joe e eu íamos para Nova York hoje também. 
Fabiano fungou e então se puxou para trás, olhando para mim. Lágrimas encheram meus olhos, mas eu as segurei. Se eu começasse a chorar agora, as coisas só ficariam mais difíceis para todos, especialmente Gianna e Lily. Ambas pararam alguns passos atrás de Fabiano, esperando sua vez de dizer adeus. Meu pai já estava ao lado do Mercedes preto alugado, impaciente para ir embora. 
— Eu vou vê-lo em breve, — eu prometi, mas não tinha certeza de quando em breve seria. Natal? Ainda faltavam quatro meses. O pensamento se estabeleceu como uma pedra pesada na boca do meu estômago. 
— Quando? — Fabiano projetou seu lábio inferior. 
— Em breve. 
— Não temos mais tempo. O avião vai sair sem nós, — nosso pai disse bruscamente. — Venha, Fabiano. 
Com um último olhar pra mim, Fabiano arrastou-se até papai, que imediatamente começou a repreendê-lo. Meu coração parecia tão pesado, eu não tinha certeza de como ele poderia ficar no meu peito sem esmagar minhas costelas. Joe a parou atrás da Mercedes com o seu Aston Martin Vanquish cinza e saiu, mas minha atenção se voltou para Lily, que jogou os braços em volta de mim, e depois de um momento Gianna se juntou ao abraço. Minhas irmãs, minhas melhores amigas, minhas confidentes, meu mundo. 
Eu não consegui mais segurar as lágrimas. Eu não queria deixa-las ir. Eu queria levá-las comigo para Nova York. Elas poderiam viver no nosso apartamento, ou mesmo em sua própria casa. Pelo menos, então, eu teria alguém que eu amava e que me amava de volta. 
— Eu vou sentir tanta falta de você, — Lily sussurrou entre soluços. Gianna não disse nada. Ela só apertou o rosto na curva do meu pescoço e chorou. Gianna, que quase nunca chora. Minha forte e impulsiva Gianna. Eu não tinha certeza de quanto tempo seguramos umas as outras, e não me importei com quem viu esta exposição aberta de fraqueza. Deixei todos verem o que o verdadeiro amor significa. A maioria deles nunca iria experimentar algo assim. 
— Nós temos que ir, — papai chamou. O cascalho rangeu. 
Levantei meu rosto. Mamãe se aproximou de nós, brevemente tocou meu rosto e então tomou o braço de Lily e a levou para longe de mim. Outra parte minha se foi. Gianna não afrouxou seu aperto. 
— Gianna! — A voz de nosso pai era como um chicote. 
Ela levantou a cabeça, os olhos vermelhos fazendo suas sardas destacarem-se ainda mais. Nós trocamos olhares e por um momento nenhuma de nós disse nada. — Me ligue todos os dias. Todos os dias, — disse Gianna ferozmente. — Jure. 
— Eu juro, — eu botei pra fora. 
— Gianna, pelo amor de Deus! Eu vou ter que ir aí buscá-la? 
Ela se afastou de mim lentamente, então se virou e praticamente correu até o carro. Caminhei alguns passos em direção a eles enquanto o carro se afastava pela longa entrada. Nenhuma das minhas irmãs se virou. Fiquei aliviada quando eles finalmente viraram uma esquina e foram embora. Chorei por mim por um tempo e ninguém me interrompeu. Eu sabia que não estava sozinha. Pelo menos, não no sentido físico. 
Quando finalmente me virei, Joe e Nick estavam nos degraus atrás de mim. Joe me olhou com um olhar que eu não tinha a energia para ler. Ele provavelmente pensou que eu era patética e fraca. Essa foi a segunda vez que eu chorei na frente dele. Mas hoje parecia pior. Ele desceu os degraus, enquanto Nick ficou pra trás. 
— Chicago não é o fim do mundo, — disse Joe calmamente. 
Ele não conseguia entender. — Poderia muito bem ser. Eu nunca tinha sido separada de minhas irmãs e irmão. Eles eram todo o meu mundo. 
Joe não disse nada. Ele apontou para o seu carro. — Devemos ir. Eu tenho uma reunião hoje à noite. 
Eu balancei a cabeça. Nada me segurava aqui. Todos aqueles com quem eu me importava tinham ido embora. 
— Eu vou estar atrás de você, — disse Nick, e foi para a sua moto. 
Eu afundei no assento de couro do Aston Martin. Joe fechou a porta, caminhou ao redor da frente do automóvel e se posicionou atrás do volante. 
— Sem guarda-costas? — eu perguntei sem emoção. 
— Eu não preciso de guarda-costas. Romero é para você. E este carro não tem exatamente espaço para passageiros adicionais. — Ele ligou o motor, o ronco profundo preencheu o interior. Eu enfrentei a janela quando viajamos para longe da mansão Vitiello. 
Parecia surreal que minha vida poderia mudar tão drasticamente por causa de um casamento. Mas tinha, e só iria mudar ainda mais.

3 comentários:

  1. Aí meu Deus Lary, To angustiada junto com a demi,coitada vai para um lugar que não conhece nada e ninguém,mas em compensação estar com o cara mais gostoso e lindo do mundo

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  2. Adoreii
    Estou apaixonada por tudo
    Beijos

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Espero que tenham gostado do capítulo :*