Capítulo 32 Maratona 1/5

— Eu não estou me opondo. 
— Aposto que Romero vai tomar um chute na bunda por deixá-la escapar. Bem feito. 
Eu quase senti pena de Romero, mas depois eu me lembrei de que ele sabia sobre Grace. Estava escrito em todo o seu rosto. Deus, quantas pessoas sabiam? Eles estavam todos rindo de mim pelas costas? 
— Você está falando com Demi? — Eu podia ouvir a voz animada de Lily no fundo. — Isso não é da sua conta. Saia do meu quarto, sua bisbilhoteira. 
— Eu quero falar com ela! Ela é minha irmã também! 
— Agora não. É particular. — Houve gritos e depois o estrondo de uma porta, seguido por punhos martelando contra madeira. Meu coração se encheu de calor e eu sorri. Esta tinha sido a minha vida até não muito tempo atrás. Agora eu só tinha um marido traidor para quem voltar. 
— E agora? — perguntou Gianna finalmente. 
— Eu honestamente não sei. — Eu paguei e saí da lanchonete, voltando a percorrer as ruas. Estava escuro, mas elas ainda estavam cheias de pessoas a caminho de casa ou de um clube ou bar. 
— Você não pode deixá-lo tratá-la assim. Você deve lutar contra isso. 
— Eu não sei se lutar com Joe é algo que eu quero fazer. 
— O que ele pode fazer para você? Você não é seu inimigo ou seu soldado, e ele disse que não batia em mulheres, e que não iria forçá-la. O que resta? Trancá-la no quarto sem jantar? 
Eu suspirei. 
— Talvez você devesse traí-lo. Ir para uma boate, encontrar um cara quente e dormir com ele. 
Isso seria ir mais além com Joe. — Ele ia matá-lo. Eu não quero sangue em minhas mãos. 
— Então faça outra coisa. Eu não me importo como, desde que você pague Joe na mesma moeda. Ele provavelmente vai apenas continuar traindo você. Lute contra isso. 
Mas Gianna era uma lutadora. Eu preferia táticas mais sutis. — Eu deveria me livrar desse telefone agora. Eu preciso de mais tempo para pensar e não quero que Joe me encontre. 
— Me ligue o mais rapidamente possível. Não importa o horário. Se eu não ouvir falar de você até amanhã de manhã, eu não me importo quem eu tenha que derrubar para voar para Nova York. 
— Ok. Amo você. — Antes que Gianna pudesse dizer mais alguma coisa, eu desliguei meu telefone e joguei no lixo antes de caminhar pelas ruas sem rumo. Era meia-noite e eu estava ficando cansada. A única coisa que me permitia seguir adiante era a imagem de Joe enlouquecendo porque não conseguia me encontrar. Ele odiava não estar no controle. E agora eu tinha deslizado para longe dele. Eu gostaria de poder vê-lo nesse momento. 
Eu comprei um café e enrolei os dedos em torno do copo de papel quente quando me inclinei contra a fachada da loja de café e deixei meus olhos vaguearem sobre as pessoas. 
Cada vez que um casal passava por mim, de mãos dadas, se beijando e rindo apaixonados, meu peito se apertava. Meus olhos queimavam pela exaustão e pelo meu choro mais cedo. Eu estava tão cansada. Tomei um táxi e fui para o nosso prédio. Quando eu entrei no lobby, o recepcionista imediatamente pegou o telefone. Excelente cão de guarda, eu queria dizer. Em vez disso eu torci minha boca em um sorriso e entrei no elevador, então passei meu cartão para que ele me levasse direito para a cobertura. Eu estava quase calma agora, pelo menos do lado de fora. 
Joe estava na cobertura? Ou ele estava aí fora me caçando? Ou talvez ele tenha retornado para sua puta e deixado seus homens fazerem o trabalho em seu lugar. Quando eu acordei com os braços de Joe em torno de mim ou quando ele me beijou, eu me permiti acreditar que talvez eu pudesse fazê-lo me amar. Quando nós tínhamos jantamos juntos, eu pensei que poderia me apaixonar por ele. 
Entrei no apartamento de cobertura. Romero estava lá e praticamente afundou com o alívio. — Ela está aqui — disse ele em seu telefone, depois assentiu antes de terminar a chamada. 
— Onde está o Joe? Voltou para a sua prostituta? 
Romero fez uma careta. — Procurando por você. 
— Estou surpresa por ele se incomodar. Ele poderia ter enviado você ou um dos outros cães. Pois você faz tudo o que ele manda. Inclusive me vigiar enquanto ele está aí fora me traindo. — Romero não disse nada. Eu não tinha certeza de porque eu estava o atacando. 
Comecei a sair da sala. 
— Aonde você vai? 
— Vou me despir e entrar no chuveiro. Se você quer assistir, seja meu convidado Romero ficou parado, mas seus olhos me seguiram até as escadas. Bati a porta do quarto atrás de mim, então tranquei antes de caminhar até o banheiro para tomar um banho. Deixei a temperatura tão alta quanto eu poderia suportar, mas a água não conseguia lavar as imagens que haviam se refugiado no meu cérebro. Joe se enterrando em Grace. O sorriso dela. O som de seus quadris batendo contra a bunda dela. Não sabia exatamente o que eu estava sentindo. 
Decepção. Ciúmes? Eu não tinha escolhido Joe, mas ele era meu marido. Eu queria que ele fosse fiel a mim. Eu queria que ele quisesse apenas a mim. Eu queria ser o suficiente. 
Batidas na porta do quarto ecoaram quando eu saí do chuveiro. Eu enrolei uma toalha em volta de mim e caminhei lentamente para fora do banheiro até o quarto. 
— Demi, deixe-me entrar! — Havia raiva em sua voz. Ele estava com raiva? 
Eu deixei cair a toalha e coloquei uma camisola de seda sobre o meu corpo. 
— Eu vou derrubar a porta se você não me deixar entrar. 
Eu gostaria de vê-lo fazer isso. Talvez desloque um ombro. 
— Demi, abra a maldita porta! 
Eu estava cansada demais para continuar esse jogo com ele. Eu queria que esse dia passasse. Eu queria dormir e magicamente tirar esse dia da minha memória. Destranquei a porta, me virei e caminhei de volta para a cama. A porta se abriu, batendo contra a parede e Joe invadiu. Ele agarrou meu braço e fúria queimou através de mim. Como ele ousava colocar as mãos sobre mim depois de agarrar a bunda daquela puta com elas? 
— Não me toque! — Eu gritei, arrancando fora de seu controle. Ele estava ofegante, os olhos selvagens com emoção. Seu cabelo estava uma bagunça e sua camisa não estava abotoada corretamente. Nick estava na porta, Romero e Cesare alguns passos atrás dele. 
— Onde você estava? — ele disse em voz baixa, estendeu a mão para mim outra vez e eu tropecei para trás. — Não! Não me toque de novo. Não quando você usou essas mesmas mãos para tocar a sua puta. 
Seu rosto se contorceu. — Fora, todos. Agora. 
Nick se virou e ele e os outros dois homens desapareceram de vista. 
— Onde você esteve? 
— Eu não estava te traindo, se é  com isso que você está preocupado. Eu nunca faria isso. Eu acho que fidelidade é a coisa mais importante em um casamento. Assim, você pode se acalmar agora, meu corpo ainda é só seu. — Eu praticamente cuspi as últimas palavras. — Eu apenas caminhei pela cidade. 
— Você andou por Nova York à noite sozinha? 
Olhei em seus olhos, esperando que ele pudesse ver o quanto eu o odiava pelo que tinha visto, o quanto doía saber que ele me respeitava tão pouco. — Você não tem o direito de estar com raiva de mim, Joe. Não depois do que eu vi hoje. Você me traiu. 
Joe rosnou. — Como eu posso ter traído você se nós nem ao menos temos um casamento real? Eu não posso nem foder a minha própria esposa. Você acha que eu vou viver como um monge até que você decida que consegue se aproximar de mim? 
Aquele porco arrogante. Ele e meu pai se certificaram de que eu nem sequer falasse com outros homens até o meu casamento com Joe. — Deus que me livre. Como eu ouso esperar que meu marido seja fiel a mim? Como eu ousei esperar o mínimo de decência de um monstro? 
— Eu não sou um monstro. Eu te tratei com respeito. 
— Respeito? — minha voz se elevou. — Eu peguei você com outra mulher! Talvez eu devesse sair, trazer um cara aleatório de volta comigo e deixar ele me foder bem na sua frente. Como você se sentiria? 
De repente ele me jogou na cama e subiu em cima de mim, com meus braços presos acima da minha cabeça. Empurrando através do meu medo, sufocando, eu disse. — Faça isso. Me tome para que eu possa realmente odiar você. — Seus olhos eram a coisa mais assustadora que eu já vi. 
Suas narinas se flexionaram. Eu virei o rosto e fechei os olhos. Ele estava respirando com dificuldade, seu aperto em meus pulsos muito forte. Meu coração batia forte enquanto eu continuava deitada imóvel embaixo dele. Ele se mexeu e apertou o rosto contra o meu ombro, liberando uma respiração dura. — Deus, Demi. 
Abri os olhos. Ele soltou meus pulsos, mas eu mantive os braços acima da minha cabeça. Lentamente, ele ergueu os olhos. A raiva tinha desaparecido. Ele alcançou minha bochecha, mas eu me virei. — Não me toque com ela em você. 
Ele sentou-se. — Eu vou tomar um banho agora, nós dois vamos nos acalmar e então eu quero conversar. 
— O que ainda há para conversar? 
— Nós. Este casamento. 
Baixei os braços. — Você fodeu uma mulher na minha frente hoje. Você acha que ainda há uma chance para esse casamento? 
— Eu não queria que você tivesse visto nada disso. 
— Por quê? Assim você poderia me trair pelas minhas costas com a consciência tranquila? 
Ele suspirou, e começou a desabotoar sua camisa. — Deixe-me tomar um banho. Você está certa. Eu não deveria te desrespeitar ainda mais te tocando com essas mãos. 
Eu dei de ombros. Nesse momento eu não queria que ele me tocasse nunca mais, não importa quantas duchas tomasse. Ele desapareceu no banheiro. O chuveiro ficou ligado por um longo tempo. Sentei contra a cabeceira da cama, os lençóis puxados até meu quadril, e então finalmente Joe saiu. Desviei meus olhos quando ele deixou cair a toalha e colocou uma cueca, e depois escorregou ao meu lado, também com as costas contra a cabeceira da cama. 
Ele não tentou me tocar. — Você chorou? — Ele perguntou em voz perplexa. 
— Você achou que eu não me importaria? 
— Muitas mulheres em nosso mundo ficam contentes quando seus maridos usam prostitutas ou assumem uma amante. Como você disse, há poucos casamentos por amor. Se uma mulher não pode suportar o toque de seu marido, ela não vai se importar que ele consiga satisfazer suas necessidades. 
Eu zombei. — Suas necessidades. 
— Eu não sou um homem bom, Demi. Eu nunca fingi o contrário. Não há bons homens na máfia. 
Meus olhos pousaram sobre a tatuagem sobre seu coração. — Eu sei. — Eu engoli. — Mas você me fez pensar que eu poderia confiar em você e que você não me machucaria. 
— Eu nunca te machuquei. 
Ele realmente não entendia? — Doeu ver você com ela. 
Sua expressão se suavizou. — Demi, eu não tive a sensação de que você queria dormir comigo. Eu pensei que você ficaria feliz se eu não tocasse em você. 
— Quando eu disse isso? 
— Quando eu disse que queria você, você se afastou. Você olhou pra mim enojada. 
— Nós estávamos nos beijando e você disse que queria me foder mais do que a qualquer outra mulher. É claro que eu me afastei. Eu não sou uma puta que você pode usar quando quer. Você nunca está em casa. Como é que eu vou conhecê-lo? — Ele parecia frustrado. Homens da máfia pareciam ainda mais sem noção do que os homens normais. — O que você achou? Eu nunca fiz nada. Você é o único homem que eu beijei. Você sabia disso quando nos casamos. Você e meu pai se certificaram disso, e ainda assim você esperava que eu, que nunca tinha beijado ninguém, simplesmente abrisse minhas pernas para você. Eu queria que a gente fosse devagar. Eu queria conhecer você para que eu pudesse relaxar, eu queria beijá-lo e fazer outras coisas de nós dormirmos juntos. 
Realização, finalmente, brilhou em suas feições, então ele sorriu. — Outras coisas? Que tipo de outras coisas? 

Continua ...
Amores os próximos capítulos sai as 18:00, 19:00, 20:00, 21:00

3 comentários:

  1. Ainda da tempo dela xingar mais ele kkkkk ainda acho que ela devia se vingar de um jeito.
    Esperando da 18:00 aqui

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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Espero que tenham gostado do capítulo :*